O Nubank registrou um aumento na inadimplência de clientes no Brasil no segundo trimestre de 2025, mas afirma que seguirá ampliando a oferta de crédito no país até o fim do ano. A taxa de atrasos acima de 90 dias subiu para 6,6%, um avanço de 0,10 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (14).
Inadimplência acima de 90 dias cresce no Nubank, em cenário desafiador
Mesmo com alta na inadimplência acima de 90 dias, Nubank mantém planos de ampliar crédito no Brasil até dezembro de 2025.
Apesar da piora, a fintech garante que os números permanecem dentro das expectativas e que o cenário macroeconômico desafiador não alterou seu plano de negócios.
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Alta controlada e ajustes no modelo de crédito

O movimento acompanha a tendência nacional. De acordo com o Banco Central, a inadimplência de pessoas físicas atingiu 4,3% em junho, alta de 0,7 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2024. Cartões de crédito e empréstimos pessoais, dois produtos centrais para o Nubank, lideraram essa deterioração.
A fintech, que também atua no México e na Colômbia, afirma que todos os seus segmentos de crédito estão operando “igual ou melhor do que o esperado” nos três países. No Brasil, cerca de um terço da base de clientes já é atendida por um novo modelo de concessão de crédito, que busca aumentar limites de forma seletiva e controlar riscos.
A meta é aplicar essa abordagem a toda a carteira brasileira até dezembro, conciliando expansão e rentabilidade sem elevar de forma abrupta as provisões para perdas.
Estratégia de crescimento em cenário adverso
O Nubank enxerga o Brasil como seu maior potencial de crescimento e planeja manter a ampliação da carteira de crédito mesmo diante do aumento na inadimplência. A instituição argumenta que ajustes de risco e maior precisão na análise de dados permitem avançar sem comprometer a saúde financeira.
O valor de mercado da fintech é de US$ 57,6 bilhões, e embora tenha perdido o posto de banco mais valioso da América Latina para o Itaú, continua entre as maiores instituições financeiras da região.
Mudanças na liderança e impacto no mercado

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O ano de 2025 também vem sendo marcado por trocas importantes na cúpula executiva. Saíram nomes como Vítor Olivier, ex-diretor de tecnologia (CTO), e Youssef Lahrech, ex-diretor de operações (COO). As movimentações chamaram atenção de investidores, mas não impediram a valorização das ações, que acumulam alta de 15% no ano.
A recuperação veio após um início de 2025 turbulento, quando a empresa perdeu US$ 12 bilhões em valor de mercado, em fevereiro, após resultados abaixo do esperado no quarto trimestre de 2024. Desde então, a confiança do mercado vem sendo gradualmente retomada.
Inadimplência no Brasil: um problema estrutural
Especialistas afirmam que a alta na inadimplência não é um fenômeno isolado do Nubank. O aumento do endividamento das famílias, somado à inflação persistente e à taxa de juros ainda elevada, pressiona o orçamento doméstico e afeta o pagamento de dívidas.
No caso de bancos digitais, que operam com base em modelos de concessão de crédito mais ágeis e amplamente digitalizados, o desafio é encontrar um ponto de equilíbrio entre oferecer limites atraentes e evitar riscos excessivos.
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