O Brasil deu um novo passo para ampliar a inclusão no mercado de trabalho. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) firmaram uma parceria estratégica para aumentar em 15% a ocupação de vagas por pessoas com deficiência (PcDs) e trabalhadores reabilitados. A medida foi formalizada pela Portaria Conjunta nº 1.088, publicada em 27 de agosto de 2025.
Ministério do Trabalho e INSS se unem para aumentar a inclusão de pessoas com deficiência
MTE e INSS quer ampliar em 15% a contratação de PcDs e reabilitados até 2026, com integração ao Sine e Carteira de Trabalho Digital.
A nova regulamentação autoriza o INSS a compartilhar dados de pessoas reabilitadas e PcDs com o Sistema Nacional de Emprego (Sine), administrado pelo MTE. A proposta busca criar um ambiente mais dinâmico de oferta e procura de vagas, conectando trabalhadores e empresas de maneira mais eficiente.
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Dados compartilhados com consentimento do trabalhador
O ponto central da portaria é o consentimento do trabalhador. Apenas aqueles que manifestarem interesse em oportunidades de emprego terão seus dados repassados ao Sine. A medida garante transparência e respeito à privacidade.
Carteira de Trabalho Digital como ferramenta
Segundo o secretário de Qualificação, Emprego e Renda do MTE, Magno Lavigne, a expectativa é construir um verdadeiro ecossistema de integração. A previsão é que até meados de 2026 o sistema esteja plenamente funcional.
O modelo prevê que os trabalhadores cadastrados recebam alertas de vagas disponíveis diretamente em sua Carteira de Trabalho Digital. Por outro lado, empresas registradas no Portal Emprega Mais Brasil terão acesso a uma base de dados com candidatos aptos para contratação.
Cenário atual da inclusão de PcDs no mercado
Percentual de vagas ocupadas
Atualmente, de acordo com o MTE, 58% das vagas reservadas por lei a PcDs e reabilitados do INSS estão ocupadas, o que equivale a 587.613 postos de trabalho. Apesar do número expressivo, há margem significativa para expansão.
A legislação brasileira estabelece cotas obrigatórias para empresas com mais de 100 funcionários. A proporção varia entre 2% e 5% das vagas, de acordo com o porte da companhia. No entanto, muitas organizações ainda enfrentam dificuldades para preencher essas posições, seja pela falta de acesso a candidatos, seja por barreiras estruturais.
Obstáculos persistentes
Entre os principais desafios apontados por especialistas estão:
- Acessibilidade limitada em ambientes corporativos;
- Preconceito e estigmas sociais;
- Capacitação profissional insuficiente para determinados setores;
- Baixa divulgação de oportunidades específicas para PcDs.
A integração entre MTE e INSS surge como resposta direta a essas dificuldades, com o objetivo de facilitar a conexão entre empresas e trabalhadores.
Benefícios esperados com a parceria

Para os trabalhadores
- Maior visibilidade de vagas compatíveis com seu perfil;
- Alertas automáticos via Carteira de Trabalho Digital;
- Redução da burocracia no processo de recolocação profissional.
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Para as empresas
- Acesso simplificado a uma base de candidatos já habilitados;
- Cumprimento mais ágil da lei de cotas;
- Redução da rotatividade por meio da contratação de profissionais reabilitados.
Para o país
- Avanço em políticas públicas de inclusão social;
- Redução da desigualdade no mercado de trabalho;
- Geração de novos indicadores para monitorar a empregabilidade de PcDs.
Expectativas até 2026
O cronograma oficial prevê que a plataforma integrada esteja ativa até a metade de 2026. A expectativa do governo é que a iniciativa aumente em 15% o número de PcDs e reabilitados contratados no mercado formal.
Magno Lavigne destacou que a integração é apenas um dos eixos da política pública:
“Estamos construindo um ecossistema que permitirá que os dados entrem no Sine e que o trabalhador receba, por meio de sua Carteira de Trabalho Digital, alertas sobre vagas disponíveis. Do outro lado, as empresas cadastradas terão acesso à lista de PcDs aptos para contratação.”
O MTE reforça que a iniciativa também servirá para gerar estatísticas mais precisas sobre inclusão, permitindo que novas políticas sejam elaboradas de acordo com a realidade de cada região.
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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