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Descontos indevidos: 3 milhões de aposentados já registraram queixa

Quase 3 milhões de aposentados e pensionistas do INSS denunciaram descontos não autorizados em seus benefícios. Saiba mais!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
STF

Quase 3 milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já denunciaram descontos não autorizados em seus benefícios. As reclamações envolvem cobranças feitas por entidades associativas, que, segundo os beneficiários, nunca foram consentidas. O dado foi divulgado pelo Ministério da Previdência Social na última sexta-feira (6), reforçando um cenário de desinformação e prejuízo para uma das populações mais vulneráveis do país.

A estimativa é de que cerca de R$ 6,3 bilhões tenham sido descontados de maneira indevida entre os anos de 2019 e 2024. Agora, o governo promete ações para ressarcir os prejudicados até o fim deste ano, incluindo a responsabilização das entidades envolvidas.

Entidades são contestadas em massa

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Imagem: Freepik e Canva

Atualmente, 42 entidades possuem acordo de cooperação com o INSS para realizar descontos diretamente nos benefícios dos segurados. Segundo o levantamento divulgado, todas essas entidades foram alvos de contestação por parte dos beneficiários.

Leia mais: Tem como pedir aposentadoria no INSS sem nunca ter contribuído? Entenda

Muitos dos segurados relataram não terem conhecimento de que estavam associados a qualquer entidade. Em diversos casos, os valores começam a ser descontados sem aviso prévio e os canais para cancelamento são burocráticos ou ineficazes. Para piorar, as informações sobre os descontos aparecem sob nomes genéricos nos extratos de pagamento, dificultando a identificação das cobranças indevidas.

Governo promete ressarcimento

Diante da repercussão do caso, a Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que o governo federal irá ressarcir os valores indevidamente descontados dos beneficiários. A expectativa é que os pagamentos sejam realizados em fases, conforme a validação das queixas e a apuração de responsabilidades.

O governo estuda ainda ações judiciais contra as entidades envolvidas, para recuperar os valores pagos indevidamente e coibir a repetição dessas práticas.

Como verificar se houve desconto indevido

A forma mais prática para o segurado verificar se há descontos indevidos em seu benefício é por meio do aplicativo Meu INSS. Veja o passo a passo:

Passo a passo:

  1. Acesse o aplicativo ou site do Meu INSS.
  2. No menu, clique em “Extrato de Pagamento”.
  3. Analise o detalhamento de descontos na folha de pagamento.

Correios reforçam atendimento presencial

Desde o final de maio, cerca de 4.700 agências dos Correios passaram a oferecer atendimento presencial para aposentados e pensionistas que têm dificuldade com o uso de ferramentas digitais. A iniciativa tem como objetivo ampliar o acesso às informações e facilitar o processo de contestação dos descontos.

O atendimento funciona em parceria com o Ministério da Previdência Social e permite que os beneficiários consultem extratos, formalizem reclamações e solicitem cancelamento de descontos.

O que dizem as entidades envolvidas

Posicionamentos ainda são escassos

Até o momento, poucas entidades se manifestaram publicamente sobre as denúncias. Em geral, as organizações alegam que os descontos foram autorizados pelos segurados no momento de filiação. No entanto, muitos aposentados afirmam nunca ter feito qualquer filiação ou mesmo tido contato com representantes dessas instituições.

Falta de fiscalização contribuiu para o problema

Especialistas apontam que a falta de fiscalização eficiente por parte do INSS ao longo dos últimos anos contribuiu para que o problema ganhasse grandes proporções. As entidades com acordos firmados tinham autonomia para realizar os descontos após uma suposta autorização, muitas vezes feita por meio de ligações telefônicas não gravadas ou formulários genéricos.

O impacto financeiro sobre os aposentados

Embora o valor de cada desconto mensal varie entre R$ 10 e R$ 50, a cobrança contínua ao longo dos anos representa um grande prejuízo para os aposentados. Em alguns casos, o total perdido ultrapassa R$ 3 mil por beneficiário, o que é especialmente grave considerando que a maioria dos segurados vive com salários mínimos.

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Medidas preventivas: como se proteger

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Fique atento ao extrato mensal

A principal medida de prevenção é acompanhar mensalmente o extrato de pagamento do benefício. Caso surja qualquer desconto desconhecido, o ideal é agir rapidamente para impedir que o prejuízo se prolongue.

Evite fornecer dados pessoais sem segurança

Muitos aposentados podem ser alvos de assédio comercial ou golpes, especialmente por telefone. Por isso, recomenda-se não fornecer dados pessoais ou bancários a desconhecidos e evitar aceitar propostas de “associação” feitas por canais informais.

FAQ

Como sei se estão descontando algo do meu benefício sem autorização?

Você pode consultar seu extrato no aplicativo Meu INSS ou pelo site. Verifique a seção “Descontos” e analise se há algum valor não reconhecido.

O que devo fazer se encontrar um desconto não autorizado?

É necessário registrar uma contestação pelo Meu INSS, site ou telefone 135. Também é possível fazer isso presencialmente nos Correios.

Considerações finais

A denúncia de descontos indevidos no INSS escancara uma grave falha na proteção dos aposentados e pensionistas brasileiros. Com quase 3 milhões de queixas registradas, o problema afeta diretamente a renda de quem mais depende dela. O comprometimento do governo em ressarcir os valores é um avanço, mas o caso reforça a importância da transparência, fiscalização e educação digital para prevenir que situações semelhantes se repitam.

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Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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