A tendinite, uma inflamação dolorosa e incapacitante nos tendões, é uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil.
Quem sofre com tendinite tem direito a uma aposentadoria no INSS? Entenda
Saiba quais são os benefícios do INSS para quem sofre de tendinite. Veja quem tem direito, como solicitar e os documentos necessários.
Reconhecida pelo INSS como uma doença ocupacional, essa condição pode garantir ao trabalhador o acesso a benefícios previdenciários. Entenda seus direitos e como proceder para garantir o apoio necessário.
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O que é a tendinite e por que ela afasta tantos trabalhadores?

A tendinite é uma inflamação nos tendões, estruturas que ligam os músculos aos ossos. Apesar de poder ocorrer em diversas partes do corpo, é mais comum nos ombros, punhos, cotovelos e mãos — áreas frequentemente utilizadas em movimentos repetitivos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 a cada 100 pessoas sofre com tendinite. A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) alerta que a sobrecarga mecânica causada por movimentos repetitivos, posturas inadequadas e esforços intensos são os principais gatilhos para o desenvolvimento da lesão.
Essa condição é tão recorrente que faz parte do grupo das chamadas LER (Lesões por Esforços Repetitivos), também conhecidas como DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). Em ambientes sem ergonomia adequada, onde as pausas são negligenciadas, a chance de um trabalhador desenvolver tendinite aumenta significativamente.
Tendinite é considerada doença ocupacional?
Sim. A tendinite é oficialmente considerada uma doença ocupacional quando relacionada ao trabalho exercido pelo profissional. Isso significa que, uma vez comprovada a relação entre a atividade laboral e a lesão, o trabalhador passa a ter direitos garantidos pela Previdência Social.
A classificação da doença pode constar na CID-10 M75.1, dependendo da localização e gravidade da inflamação, e deve ser emitida por um médico especialista.
Atividades mais suscetíveis ao desenvolvimento da tendinite
Embora qualquer atividade que envolva esforço repetitivo ou sobrecarga possa causar tendinite, algumas profissões apresentam maior risco devido à natureza das funções desempenhadas. Entre as mais propensas estão:
- Professores: uso constante de quadros, computadores e correções manuais;
- Digitadores, redatores e profissionais de TI: longos períodos diante do computador, sem pausas adequadas;
- Cozinheiros e auxiliares de cozinha: movimentos repetitivos e esforço intenso com braços e punhos;
- Faxineiros e serviços gerais: uso de força e repetição de movimentos com vassouras, panos e equipamentos de limpeza.
Vale lembrar que o risco não está limitado a essas categorias. Qualquer trabalhador exposto a condições inadequadas pode desenvolver a inflamação.
Benefícios do INSS para quem sofre de tendinite
Ao apresentar a incapacidade de continuar exercendo sua atividade profissional por conta da tendinite, o trabalhador segurado do INSS pode ter direito a três principais tipos de benefícios previdenciários:
1. Auxílio-doença (Benefício por Incapacidade Temporária)
É o benefício pago ao segurado que comprovar, por meio de perícia médica, estar temporariamente incapacitado para o trabalho. A incapacidade deve ser superior a 15 dias consecutivos. O INSS exige documentação médica detalhada e, se a tendinite for considerada ocupacional, não há carência mínima exigida.
2. Auxílio-acidente
É concedido quando o trabalhador recupera-se da tendinite, mas fica com sequelas permanentes que reduzem sua capacidade de trabalho. Nesse caso, o auxílio é pago como forma de indenização, cumulativamente ao salário (se o trabalhador retornar às suas funções) ou à aposentadoria.
3. Aposentadoria por invalidez (Aposentadoria por Incapacidade Permanente)
Se a tendinite evoluir a ponto de impedir de forma permanente o exercício de qualquer atividade laborativa, o segurado pode solicitar a aposentadoria por invalidez. A concessão depende da comprovação médica e pericial de que não há possibilidade de reabilitação para outras funções.
Documentos necessários para solicitar o benefício por tendinite
Para garantir o reconhecimento do direito e facilitar a análise do INSS, é necessário apresentar a seguinte documentação:
Documentos pessoais:
- RG, CPF ou CNH;
- Comprovante de residência atualizado.
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Documentação trabalhista:
- Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS);
- Comprovantes de contribuições ao INSS (carnês ou GPS).
Documentos médicos:
- Laudos e atestados médicos atualizados;
- Receituários;
- Exames de imagem (como ultrassonografias e ressonâncias);
- Relatórios detalhados de médico especialista (reumatologista ou ortopedista);
- Classificação Internacional de Doenças (CID) relacionada à tendinite.
É fundamental que os documentos médicos apresentem data, assinatura e carimbo do profissional, além de estarem atualizados.
Como dar entrada no benefício junto ao INSS?

O requerimento pode ser feito por meio do portal Meu INSS, pelo site meu.inss.gov.br ou pelo aplicativo disponível para Android e iOS. Também é possível agendar atendimento presencial em uma agência da Previdência Social.
Durante o processo, o segurado será convocado para uma perícia médica, que avaliará a gravidade da lesão e a necessidade de afastamento ou aposentadoria.
Considerações finais
A tendinite é uma das doenças que mais afetam trabalhadores brasileiros, e seu impacto vai além da dor física. Quando não tratada adequadamente, pode resultar em afastamentos prolongados, perda de renda e limitações permanentes.
Felizmente, o INSS reconhece a gravidade dessa condição e oferece suporte por meio de benefícios específicos. No entanto, o sucesso na solicitação desses direitos depende da organização dos documentos e da comprovação médica da incapacidade.
Se você sofre de tendinite e já percebe prejuízos em sua rotina de trabalho, busque atendimento médico, mantenha seus exames atualizados e conheça seus direitos como segurado da Previdência Social. Em muitos casos, contar com o auxílio de um advogado especializado em direito previdenciário pode ser decisivo para a concessão do benefício.
Imagem: Clínica Corts/Reprodução
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