A inDrive, plataforma global de mobilidade e serviços, apresentou nesta quarta-feira (11) um fluxo de pagamento via Pix totalmente integrado ao aplicativo — solução inédita entre as empresas de ride-hailing e entrega no Brasil e dentro do próprio grupo mundial da companhia.
Desenvolvido em parceria com a Belvo, maior provedora latino-americana de infraestrutura de Open Finance, o recurso elimina a necessidade de carteiras digitais ou cartões, garantindo transações em tempo real diretamente da conta do usuário para a do motorista ou entregador parceiro.
“O Pix faz parte da vida dos brasileiros. Ao torná-lo mais fluido, oferecemos liberdade para que todos paguem do jeito que preferirem, sem sair da nossa plataforma”, destaca Stefano Mazzaferro, country manager da inDrive no Brasil.
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Por que o lançamento é relevante no contexto competitivo?

Nos últimos meses, rivais como 99Food, Rappi e o grupo chinês Meituan elevaram o patamar de bonificações e funcionalidades para atrair parceiros de entrega e consumidores, criando pressão adicional sobre tarifas e meios de pagamento.
Nesse cenário, uma experiência cashless completa torna-se vantagem competitiva de alta visibilidade:
- 99Food retornou ao mercado brasileiro prometendo rendimento mínimo diário de R$ 250 para quem concluir 20 corridas.
- A Rappi passou a pagar no mínimo R$ 10 em corridas executadas entre sexta à noite e segunda de manhã, sinalizando foco em retenção de couriers.
- Meituan estuda operações locais aproveitando seu histórico de pagamentos instantâneos na China.
Ao integrar o Pix via Open Finance de ponta a ponta, a inDrive responde a essa corrida por conveniência, removendo atritos que ainda existem quando o passageiro ou remetente precisa saltar entre aplicativos para finalizar uma transferência.
O que muda na prática para usuários, motoristas e entregadores?
Principais vantagens imediatas
| Público | Antes | Agora |
|---|---|---|
| Passageiro/cliente | Selecionava Pix manual, copiava chave ou escaneava QR code, alternava para o app bancário, depois retornava ao inDrive | Escolhe “Pix via Open Finance” e autentica com biometria ou senha dentro do próprio aplicativo, sem trocas de tela |
| Motorista/entregador | Recebia pela corrida somente após verificação manual ou na liquidação semanal | Créditos caem instantaneamente na conta escolhida, reduzindo risco de inadimplência |
| Plataforma | Suportava experimento de Pix manual, sujeito a erros de digitação | Mantém o usuário engajado no app, diminui cancelamentos e cria histórico de pagamentos rastreável |
Como funciona o novo fluxo passo a passo
Pagamento instantâneo do usuário para o motorista
Autenticação no banco escolhido
Integração via Belvo
- Seleção da forma de pagamento
Ao final da corrida ou entrega, o usuário vê a nova opção “Pix via Open Finance”. - Login seguro
A API da Belvo abre uma janela de autenticação onde o cliente escolhe seu banco. O processo é criptografado ponta a ponta e cumpre as exigências do Banco Central para iniciação de pagamento. - Confirmação biométrica ou por token
Sem deixar o app, o usuário valida a transação com impressão digital, reconhecimento facial ou token gerado por seu banco. - Liquidação em segundos
O valor cai automaticamente na conta registrada pelo motorista ou entregador — modelo A2A (account-to-account), também chamado de RTP (real-time payments).
O papel da Belvo no backend
A Belvo fornece conectores bancários certificados, garantindo:
- Compatibilidade instantânea com mais de 100 instituições participantes do Pix.
- Tokenização de credenciais, mantendo dados sensíveis fora dos servidores da inDrive.
- Conformidade com regras de Open Finance, incluindo registro de consentimento e logs de auditoria.
Panorama de adoção de Pix no Brasil
Dados de mercado que sustentam a estratégia
De acordo com a Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI), 90 % dos adultos brasileiros já usam Pix regularmente (dados de janeiro de 2024).
O próprio painel interno da inDrive mostra que, em maio de 2025, mais de 50 % das transações na plataforma eram concluídas via Pix, ainda que de maneira manual. Adotar um fluxo nativo corre em paralelo ao crescimento de 35 % ao ano do Pix em volume financeiro, impulsionado por:
- Custos praticamente nulos para pessoa física.
- Liquidação 24 × 7 em até dez segundos.
- Expansão de serviços como Pix Parcelado e Pix Automático, previstos pelo Banco Central para 2025-2026.
O que diferencia o Pix via Open Finance do Pix tradicional?
Jornada sem fricção
- Zero troca de aplicativos: evita timeout de sessão e erros de copicola.
- Autorização contextual: o usuário visualiza valor, destino e origem no mesmo ambiente.
- Velocidade de checkout: semelhante a um clique em carteira digital, mas sem intermediário que retenha saldo.
Segurança adicional
- Conexão OAuth 2.0 entre app e banco.
- SCeP (Sistema de Conciliação de Pagamentos) subjacente, que registra cada iniciação em ambiente do BC.
- Dispensabilidade de chaves fixas — o sistema gera EVP temporário para cada transação.
Impacto para a cadeia de valor da mobilidade
Benefícios para motoristas e entregadores
Redução de risco e custo
- Menos dinheiro físico: diminui exposição a assaltos e elimina troco.
- Crédito automático: evita taxas de antecipação ou espera pelo ciclo semanal.
- Gestão financeira: extratos em tempo real no app ajudam no controle de receita.
Eficiência operacional
Motoristas podem sair da rua mais cedo quando atingem metas de faturamento diário, pois o crédito instantâneo elimina a incerteza de saldo disponível para despesas imediatas (combustível, alimentação).
Vantagens competitivas para a inDrive
Engajamento e retenção
Programas de fidelidade — como o futuro Cashback de Quilômetros, já testado em mercados asiáticos — terão base sólida para recompensar corridas pagas via Pix, criando ciclo de engajamento superior ao modelo de cupom.
Posicionamento de inovação
Ser a primeira plataforma de mobilidade no Brasil com Pix totalmente integrado reforça a reputação da empresa diante de investidores e órgãos reguladores, ao mostrar adesão proativa às diretrizes de Open Finance.
Desafios e próximos passos

Interoperabilidade e escalonamento
Implementar o fluxo em todas as 500+ cidades onde a inDrive opera exige mapeamento de realidades distintas de banda larga, bancos regionais e volume de corridas. O roadmap prevê:
- Fase 1: capitais e regiões metropolitanas (até setembro/2025).
- Fase 2: cidades médias e polos logísticos (até dezembro/2025).
- Fase 3: integração com produtos adjacentes — frete intermunicipal e serviços urbanos (2026).
Regulamentação futura
O Marco Legal dos Serviços de Mobilidade por App, em discussão no Congresso, pode introduzir requisitos de comprovante eletrônico padronizado e recolhimento automático de tributos. Um sistema de Pix via Open Finance, com rastreio completo de transações, posiciona a empresa à frente de potenciais obrigações fiscais automatizadas.
Considerações finais
A estreia do Pix via Open Finance na inDrive simboliza um movimento estrutural em direção a pagamentos nativos, instantâneos e invisíveis na experiência de mobilidade. Ao eliminar fricções do Pix manual, a plataforma:
- Melhora a experiência do usuário, transformando o Pix em opção tão rápida quanto um clique em carteira digital.
- Aumenta a atratividade para motoristas e entregadores, que passam a receber valores em segundos.
- Fortalece sua competitividade contra players que têm investido pesado em incentivos financeiros.
Se mantiver a cadência de lançamentos, a inDrive não apenas amplia participação em um mercado disputado, mas também consolida o Brasil como laboratório global de soluções cashless para o grupo.
O próximo passo será adaptar o modelo a outros países latino-americanos onde o Pix inspira projetos de pagamentos instantâneos transfronteiriços, consolidando a tese de que Open Finance é a nova espinha dorsal dos serviços on-demand.
