O mercado financeiro voltou a revisar para baixo a projeção de inflação para 2025, reforçando o otimismo em relação à política monetária conduzida pelo novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (13) pela autoridade monetária, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 4,80% para 4,72%, aproximando-se da meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, limite de 4,5%.
Galipolo está muito perto de cumprir meta de inflação no primeiro ano no Banco Central
Inflação de 2025 recua para 4,72%, perto da meta, e fortalece Galípolo no BC com cenário mais otimista para juros e IPCA.
Embora o índice projetado ainda esteja levemente acima do teto, a tendência de desaceleração da inflação pode dar à equipe de Galípolo um importante trunfo político e econômico no primeiro ano de sua gestão.
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Nova projeção aponta para desaceleração dos preços
IPCA 2025 abaixo de 5% pela primeira vez desde maio
A expectativa de inflação em 4,72% para 2025 é a mais baixa registrada nos últimos meses, segundo as séries históricas do Boletim Focus. O número reflete melhoras nos indicadores macroeconômicos e sugere maior confiança do mercado na atuação do Banco Central.
Essa estimativa também reforça a ideia de que a inflação está sob controle, mesmo com a permanência de fatores de pressão como energia elétrica e combustíveis, que continuam impactando os índices de preços.
Política monetária: juros altos e estabilidade
Selic mantida em 15% há 16 semanas
A principal ferramenta de controle da inflação, a taxa Selic, segue em 15% ao ano, e o Boletim Focus não registra qualquer alteração nessa expectativa há 16 semanas consecutivas. Isso indica que o mercado considera adequada a atual postura do Comitê de Política Monetária (Copom) diante do cenário inflacionário.
Projeções de queda para os próximos anos
Apesar da manutenção da Selic no curto prazo, o boletim mostra que os analistas esperam reduções graduais nos próximos anos:
- 12,25% em 2026
- 10,50% em 2027
Essa trajetória de queda reforça a expectativa de que, se a inflação continuar sob controle, haverá espaço para afrouxamento monetário, favorecendo o crescimento da economia.
Inflação recente: energia elétrica pressiona, mas tendência é de controle

IPCA de setembro sobe 0,48%
Segundo o IBGE, a prévia da inflação oficial de setembro registrou alta de 0,48%, puxada principalmente pelo aumento da energia elétrica. O dado contrasta com a deflação de -0,14% registrada em agosto, revelando a volatilidade do índice em função de fatores pontuais.
No acumulado de 12 meses, o IPCA chegou a 5,17%, ainda acima do teto da meta, mas abaixo dos patamares vistos no ano anterior, quando o índice superava os 6% em igual período.
Papel da tarifa de energia e dos alimentos
Além da energia elétrica, alimentos e combustíveis têm influência direta na inflação ao consumidor. As altas registradas nos grupos alimentação no domicílio, transportes e habitação explicam a resistência de curto prazo da inflação, mesmo com juros elevados.
Expectativas para o crescimento do PIB permanecem estáveis
PIB de 2025 projetado em 2,16%
Pela quinta semana consecutiva, o Boletim Focus manteve a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,16% para 2025. O número é considerado positivo dentro de um contexto global de desaceleração econômica, e reforça a avaliação de que o Brasil pode crescer mesmo com juros elevados.
As projeções para os anos seguintes também se mantêm em patamares similares:
- 1,80% em 2026
- 1,83% em 2027
Esses números indicam uma visão de estabilidade do crescimento econômico, mas ainda aquém do desejável para um país com alto nível de desigualdade e necessidade de investimentos em infraestrutura e produtividade.
Câmbio e dólar: leve melhora nas estimativas
Dólar pode fechar 2025 a R$ 5,43
As projeções do mercado para a cotação do dólar indicam leve apreciação do real em relação às previsões anteriores. A estimativa atual é que o câmbio encerre 2025 cotado a R$ 5,43, abaixo da previsão de R$ 5,50 feita há um mês.
Para os anos seguintes, as estimativas são:
- R$ 5,45 em 2026
- R$ 5,51 em 2027
A tendência de estabilidade cambial ajuda a conter os efeitos da inflação importada e reduz a pressão sobre os preços dos produtos e insumos cotados em dólar, como combustíveis e fertilizantes.
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Gabriel Galípolo e a prova de fogo no Banco Central
Primeiras vitórias simbólicas da nova gestão
Gabriel Galípolo assumiu a presidência do Banco Central com grande expectativa política e econômica, substituindo Roberto Campos Neto, cuja gestão foi marcada por embates com o governo Lula. Agora, com a inflação recuando e a política monetária sendo mantida com estabilidade, Galípolo ganha fôlego para consolidar seu perfil técnico e independente.
A credibilidade da instituição, frequentemente questionada por segmentos do mercado temerosos com interferência política, ganha reforço se a meta de inflação de 2025 for cumprida ainda no primeiro ano de sua gestão.
Desafios futuros: inflação global e cenário político
Apesar dos sinais positivos, o novo presidente do BC ainda terá de enfrentar desafios importantes:
- Oscilações do petróleo e dos alimentos nos mercados internacionais;
- Efeitos climáticos como El Niño sobre preços agrícolas;
- Pressões por crescimento e afrouxamento fiscal do lado do governo federal;
- Possível interferência política em decisões do Copom.
O equilíbrio entre política monetária e crescimento econômico será um teste constante até o final do mandato de Galípolo.
Tendências: o que esperar do cenário macroeconômico até 2027

Inflação próxima da meta fortalece cenário de corte de juros
Se a inflação seguir abaixo de 5% e o IPCA convergir para a meta de 3%, o Copom poderá iniciar um ciclo de cortes na Selic em 2026, o que deverá estimular:
- Redução no custo do crédito;
- Reaquecimento do consumo;
- Aumento nos investimentos.
Essa combinação pode consolidar um novo ciclo de crescimento econômico com menor pressão inflacionária, especialmente se acompanhada de responsabilidade fiscal.
Câmbio estável reduz volatilidade para investidores
A previsão de dólar entre R$ 5,43 e R$ 5,51 até 2027 indica um ambiente mais previsível para o investidor estrangeiro, favorecendo:
- Entrada de capitais no Brasil;
- Aumento de liquidez nos mercados;
- Menor necessidade de intervenções do BC no mercado cambial.
Imagem: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
