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Inflação dos alimentos recua pelo quarto mês seguido e alivia bolso do consumidor, aponta IBGE

O preço dos alimentos caiu pelo quarto mês no Brasil, segundo o IBGE. Em setembro, o grupo alimentação e bebidas teve deflação de -0,26%.

Helena SerpaPor Helena Serpa6 min de leitura
IPCA registra deflação de 0,36% em agosto inflação

Os preços dos alimentos continuam em queda no Brasil. De acordo com o IBGE, o grupo alimentação e bebidas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou deflação de -0,26% em setembro, marcando o quarto mês consecutivo de recuo. A sequência de quedas tem contribuído para aliviar o orçamento das famílias e reduzir a pressão sobre a inflação geral do país.

O que mostra o IPCA de setembro

Inflação/ipca
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

O IPCA, indicador que mede a inflação oficial, registrou alta de 0,48% em setembro, impulsionado principalmente pelos grupos habitação e transportes. Apesar disso, a alimentação voltou a cair, confirmando uma tendência de desaceleração nos preços dos itens básicos desde o início do segundo semestre.

Leia mais: Queda nos juros do Tesouro Direto reflete cenário de inflação e política

Nos últimos quatro meses, o grupo alimentação e bebidas acumula queda de -1,17%, o que indica um movimento consistente de alívio nos custos de consumo doméstico.

Alimentos que mais caíram em setembro

O levantamento do IBGE mostra que alguns produtos apresentaram quedas expressivas de preço em setembro. Os maiores recuos foram observados em alimentos essenciais do dia a dia dos brasileiros:

ProdutoVariação em setembro
Tomate-11,52%
Cebola-10,16%
Alho-8,70%
Batata-inglesa-8,55%
Arroz-2,14%

Esses itens têm grande peso na cesta básica, e suas reduções ajudam a conter o custo das refeições, especialmente entre famílias de menor renda.

Alimentação no domicílio e fora de casa

O IBGE divide o grupo de alimentação em duas categorias principais: alimentação no domicílio e alimentação fora do domicílio.

Alimentação no domicílio

Os produtos comprados em supermercados, feiras e mercearias tiveram deflação de -0,41% em setembro, após uma queda mais intensa de -0,83% em agosto. Essa desaceleração indica que, embora os preços ainda estejam em queda, o ritmo da deflação diminuiu.

Itens como hortaliças, legumes e cereais foram os principais responsáveis por esse movimento. Fatores climáticos favoráveis e maior oferta de produtos agrícolas contribuíram para o recuo.

Alimentação fora do domicílio

Já a alimentação fora do domicílio, que inclui refeições em restaurantes e lanches, também apresentou desaceleração. O subgrupo teve alta de apenas 0,11% em setembro, contra 0,50% em agosto.
O destaque foi o item lanche, que passou de alta de 0,83% para 0,53%, refletindo uma contenção de preços em estabelecimentos alimentícios.

Essa moderação nos preços da alimentação fora de casa é relevante, pois o segmento vinha pressionando o orçamento das famílias, principalmente nas grandes cidades.

Fatores que explicam a queda dos preços

Diversos fatores explicam o comportamento de baixa nos preços dos alimentos nos últimos meses. Entre eles, o aumento da oferta agrícola, a redução dos custos logísticos e a melhora das condições climáticas em regiões produtoras.

Colheita e oferta

A colheita de produtos hortifrutigranjeiros foi favorecida por um clima mais estável entre agosto e setembro. O aumento da produção de tomate, batata e cebola, por exemplo, resultou em maior oferta nos mercados e consequente queda dos preços.

Custo dos combustíveis

A redução no preço do diesel e o estabilização dos combustíveis também contribuíram, ao diminuir os custos de transporte de alimentos. Como o frete tem impacto direto no valor final, essa redução é sentida pelo consumidor nas gôndolas.

Efeitos da política monetária

Outro fator é o efeito da política de juros do Banco Central. Com a taxa Selic ainda elevada, o consumo segue contido, o que reduz a pressão sobre a demanda e ajuda a manter a inflação sob controle.

Impacto no orçamento das famílias

O recuo dos preços dos alimentos tem efeito imediato no orçamento das famílias, especialmente as de menor renda, que destinam uma parte significativa dos ganhos à alimentação.

Alívio temporário

Apesar do alívio observado, especialistas alertam que o movimento pode ser temporário. A aproximação do fim do ano, com festas e aumento da demanda por alimentos processados e carnes, pode pressionar novamente os preços a partir de novembro.

Reflexos no IPCA geral

O comportamento do grupo alimentação é decisivo para o resultado global do IPCA. Como um dos componentes de maior peso no índice, sua deflação ajuda a conter a inflação geral, que acumulou 5,17% nos últimos 12 meses até setembro.

Expectativas para os próximos meses

IPCA dólar
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

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Economistas apontam que os preços dos alimentos devem permanecer estáveis até o fim do ano, com variações pontuais ligadas à sazonalidade agrícola e à demanda de fim de ano.

A tendência é de que o grupo alimentação siga ajudando a manter a inflação anual dentro da meta do Banco Central, que para 2025 está em torno de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual.

Possíveis pressões futuras

Alguns riscos, no entanto, podem reverter a trajetória de queda:

  • Aumento de custos com energia e combustíveis;
  • Instabilidade climática em regiões produtoras;
  • Alta do dólar, que encarece insumos agrícolas importados.

Mesmo assim, a expectativa é de estabilidade no curto prazo, com o mercado interno bem abastecido.

Comparativo com agosto

O contraste entre os meses de agosto e setembro mostra como a dinâmica dos preços dos alimentos vem se ajustando.

IndicadorAgosto 2025Setembro 2025
Alimentação e bebidas-0,83%-0,26%
Alimentação no domicílio-0,83%-0,41%
Alimentação fora do domicílio0,50%0,11%
IPCA geral-0,11%0,48%

FAQ – Perguntas frequentes

1. O que é o IPCA?
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é o indicador oficial da inflação no Brasil, calculado mensalmente pelo IBGE.

2. O que significa deflação?
Deflação é a queda generalizada de preços em um período. No caso dos alimentos, indica que o consumidor está pagando menos pelos mesmos produtos.

3. Quais alimentos ficaram mais baratos em setembro?
Os principais foram tomate (-11,52%), cebola (-10,16%), alho (-8,70%), batata (-8,55%) e arroz (-2,14%).

4. Essa queda de preços deve continuar?
Analistas esperam estabilidade nos próximos meses, com leve alta possível no fim do ano por causa da demanda das festas.

Considerações finais

A queda dos preços dos alimentos pelo quarto mês consecutivo traz um respiro ao bolso do consumidor brasileiro, em um cenário de inflação ainda controlada. O movimento reflete condições favoráveis na produção agrícola e estabilidade nos custos logísticos.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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