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Informalidade recua e aumenta participação do emprego formal

Informalidade cai para 37,5% e renda média chega a R$ 3.652, maior da série histórica, segundo dados recentes do IBGE.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O mercado de trabalho brasileiro iniciou 2026 com sinais positivos de mudança estrutural. Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que a taxa de informalidade no país caiu para 37,5% no trimestre encerrado entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.

O índice representa cerca de 38,5 milhões de trabalhadores em situação informal e marca o menor nível desde julho de 2020, indicando uma melhora gradual na qualidade das ocupações no país.

Além da redução da informalidade, outro dado chama atenção: o rendimento médio real dos trabalhadores atingiu R$ 3.652, o maior valor já registrado na série histórica da pesquisa.

Os números sugerem uma recomposição mais equilibrada do mercado de trabalho, com avanço da formalização e crescimento do trabalho autônomo com registro empresarial.

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O que significa a queda da informalidade

A informalidade reúne trabalhadores que exercem atividades sem vínculo formal ou proteção trabalhista. Nesse grupo estão:

  • trabalhadores sem carteira assinada
  • trabalhadores domésticos sem registro
  • trabalhadores por conta própria sem CNPJ
  • auxiliares familiares sem remuneração formal

Quando esse índice diminui, significa que mais pessoas estão ingressando em formas de trabalho com maior proteção e estabilidade.

Segundo o IBGE, a taxa de informalidade vinha em trajetória de queda desde 2022, mas o movimento ganhou força a partir de 2023.

Para comparação:

  • novembro/2025 a janeiro/2026: 37,5%
  • trimestre anterior: 37,8%
  • mesmo período de 2025: 38,4%

Embora a diferença pareça pequena, ela representa milhões de trabalhadores migrando para ocupações mais estruturadas.

Por que a informalidade está diminuindo

Especialistas apontam alguns fatores que ajudam a explicar essa mudança no mercado de trabalho brasileiro.

Crescimento do emprego com carteira assinada

Um dos principais fatores foi a expansão do emprego formal no setor privado.

De acordo com a Pnad Contínua, o número de trabalhadores com carteira assinada chegou a 39,4 milhões, excluindo empregados domésticos.

O total permaneceu estável no trimestre, mas apresentou crescimento de 2,1% em relação ao ano anterior, o que representa cerca de 800 mil novos vínculos formais.

Aumento do trabalho por conta própria com CNPJ

Outro fator importante é o crescimento do número de trabalhadores autônomos formalizados.

O contingente de trabalhadores por conta própria atingiu 26,2 milhões de pessoas, com aumento de 3,7% na comparação anual, equivalente a cerca de 927 mil novos profissionais nessa condição.

Grande parte desse avanço ocorre com a formalização por meio do microempreendedor individual (MEI), que permite emitir nota fiscal e acessar benefícios previdenciários.

Redução de trabalhadores domésticos

O número de trabalhadores domésticos também apresentou mudança na estrutura.

O país registrou 5,5 milhões de trabalhadores domésticos, com estabilidade no trimestre, mas queda de 4,5% no acumulado anual.

Essa redução também influencia a taxa geral de informalidade, já que esse segmento historicamente apresenta alto índice de vínculos sem registro.

Rendimento médio do trabalhador bate recorde

Outro destaque da pesquisa é o aumento da renda média dos brasileiros.

Segundo o IBGE, o rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.652, o maior valor já registrado pela série histórica.

O crescimento foi de:

  • 2,8% no trimestre
  • 5,4% na comparação anual

Esse aumento está diretamente relacionado à melhora na composição do mercado de trabalho, com maior participação de empregos formais e atividades mais qualificadas.

Empregos formais costumam oferecer salários maiores, benefícios e maior estabilidade, o que ajuda a elevar a média de rendimento nacional.

Setores da economia que mais geraram empregos

A Pnad Contínua também mostra que alguns setores se destacaram na geração de ocupação no período.

Informação, comunicação e serviços profissionais

O grupo que reúne atividades de tecnologia, comunicação e serviços profissionais apresentou crescimento de 2,8% na ocupação, o que representa cerca de 365 mil novos trabalhadores.

Esse avanço reflete o crescimento de áreas ligadas à economia digital e aos serviços especializados.

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Outros serviços

Outro setor com destaque foi o de outros serviços, que registrou aumento de 3,5% na ocupação, com acréscimo aproximado de 185 mil trabalhadores.

Esse grupo inclui atividades como serviços pessoais, manutenção e outras ocupações de apoio à economia urbana.

Administração pública, educação e saúde

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, também houve expansão em setores como:

  • administração pública
  • educação
  • saúde
  • serviços sociais

Essas áreas têm forte presença de empregos formais e contribuíram para melhorar a qualidade geral do mercado de trabalho.

Setores que perderam postos de trabalho

Nem todos os segmentos apresentaram crescimento.

A indústria geral registrou retração de 2,3% no número de ocupados, o que representa cerca de 305 mil postos de trabalho a menos no trimestre.

Esse movimento pode refletir fatores como:

  • desaceleração de algumas cadeias produtivas
  • aumento da automação industrial
  • reorganização da produção em determinados setores

Apesar da queda, a indústria continua sendo um dos pilares do emprego formal no país.

O que esses dados indicam para a economia brasileira

A redução da informalidade e o aumento da renda média indicam uma melhora gradual na qualidade do emprego no Brasil.

Entre os impactos positivos estão:

  • maior arrecadação previdenciária
  • aumento do consumo das famílias
  • maior estabilidade financeira para trabalhadores
  • expansão do crédito e da atividade econômica

Quando mais trabalhadores têm renda estável e vínculo formal, o sistema econômico tende a se tornar mais previsível e sustentável.

Ainda assim, especialistas alertam que o país ainda possui quase 40 milhões de trabalhadores informais, o que mostra que a formalização continua sendo um desafio estrutural.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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