A inflação dos serviços de transporte por aplicativo no Brasil teve um salto expressivo em junho de 2025, atingindo 13,77% no mês, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE. Essa é a maior variação mensal desde dezembro de 2024, quando os preços dos aplicativos haviam subido 20,7%.
Corridas por aplicativo ficam 44,5% mais caras em quase três anos, aponta IBGE
Inflação no transporte por aplicativo chega a 13,77% em junho e acumula 44,49% em 12 meses. Veja os motivos por trás da alta!
No acumulado dos últimos 12 meses, a alta chegou a 44,49%, índice superado apenas pelo café moído, que avançou 77,88%. O aumento no preço das corridas impacta diretamente o orçamento das famílias e sinaliza um desafio crescente para a mobilidade urbana, especialmente em grandes centros.
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O que é o IPCA e por que ele importa?
Conceito e importância do IPCA
O IPCA é o índice oficial da inflação no Brasil, calculado pelo IBGE. Ele mede a variação média de preços de uma cesta composta por 377 bens e serviços consumidos pelas famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos.
Entre os itens avaliados estão alimentos, combustíveis, transporte, saúde, educação e habitação. O índice é utilizado pelo Banco Central como principal referência para definir a taxa básica de juros (Selic) e guiar a política monetária.
Transporte por aplicativo ganha protagonismo no índice
Em junho, o transporte por aplicativo foi o segundo item que mais subiu, perdendo apenas para o café. O avanço de 13,77% no mês contribuiu significativamente para o resultado final do IPCA, que fechou o período com variação de 0,41%.
Por que as corridas ficaram mais caras?
A influência da tarifa dinâmica e da demanda
Segundo o IBGE, diversos fatores explicam o aumento. Um dos principais é o mecanismo de tarifa dinâmica, que eleva os preços conforme aumenta a procura. Em junho, o calendário de feriados, férias escolares e eventos regionais contribuiu para o aumento da demanda.
Redução na oferta de motoristas
Pesquisadores do Ipea e da FGV apontam outro fator: a diminuição do número de motoristas disponíveis em determinadas regiões. Com a recuperação do mercado de trabalho formal, muitos profissionais deixaram as plataformas para retomar empregos com carteira assinada ou outras atividades.
Crescimento da demanda e efeito na inflação
Segundo o economista André Braz, do FGV Ibre, o transporte por aplicativo é altamente sensível à demanda. “Quando mais gente procura o serviço, os preços sobem. Isso se dá por uma lógica de mercado: oferta e procura. Em momentos de maior movimentação, como junho, os preços tendem a subir muito”, explicou.
Variação nas capitais: onde ficou mais caro?

Capitais com maiores altas
De acordo com o IPCA, todas as 13 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas registraram aumento no custo das corridas. As maiores variações ocorreram em:
- Porto Alegre: 17,03%
- São Paulo: 16,29%
- Brasília: 15,70%
Capitais com menores variações
Por outro lado, os menores aumentos foram verificados em:
- Rio de Janeiro: 9,10%
- Belo Horizonte: 10,40%
- Recife: 11,20%
Ainda assim, mesmo as regiões com menor variação registraram inflação acima da média geral do IPCA, evidenciando que o aumento foi generalizado.
Inflação acumulada de 12 meses: impacto profundo
Em termos anuais, a inflação do transporte por aplicativo saltou de 23,43% para 44,49%, maior patamar desde julho de 2022, quando chegou a 49,78%.
Entre as capitais, os maiores acúmulos no período foram:
- Brasília: 62,14%
- São Paulo: 55,63%
- Salvador: 50,12%
O que dizem as plataformas e associações?
Amobitec explica variação de preços
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Uber e 99, afirmou que o preço das corridas é resultado de uma combinação de fatores:
- Tempo e distância do trajeto
- Categoria do veículo
- Nível de demanda no local e horário
- Estratégias comerciais de cada plataforma
A entidade disse ainda desconhecer a metodologia específica do IPCA na coleta de dados de preços, mas reforçou que o setor busca manter equilíbrio entre motoristas e usuários.
Estratégias comerciais e impacto no consumidor
A Amobitec também afirmou que cada plataforma adota estratégias específicas para manter a competitividade. Isso significa que, mesmo com a alta geral nos preços, o comportamento pode variar entre cidades e regiões.
IPCA-15 de julho indica continuidade da alta
O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, mostrou nova alta no transporte por aplicativo: 14,55% apenas em julho. Trata-se da maior variação desde novembro de 2021.
Com isso, o serviço acumula inflação de 20,61% nos últimos 12 meses no IPCA-15, indicando que o cenário de aumento nos preços pode persistir nos próximos meses.
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Custos também aumentam para motoristas
Inflação dos insumos do setor
O aumento dos preços não impacta apenas os usuários. Motoristas de aplicativos também estão pagando mais caro para operar, o que pode reduzir a atratividade da atividade. Veja a variação nos principais custos:
- Aluguel de veículo: +16,13%
- Etanol: +11,21%
- Conserto de automóvel: +10,15%
- Seguro do carro: +9,21%
- Gasolina: +6,6%
Esses aumentos pressionam as margens dos motoristas e, em muitos casos, são repassados aos usuários em forma de tarifas mais altas.
Oferta de motoristas cresceu, mas não é suficiente
De acordo com levantamento da Amobitec em parceria com o Cebrap, o número de motoristas de app cresceu 35% entre 2022 e 2024, passando de 1,3 milhão para 1,7 milhão.
Ainda assim, a alta na demanda por viagens em determinadas datas e horários tem superado esse aumento na oferta, contribuindo para a inflação do serviço.
Mobilidade urbana em xeque
Impactos sociais da alta no transporte
Com preços em disparada, o transporte por aplicativo deixa de ser uma opção acessível para muitas famílias, principalmente nas periferias dos grandes centros urbanos.
Para especialistas em mobilidade, esse cenário pode aumentar a dependência de meios coletivos e sobrecarregar ainda mais sistemas públicos como ônibus e metrô.
Alternativas em debate
Governos municipais têm discutido a criação de subsídios ou regulamentações que limitem o impacto da inflação nesse tipo de transporte. Entre as propostas:
- Criação de tarifas sociais em determinados horários
- Incentivo ao uso de aplicativos locais com preços fixos
- Expansão de modais alternativos, como bicicletas e patinetes elétricos
Perspectivas para os próximos meses

Segundo o IBGE, os dados completos de julho ainda serão divulgados, mas os sinais do IPCA-15 indicam que o cenário de alta nos preços do transporte por aplicativo deve continuar.
A tendência, segundo economistas, é que a inflação se mantenha pressionada enquanto a demanda seguir aquecida e a oferta de motoristas não acompanhar esse crescimento.
Imagem: rafapress / Shutterstock.com
