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Descontos indevidos: INSS vai devolver valores de falecidos a herdeiros

INSS inicia devolução de descontos irregulares a herdeiros de falecidos. Operação Sem Desconto identificou R$ 700 milhões em cobranças.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deu início nesta quarta-feira (13) a um novo processo que permite a devolução de valores cobrados indevidamente de benefícios já encerrados em razão do falecimento dos titulares. A medida é uma resposta direta às revelações da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, que identificou uma fraude generalizada envolvendo entidades e associações que efetuavam cobranças indevidas por meio de filiações falsas.

Segundo o governo federal, o esquema pode ter lesado cerca de 800 mil segurados, acumulando um prejuízo estimado em R$ 700 milhões, cujas vítimas já haviam falecido quando os descontos foram aplicados. Agora, herdeiros e pensionistas poderão entrar com pedido de ressarcimento diretamente junto ao INSS, em um processo que promete trazer reparação histórica para famílias afetadas por esse golpe silencioso.

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A operação foi conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério da Previdência Social e o próprio INSS. O esquema consistia na inclusão fraudulenta de beneficiários em entidades sindicais ou associativas sem o conhecimento ou autorização dos mesmos, o que resultava em descontos mensais sistemáticos nos contracheques.

As investigações revelaram que milhões de reais estavam sendo desviados para contas de entidades fantasmas ou utilizadas de forma fraudulenta. A descoberta de que 98% dos beneficiários não reconheciam os débitos acelerou as ações para o estorno dos valores e para o desmantelamento das práticas ilegais.

Devolução dos valores: quem tem direito?

A medida do INSS contempla dois perfis distintos: pensionistas de beneficiários falecidos e herdeiros legais de pessoas que não deixaram pensão. O objetivo é permitir que ambas as categorias recuperem valores indevidamente descontados dos benefícios de seus entes falecidos, desde que comprovem vínculo e a existência dos descontos.

Para pensionistas

No caso dos benefícios que se transformaram em pensões por morte, o titular atual da pensão poderá pedir a devolução dos valores descontados de forma indevida do benefício original. O ressarcimento será dividido entre todos os pensionistas vinculados ao mesmo número de benefício.

Canais de solicitação

O pedido poderá ser feito por:

  • Meu INSS (aplicativo ou site)
  • Telefone 135
  • PrevBarco (serviço móvel do INSS)
  • Agências dos Correios credenciadas

Para herdeiros

Quando o beneficiário não deixou pensão por morte, o processo exige um passo adicional: o reconhecimento oficial do solicitante como herdeiro legal. Após essa etapa, será possível solicitar a devolução dos valores.

Etapa 1 – Reconhecimento como herdeiro

O processo começa com a análise de documentos para confirmar a legitimidade do solicitante:

  1. Acesse a área “Consultar Descontos de Entidades Associativas” no site do INSS.
  2. Clique em “Consultar Descontos – Benefício de Pessoa Falecida – para o Sucessor ou Herdeiro”.
  3. Selecione “Pedir Análise”.
  4. Envie os seguintes documentos:
    • Escritura pública de inventário ou alvará judicial
    • Documento de identificação com foto
    • Comprovante de endereço atualizado

A Central 135 também está disponível para esclarecimentos e acompanhamento do processo.

Etapa 2 – Solicitação de devolução

Após o reconhecimento da condição de herdeiro, o interessado deve:

  1. Acessar novamente o Meu INSS ou ligar para o 135.
  2. Buscar pelo protocolo “Cadastrar Sucessor/Herdeiro – Descontos de Entidades Associativas”.
  3. Clicar em “Consultar Descontos de Entidades Associativas”.
  4. Marcar os descontos indevidos e enviar a declaração de não autorização.

Valores já devolvidos e projeção do impacto

Desde que os casos vieram à tona em abril, o INSS já realizou devoluções no valor de R$ 2,5 bilhões, beneficiando aproximadamente 3,75 milhões de aposentados e pensionistas. Com a inclusão dos herdeiros na nova fase do programa, espera-se que o total de restituições alcance R$ 3,2 bilhões até o início de 2026.

Além disso, a prorrogação do prazo para contestação até fevereiro de 2026 demonstra o esforço do governo em garantir que todas as vítimas, inclusive os familiares dos falecidos, tenham acesso ao ressarcimento.

Reações do governo e medidas de controle

O Ministério da Previdência Social, liderado por Carlos Lupi, classificou o caso como um “estelionato institucionalizado”, fruto da falta de controle sobre as autorizações de descontos por entidades associativas. Em resposta, o governo federal anunciou uma série de medidas:

  • Revisão de todos os convênios com entidades de classe
  • Implantação de um sistema mais rigoroso de validação de autorizações
  • Suspensão de descontos automáticos sem prova de consentimento prévio
  • Criação de um canal específico para denúncias e contestação online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre o caso, afirmando que “ninguém será deixado para trás” e que o governo “está do lado dos aposentados, dos pensionistas e de suas famílias”.

Como saber se há valores a serem devolvidos

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Pensionistas e herdeiros que desconfiarem de possíveis descontos indevidos devem:

  1. Acessar o portal Meu INSS com CPF e senha.
  2. Verificar o histórico de descontos em contracheque.
  3. Conferir a presença de descontos por entidades que não reconhecem.
  4. Em caso positivo, seguir os passos de contestação ou solicitação de devolução.

O próprio sistema disponibiliza um extrato detalhado, com nome da entidade, valor e período da cobrança.

Especialistas orientam: atenção aos prazos e à documentação

Advogados previdenciaristas e defensores públicos têm alertado a população para que não deixe o prazo se encerrar sem buscar seus direitos. Segundo o defensor Antônio Ribeiro, “basta um documento mal preenchido ou uma data fora do prazo para impedir o ressarcimento”.

Ele recomenda:

  • Conferir toda a documentação exigida com antecedência
  • Utilizar preferencialmente o aplicativo Meu INSS, que agiliza a tramitação
  • Guardar protocolos de atendimento e comprovantes de envio

Impactos sociais e financeiros da medida

A liberação da devolução para herdeiros representa um avanço importante na reparação de danos históricos sofridos por milhares de famílias. Além do impacto emocional de ver um ente querido lesado mesmo após a morte, muitas dessas famílias enfrentam dificuldades financeiras severas.

Para Maria do Carmo, aposentada e mãe de três filhos, cujo marido teve descontos não autorizados por dois anos antes de falecer, a medida representa justiça. “Esse dinheiro faz falta até hoje. Estamos aliviados por finalmente poder buscar o que é nosso por direito”, relata.

Economistas estimam que a devolução terá um efeito multiplicador no consumo das famílias de baixa renda, além de reforçar a confiança da população nas instituições públicas.

O que ainda falta ser definido

Apesar do avanço, o INSS ainda não detalhou todos os pontos do procedimento. Espera-se para esta sexta-feira (14) a publicação oficial da portaria com os seguintes itens:

  • Valor mínimo e máximo por devolução
  • Prazo para análise dos pedidos
  • Forma de pagamento (TED, PIX, crédito em conta do herdeiro)
  • Recursos possíveis em caso de indeferimento

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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