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Inflação sobe 0,89% com alta da gasolina e alimentos

Prévia da inflação sobe 0,89% em abril, pressionada por gasolina e alimentos. Veja impactos e o que esperar.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Gasolina

A prévia da inflação oficial brasileira, medida pelo IPCA-15, registrou alta de 0,89% em abril, impulsionada principalmente pelo aumento nos preços dos alimentos e da gasolina. O índice, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra uma aceleração significativa em relação a março (0,44%) e representa o maior resultado desde fevereiro (1,23%).

No acumulado de 12 meses, o indicador chegou a 4,37%, acima dos 3,9% registrados no período anterior. Apesar da alta, o resultado ainda permanece dentro da meta de inflação estabelecida pelo governo, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Alimentos lideram alta com impacto direto no consumo diário

Leia mais: Mercado projeta inflação de 4,86% em 2026, aponta Focus

O grupo de alimentação e bebidas foi o principal responsável pela inflação do mês, com alta de 1,46% e impacto de 0,31 ponto percentual no índice geral.

Entressafra e menor oferta explicam aumento

A elevação dos preços está diretamente ligada ao período de entressafra, quando há redução na produção de diversos itens agrícolas. Com menor oferta, os preços sobem — um movimento típico do setor, mas que tem impacto imediato no bolso do consumidor.

Entre os principais vilões do mês estão:

  • Cenoura: +25,43%
  • Cebola: +16,54%
  • Leite longa vida: +16,33%
  • Tomate: +13,76%
  • Carnes: +1,14%

Além disso, a alimentação fora do domicílio também registrou alta relevante de 0,70%, refletindo o repasse dos custos para bares e restaurantes.

Impacto real no dia a dia

Na prática, isso significa que o consumidor brasileiro está pagando mais caro tanto no supermercado quanto ao comer fora. Famílias de baixa e média renda são as mais afetadas, já que destinam maior parte do orçamento à alimentação.

Combustíveis disparam com cenário internacional instável

O grupo de transportes teve alta de 1,34%, com impacto de 0,27 ponto percentual. O principal fator foi o aumento expressivo dos combustíveis.

Gasolina lidera pressão inflacionária

A gasolina subiu 6,23% em abril e foi o item que mais influenciou o índice geral. Já o óleo diesel registrou alta ainda mais intensa, de 16%.

Esses aumentos não afetam apenas quem abastece veículos. Eles também elevam os custos de transporte de mercadorias, o que acaba sendo repassado aos preços de diversos produtos — ampliando o efeito inflacionário.

Guerra no Oriente Médio influencia preços no Brasil

A alta dos combustíveis está diretamente relacionada ao cenário internacional, especialmente ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Estreito de Ormuz e impacto global

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, tem enfrentado instabilidades devido à guerra. Antes do conflito, cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás passava pela região.

Com bloqueios e riscos logísticos, há redução na oferta global da commodity, o que eleva os preços internacionais. Como o petróleo é negociado globalmente, países produtores como o Brasil também sofrem os efeitos dessa alta.

Outros grupos também registram aumento

Além de alimentação e transportes, outros grupos contribuíram para a inflação:

  • Saúde e cuidados pessoais: +0,93%
  • Habitação: +0,42%
  • Vestuário: +0,76%
  • Despesas pessoais: +0,32%
  • Artigos de residência: +0,48%
  • Comunicação: +0,48%
  • Educação: +0,05%

Embora com menor impacto individual, esses aumentos reforçam a pressão generalizada sobre o custo de vida.

Medidas do governo têm efeito limitado até agora

O governo brasileiro tem adotado medidas para conter a alta dos combustíveis, como:

  • Redução ou isenção de impostos
  • Subsídios a produtores e importadores

Apesar disso, especialistas avaliam que os efeitos ainda são limitados diante do cenário global adverso.

Diferença entre IPCA-15 e inflação oficial

O IPCA-15 é considerado a prévia da inflação oficial (IPCA), que serve como referência para a política monetária do país.

Principais diferenças

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  • Abrangência: cobre menos localidades que o IPCA completo
  • Metodologia: praticamente idêntica

A coleta desta prévia foi realizada entre 18 de março e 15 de abril. Já o IPCA oficial de abril será divulgado em 12 de maio.

O que esperar?

A tendência da inflação dependerá de três fatores principais:

1. Cenário internacional

A continuidade ou agravamento de conflitos pode manter os combustíveis em alta.

2. Produção agrícola

A saída da entressafra pode aliviar os preços dos alimentos.

3. Política econômica

Decisões do governo e do Banco Central influenciam diretamente o controle inflacionário.

Como o consumidor pode se proteger da inflação?

Diante da alta dos preços, algumas estratégias podem ajudar:

  • Priorizar produtos da estação
  • Comparar preços entre mercados
  • Reduzir consumo de itens mais caros
  • Planejar melhor o orçamento mensal

Pequenas mudanças podem gerar impacto significativo no fim do mês.

Considerações finais

A inflação de abril reforça um cenário de pressão sobre o custo de vida no Brasil, com alimentos e combustíveis liderando as altas. Mesmo dentro da meta, o avanço do IPCA-15 acende um alerta para os próximos meses, especialmente diante das incertezas internacionais.

O comportamento dos preços continuará sendo influenciado por fatores externos e internos, exigindo atenção tanto do governo quanto dos consumidores.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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