Os preços dos alimentos continuam em queda no Brasil. De acordo com o IBGE, o grupo alimentação e bebidas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou deflação de -0,26% em setembro, marcando o quarto mês consecutivo de recuo. A sequência de quedas tem contribuído para aliviar o orçamento das famílias e reduzir a pressão sobre a inflação geral do país.
Inflação dos alimentos recua pelo quarto mês seguido e alivia bolso do consumidor, aponta IBGE
O preço dos alimentos caiu pelo quarto mês no Brasil, segundo o IBGE. Em setembro, o grupo alimentação e bebidas teve deflação de -0,26%.
O que mostra o IPCA de setembro

O IPCA, indicador que mede a inflação oficial, registrou alta de 0,48% em setembro, impulsionado principalmente pelos grupos habitação e transportes. Apesar disso, a alimentação voltou a cair, confirmando uma tendência de desaceleração nos preços dos itens básicos desde o início do segundo semestre.
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Nos últimos quatro meses, o grupo alimentação e bebidas acumula queda de -1,17%, o que indica um movimento consistente de alívio nos custos de consumo doméstico.
Alimentos que mais caíram em setembro
O levantamento do IBGE mostra que alguns produtos apresentaram quedas expressivas de preço em setembro. Os maiores recuos foram observados em alimentos essenciais do dia a dia dos brasileiros:
| Produto | Variação em setembro |
|---|---|
| Tomate | -11,52% |
| Cebola | -10,16% |
| Alho | -8,70% |
| Batata-inglesa | -8,55% |
| Arroz | -2,14% |
Esses itens têm grande peso na cesta básica, e suas reduções ajudam a conter o custo das refeições, especialmente entre famílias de menor renda.
Alimentação no domicílio e fora de casa
O IBGE divide o grupo de alimentação em duas categorias principais: alimentação no domicílio e alimentação fora do domicílio.
Alimentação no domicílio
Os produtos comprados em supermercados, feiras e mercearias tiveram deflação de -0,41% em setembro, após uma queda mais intensa de -0,83% em agosto. Essa desaceleração indica que, embora os preços ainda estejam em queda, o ritmo da deflação diminuiu.
Itens como hortaliças, legumes e cereais foram os principais responsáveis por esse movimento. Fatores climáticos favoráveis e maior oferta de produtos agrícolas contribuíram para o recuo.
Alimentação fora do domicílio
Já a alimentação fora do domicílio, que inclui refeições em restaurantes e lanches, também apresentou desaceleração. O subgrupo teve alta de apenas 0,11% em setembro, contra 0,50% em agosto.
O destaque foi o item lanche, que passou de alta de 0,83% para 0,53%, refletindo uma contenção de preços em estabelecimentos alimentícios.
Essa moderação nos preços da alimentação fora de casa é relevante, pois o segmento vinha pressionando o orçamento das famílias, principalmente nas grandes cidades.
Fatores que explicam a queda dos preços
Diversos fatores explicam o comportamento de baixa nos preços dos alimentos nos últimos meses. Entre eles, o aumento da oferta agrícola, a redução dos custos logísticos e a melhora das condições climáticas em regiões produtoras.
Colheita e oferta
A colheita de produtos hortifrutigranjeiros foi favorecida por um clima mais estável entre agosto e setembro. O aumento da produção de tomate, batata e cebola, por exemplo, resultou em maior oferta nos mercados e consequente queda dos preços.
Custo dos combustíveis
A redução no preço do diesel e o estabilização dos combustíveis também contribuíram, ao diminuir os custos de transporte de alimentos. Como o frete tem impacto direto no valor final, essa redução é sentida pelo consumidor nas gôndolas.
Efeitos da política monetária
Outro fator é o efeito da política de juros do Banco Central. Com a taxa Selic ainda elevada, o consumo segue contido, o que reduz a pressão sobre a demanda e ajuda a manter a inflação sob controle.
Impacto no orçamento das famílias
O recuo dos preços dos alimentos tem efeito imediato no orçamento das famílias, especialmente as de menor renda, que destinam uma parte significativa dos ganhos à alimentação.
Alívio temporário
Apesar do alívio observado, especialistas alertam que o movimento pode ser temporário. A aproximação do fim do ano, com festas e aumento da demanda por alimentos processados e carnes, pode pressionar novamente os preços a partir de novembro.
Reflexos no IPCA geral
O comportamento do grupo alimentação é decisivo para o resultado global do IPCA. Como um dos componentes de maior peso no índice, sua deflação ajuda a conter a inflação geral, que acumulou 5,17% nos últimos 12 meses até setembro.
Expectativas para os próximos meses

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Economistas apontam que os preços dos alimentos devem permanecer estáveis até o fim do ano, com variações pontuais ligadas à sazonalidade agrícola e à demanda de fim de ano.
A tendência é de que o grupo alimentação siga ajudando a manter a inflação anual dentro da meta do Banco Central, que para 2025 está em torno de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual.
Possíveis pressões futuras
Alguns riscos, no entanto, podem reverter a trajetória de queda:
- Aumento de custos com energia e combustíveis;
- Instabilidade climática em regiões produtoras;
- Alta do dólar, que encarece insumos agrícolas importados.
Mesmo assim, a expectativa é de estabilidade no curto prazo, com o mercado interno bem abastecido.
Comparativo com agosto
O contraste entre os meses de agosto e setembro mostra como a dinâmica dos preços dos alimentos vem se ajustando.
| Indicador | Agosto 2025 | Setembro 2025 |
|---|---|---|
| Alimentação e bebidas | -0,83% | -0,26% |
| Alimentação no domicílio | -0,83% | -0,41% |
| Alimentação fora do domicílio | 0,50% | 0,11% |
| IPCA geral | -0,11% | 0,48% |
FAQ – Perguntas frequentes
1. O que é o IPCA?
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é o indicador oficial da inflação no Brasil, calculado mensalmente pelo IBGE.
2. O que significa deflação?
Deflação é a queda generalizada de preços em um período. No caso dos alimentos, indica que o consumidor está pagando menos pelos mesmos produtos.
3. Quais alimentos ficaram mais baratos em setembro?
Os principais foram tomate (-11,52%), cebola (-10,16%), alho (-8,70%), batata (-8,55%) e arroz (-2,14%).
4. Essa queda de preços deve continuar?
Analistas esperam estabilidade nos próximos meses, com leve alta possível no fim do ano por causa da demanda das festas.
Considerações finais
A queda dos preços dos alimentos pelo quarto mês consecutivo traz um respiro ao bolso do consumidor brasileiro, em um cenário de inflação ainda controlada. O movimento reflete condições favoráveis na produção agrícola e estabilidade nos custos logísticos.
