Nos últimos anos, doenças relacionadas à saúde mental como burnout, ansiedade e depressão têm se tornado cada vez mais comuns entre trabalhadores brasileiros. Pressão constante por resultados, jornadas excessivas e falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional são fatores que contribuem para o aumento desses transtornos.
INSS pode conceder benefício para quem tem burnout, ansiedade ou depressão? Saiba como funciona
Nos últimos anos, doenças relacionadas à saúde mental como burnout, ansiedade e depressão têm se tornado cada vez mais comuns entre trabalhadores brasileiros. P
Diante desse cenário, muitos profissionais têm dúvidas: é possível se afastar pelo INSS por problemas emocionais? A resposta é sim. Quando o quadro clínico compromete a capacidade de trabalho, o segurado pode solicitar auxílio-doença ou, em casos extremos, até aposentadoria por invalidez.
Neste artigo, explicamos como funciona o processo, quem tem direito, quais documentos apresentar e como buscar apoio para cuidar da saúde mental.
Leia mais:
Burnout: o que é e como se proteger dessa doença cada vez mais comum
O que é burnout, ansiedade e depressão?

Antes de entender os direitos no INSS, é importante saber o que são esses transtornos.
Burnout: quando o trabalho adoece
O burnout é uma síndrome de esgotamento profissional, reconhecida oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). É provocado pelo estresse crônico no trabalho, que não é bem administrado. Os principais sintomas incluem:
- Exaustão emocional;
- Falta de motivação;
- Irritabilidade;
- Dificuldade de concentração;
- Queda de desempenho.
Ansiedade e depressão: transtornos que vão além do cansaço
A ansiedade se manifesta com preocupação excessiva, tensão constante e sintomas físicos como taquicardia e sudorese. Já a depressão provoca tristeza profunda, perda de interesse em atividades, isolamento social e até pensamentos suicidas.
Esses quadros podem ocorrer de forma isolada ou combinada — e todos podem gerar incapacidade temporária ou permanente para o trabalho, justificando o afastamento com apoio do INSS.
Quando é possível solicitar benefício do INSS?

Requisitos para obter auxílio-doença
O auxílio-doença (atualmente chamado de auxílio por incapacidade temporária) é concedido ao trabalhador que precisa se afastar por mais de 15 dias por motivos de saúde. Para isso, é necessário:
- Estar contribuindo com o INSS (como CLT, MEI ou contribuinte individual);
- Ter no mínimo 12 contribuições mensais (carência);
- Apresentar laudos e atestados médicos comprovando o diagnóstico;
- Passar por perícia médica do INSS.
Importante: nos casos em que o transtorno é relacionado ao trabalho, o benefício pode ser concedido na modalidade acidentária, com isenção da carência.
Aposentadoria por invalidez
Quando o problema de saúde se torna permanente e o segurado é considerado incapaz de exercer qualquer atividade profissional, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez).
Nesse caso, o INSS avalia:
- Se há possibilidade de reabilitação;
- Se a incapacidade é total e definitiva;
- A gravidade do transtorno e seu impacto funcional.
Como funciona o processo de solicitação?
Passo a passo para pedir auxílio-doença
O processo para solicitar o benefício por burnout, ansiedade ou depressão exige atenção a alguns detalhes.
1. Agendamento no Meu INSS
Acesse o site meu.inss.gov.br ou use o aplicativo “Meu INSS” e escolha a opção “Pedir Benefício por Incapacidade”.
2. Envio de documentos médicos
Tenha em mãos:
- Atestados médicos com CID (Código Internacional de Doenças);
- Laudos psicológicos e psiquiátricos;
- Exames laboratoriais ou de imagem (se houver);
- Histórico de tratamentos realizados.
3. Perícia médica
Na data agendada, o segurado será avaliado por um médico perito do INSS. É essa análise que define se haverá concessão do benefício.
4. Resultado e pagamentos
O resultado da perícia pode ser consultado no próprio app. Se aprovado, o valor do benefício será calculado com base na média dos salários de contribuição.
Benefício acidentário e estabilidade

Se for comprovado que o transtorno mental tem origem no trabalho — por exemplo, burnout decorrente de assédio moral ou pressão excessiva — o auxílio pode ser acidentário (B91). Nesse caso, o trabalhador:
- Tem estabilidade de 12 meses após o retorno ao trabalho;
- Recebe o FGTS durante o afastamento;
- Não precisa cumprir carência mínima.
Esse tipo de benefício também pode ser requerido por empregados com carteira assinada, desde que haja comprovação da relação entre doença e ambiente de trabalho.
Como é feito o cálculo do benefício?
O cálculo do valor a receber varia conforme o tipo de benefício e a regra vigente:
Auxílio-doença (por incapacidade temporária)
- Média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994;
- Valor final: 91% dessa média, limitada ao teto do INSS;
- Se for acidentário, não há desconto do tempo mínimo de carência.
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Aposentadoria por incapacidade permanente
- Também leva em conta a média salarial;
- O valor é 60% da média, acrescido de 2% ao ano que exceder 20 anos de contribuição (para homens) ou 15 anos (para mulheres);
- Se for por acidente de trabalho ou doença grave, o valor pode chegar a 100% da média.
Tratamentos recomendados e reabilitação
A importância do tratamento adequado
O afastamento é uma etapa de proteção, mas o tratamento contínuo é essencial para a recuperação da saúde mental.
Acompanhamento psicológico e psiquiátrico
O ideal é que o trabalhador tenha o suporte de uma equipe multidisciplinar, incluindo:
- Psicólogo;
- Psiquiatra;
- Terapeuta ocupacional.
Esses profissionais ajudam na reconstrução da autoconfiança, controle emocional e retorno gradual às atividades.
Mudanças no estilo de vida
Adotar uma rotina mais equilibrada é fundamental. Entre as práticas recomendadas estão:
- Exercícios físicos regulares;
- Alimentação balanceada;
- Sono de qualidade;
- Meditação e técnicas de respiração;
- Redução do uso de telas e redes sociais.
Reabilitação profissional
Nos casos em que o trabalhador não consegue retornar à função anterior, o INSS pode oferecer programas de reabilitação profissional, com capacitação para novas atividades.
O papel da empresa e o apoio institucional
Empresas também são responsáveis
Ambientes de trabalho saudáveis ajudam a prevenir o surgimento ou agravamento de doenças mentais. As empresas devem:
- Oferecer pausas adequadas;
- Incentivar o diálogo aberto sobre saúde emocional;
- Garantir condições seguras e humanas de trabalho;
- Atuar na prevenção de assédio moral ou sobrecarga.
O RH e o SESMT (Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho) devem atuar de forma ativa no acolhimento e suporte aos colaboradores em sofrimento psíquico.
Considerações finais
Burnout, ansiedade e depressão são doenças sérias e reconhecidas como causas válidas de afastamento pelo INSS. Quando diagnosticadas e tratadas corretamente, podem ter recuperação completa. O benefício concedido pelo INSS representa um apoio financeiro e institucional importante nesse processo.
Se você ou alguém que conhece está enfrentando dificuldades emocionais relacionadas ao trabalho, não hesite em procurar ajuda profissional e conhecer seus direitos. A saúde mental é um direito — e a informação é o primeiro passo para preservá-lo.
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