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A inflação vai cumprir a meta? Veja o que os analistas dizem sobre os novos números

Inflação se aproxima do teto da meta e anima economistas, que projetam corte de juros já em janeiro, mesmo com riscos de alimentos e câmbio.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
inflação

O cenário inflacionário brasileiro começou a dar sinais concretos de alívio no final de 2025, reforçando o otimismo entre analistas, investidores e agentes econômicos. O avanço de apenas 0,20% no IPCA-15 de novembro trouxe o acumulado de 12 meses para 4,5%, exatamente o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Esse resultado reduz pressões sobre a política monetária, melhora expectativas para os próximos meses e fortalece as projeções de que o Banco Central (BC) poderá iniciar um novo ciclo de cortes na Selic já em janeiro.

Para além dos números, o movimento revela um ambiente mais favorável para a economia brasileira, impulsionado pela desaceleração dos preços de alimentos, queda de bens de consumo estimulada pela Black Friday e ajustes recentes nos combustíveis.

Mesmo com pressões vindas das passagens aéreas e do fim de ano, o mercado vê um fim de 2025 relativamente estabilizado no campo inflacionário.

A seguir, veja uma análise completa sobre os elementos que puxaram a inflação, setores que contribuíram para o alívio, projeções de especialistas e riscos que ainda podem aparecer no horizonte.

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Panorama da inflação em novembro

O que mostrou o IPCA-15

O IPCA-15, considerado a prévia oficial da inflação, registrou alta de 0,20% em novembro, ligeiramente acima dos 0,18% observados em outubro. Embora o desempenho mensal tenha ficado levemente acima do esperado pelo mercado, o resultado mais importante foi a desaceleração no acumulado em 12 meses.

Principais números do IPCA-15

  • 0,20% de alta em novembro
  • 4,15% de inflação acumulada no ano
  • 4,50% no acumulado em 12 meses, abaixo dos 4,94% de outubro
  • Primeira vez desde janeiro que a inflação volta ao teto da meta

O comportamento observado no índice também tem um impacto institucional relevante: o BC pode escapar da obrigação de escrever uma carta aberta justificando o descumprimento da meta — uma exigência prevista para quando o IPCA oficial supera o limite superior (4,5%).

A influência da meta na política monetária

A meta de inflação brasileira é de 3%, podendo variar 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, qualquer resultado entre 1,5% e 4,5% mantém o país dentro do intervalo permitido.

Com o IPCA-15 sinalizando convergência, aumentam as chances de que o IPCA cheio de 2025 também encerre o ano dentro da meta, reduzindo incertezas e permitindo maior flexibilidade para a autoridade monetária.


O que puxou a inflação em novembro

Passagens aéreas seguem como o principal fator de pressão

Nenhum item influenciou tanto o IPCA-15 de novembro quanto as passagens aéreas, que dispararam 11,87%. A sazonalidade típica do fim de ano, combinada com alta demanda por férias e eventos, explica parte dessa escalada. Economistas também citam o impacto da COP-30, realizada em Belém, embora sua contribuição nacional seja pequena.

Influência no índice

  • Maior impacto individual no mês
  • Pressão sobre o grupo de transportes
  • Efeito ainda deve continuar no índice de dezembro

Alimentação volta a subir, mas bens no domicílio seguem ajudando

Depois de cinco meses consecutivos no negativo, o grupo de alimentação subiu 0,09% em novembro. Porém, os alimentos consumidos no domicílio ainda tiveram queda, com recuo de 0,15%. Entre os destaques:

Quedas

  • Leite longa vida: –3,29%
  • Arroz: –3,10%
  • Frutas: –1,60%

Altas

  • Batata inglesa: +11,47%
  • Óleo de soja: +4,29%
  • Carnes: +0,68%

A Black Friday também teve peso importante. Eletroeletrônicos recuaram 1,03%, influenciados tanto pela valorização do câmbio quanto pela competitividade de produtos importados, principalmente chineses.

Serviços pessoais e turismo aceleram

O grupo de despesas pessoais puxou o índice para cima, com alta de 0,85%. Itens com maior pressão incluíram:

  • Hospedagem: +4,18%
  • Pacote turístico: +3,90%

Com o fim do ano se aproximando, a procura por viagens domésticas e internacionais aumentou significativamente.

Transportes trazem alívio com combustíveis mais baratos

Apesar da alta das passagens aéreas, o grupo de transportes teve ajuda dos combustíveis, que recuaram 0,46%. A gasolina caiu 0,48%, influenciada pelo reajuste da Petrobras em outubro, evitando um IPCA-15 mais elevado.


Análise dos especialistas

Projeções para o fim de 2025

Economistas de diferentes instituições convergem em uma avaliação: a inflação deve encerrar 2025 dentro do teto da meta.

Expectativa de André Galhardo

O economista-chefe da Análise Econômica projeta que o IPCA cheio de novembro deve ficar em 0,17%. Se confirmado, o acumulado em 12 meses cairá para cerca de 4,45%.

Avaliação de Andréa Angelo (Warren Investimentos)

A estrategista vê 2025 terminando com inflação acumulada de 4,2%, apoiada em três principais fatores:

  • Bons preços dos alimentos, especialmente carnes e cereais
  • Comportamento benigno dos bens de consumo
  • Repasse mais rápido do câmbio e reduções da Petrobras

Ela destaca que a Black Friday teve efeito relevante, reduzindo preços além do esperado em diversos segmentos.

Visão de André Valério (Inter)

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O economista projeta fechamento de 2025 em 4,5%, no limite da meta, mas mantém cenário de corte de juros em janeiro.


Expectativas para a Selic

Cortes de juros devem começar em janeiro

A combinação de inflação sob controle e expectativas ancoradas reforça o cenário de que o BC pode iniciar a redução da Selic no início de 2026.

Argumentos que sustentam o corte:

  • Inflação dentro do intervalo da meta
  • Mediana do Focus convergindo para 4,45%
  • Possível redução nas tarifas de energia elétrica em dezembro
  • Bons sinais dos alimentos e bens duráveis

Mesmo que a queda da Selic tenha efeito pleno apenas em 2027, o BC ganha credibilidade para agir de forma menos conservadora.


Riscos para 2026: o que pode piorar a inflação

Alimentos podem voltar a pressionar

Apesar do comportamento benigno atual, 2026 pode trazer desafios importantes:

  • Carnes com tendência de forte alta
  • Leites e derivados pressionados por condições climáticas
  • Frutas mais caras

Esses riscos se intensificam com eventos climáticos e menor oferta agrícola.

Câmbio e estímulos econômicos

O dólar pode voltar a subir parcialmente em 2026, um fator tradicionalmente inflacionário. Além disso, medidas de estímulo — como mudanças no FGTS, Imposto de Renda e crédito consignado — também podem aquecer a demanda e dificultar a tarefa do BC.


Perspectivas para 2026

Visão mais conservadora

Para Andréa Angelo, a inflação de 2026 deve fechar em 4,5%, acima da projeção para 2025. Isso reflete riscos alimentares e possibilidade de estímulos fiscais.

Visão mais otimista

André Valério aposta em inflação de 4% no próximo ano, com continuidade do processo de desinflação:

  • Alimentos com preços estáveis
  • Riscos climáticos impactando apenas no segundo semestre
  • Câmbio sem grandes depreciações
  • Menos tensão fiscal no curto prazo

Considerações finais

A inflação brasileira se aproxima do final de 2025 com números mais favoráveis do que se imaginava no meio do ano. A prévia do IPCA de novembro confirmou a tendência de desaceleração, trazendo o índice de 12 meses para o teto da meta e ajudando a reforçar expectativas de um ciclo de cortes de juros já em janeiro.

Mesmo com pressões persistentes — especialmente vindas das passagens aéreas e do período de festas — o cenário geral indica maior controle sobre os preços, apoiado pela força da Black Friday, pela queda de commodities agrícolas e pela estabilidade nos bens industriais.

O ano de 2026 ainda apresenta riscos, principalmente ligados aos alimentos e ao câmbio. No entanto, o ambiente de credibilidade construído pela política monetária e a convergência das expectativas ajudam a manter o otimismo entre analistas.

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Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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