O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, anunciou que o governo utilizará os bens apreendidos em um dos maiores esquemas de fraude da história da instituição para ressarcir aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos.
Governo vai usar bens apreendidos para ressarcimento de fraudes no INSS
O governo vai usar bens apreendidos no esquema de fraudes do INSS para ressarcir aposentados e pensionistas.
A ação decorre da Operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal (PF), que prendeu suspeitos e bloqueou bens avaliados em bilhões de reais.
Esquema de fraude no INSS

O escândalo, revelado pelo portal Metrópoles a partir de dezembro de 2023, revelou que associações privadas vinculadas ao INSS aplicavam descontos indevidos sobre aposentados e pensionistas.
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Crescimento das arrecadações irregulares
Em apenas um ano, as entidades envolvidas movimentaram cerca de R$ 2 bilhões, enquanto enfrentavam milhares de processos judiciais por fraudes na captação de filiados. As reportagens do Metrópoles foram fundamentais para a abertura de inquéritos pela Polícia Federal e para o aprofundamento das apurações da Controladoria-Geral da União (CGU).
Medidas da Justiça e bloqueios de bens
Desde a revelação do esquema, a Justiça bloqueou aproximadamente R$ 2,8 bilhões em bens e valores dos envolvidos. Waller afirmou que o objetivo é que 100% do ressarcimento seja coberto pelos recursos oriundos dos responsáveis pelas fraudes.
Prisões e mandados da Operação Sem Desconto
Na última sexta-feira (12/9), a Polícia Federal prendeu Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema.
Suspeitos e perfis
- Antonio Carlos Camilo Antunes: lobista e operador de call centers que captavam associados para as entidades, recebendo 27,5% sobre descontos de novos filiados.
- Maurício Camisotti: empresário suspeito de integrar o esquema de descontos indevidos sobre aposentados.
Bens apreendidos
Durante a operação, a PF apreendeu diversos itens de alto valor:
- Ferrari vermelha
- Réplica de carro de Fórmula 1
- Quadros de arte
- Vinhos raros
- Malas de luxo
Funcionamento do esquema
Segundo investigações, Antunes atuava em nome de pelo menos oito entidades, manipulando contratos e pagamentos irregulares. Ele é suspeito de corromper ex-diretores e o ex-procurador-geral do INSS, inclusive por meio de transferências de veículos de luxo a parentes.
Lavagem de dinheiro
Além das fraudes no INSS, há indícios de lavagem de dinheiro envolvendo movimentações milionárias no Brasil e no exterior, em operações que ainda estão sendo investigadas pela Polícia Federal.
Ressarcimento aos aposentados e pensionistas
O governo pretende usar os bens bloqueados para devolver aos beneficiários o valor integral dos descontos indevidos.
Estratégia de bloqueio e recuperação
A Advocacia-Geral da União (AGU) foi acionada para garantir medidas cautelares sobre os bens apreendidos, assegurando que os recursos revertam integralmente para o erário.
| Medida | Valor bloqueado | Observação |
|---|---|---|
| Bloqueio de contas e imóveis | R$ 2,8 bilhões | Determinação judicial |
| Apreensão de veículos e bens de luxo | N/D | Inclui Ferrari, réplica de Fórmula 1, quadros e vinhos |
| Ressarcimento aos aposentados | Parcial | Valor integral será pago conforme recursos recuperados |
Repercussão política e institucional
A Operação Sem Desconto levou à demissão do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi. Além disso, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes teve reuniões canceladas devido à prisão de Antunes, que optou por não comparecer à comissão.
Impacto para o INSS
O esquema evidencia vulnerabilidades no controle de entidades e associações que lidam com aposentados e pensionistas. O caso deve gerar mudanças em normas internas e fiscalização para prevenir novos abusos.
Investigação da Polícia Federal
A PF analisou 38 reportagens do Metrópoles como base para representar a abertura da Operação Sem Desconto, mostrando a força do jornalismo investigativo na exposição de crimes contra o sistema previdenciário.
Mandados e ações
- Prisões de suspeitos
- Bloqueio de bens e valores
- Coleta de documentos e provas em empresas e residências
- Avaliação de obras de arte, veículos e itens de luxo para ressarcimento
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Consequências legais para os envolvidos
Os suspeitos podem responder por:
- Fraude contra aposentados e pensionistas
- Lavagem de dinheiro
- Corrupção de servidores públicos
- Associação criminosa
A legislação prevê pena de prisão, multa e ressarcimento integral aos prejudicados.
Perspectivas para beneficiários do INSS

Especialistas afirmam que o ressarcimento integral dependerá da efetiva liquidação dos bens apreendidos e das medidas judiciais em andamento. O objetivo é que todos os descontos indevidos sejam devolvidos aos aposentados e pensionistas afetados.
FAQ – Perguntas frequentes
Quem será ressarcido pelos descontos indevidos?
Aposentados e pensionistas do INSS que tiveram valores cobrados de forma irregular pelas entidades envolvidas no esquema.
Como o governo vai recuperar o dinheiro?
Por meio do bloqueio de bens e valores apreendidos dos responsáveis pelas fraudes e da atuação da AGU.
Quais bens foram apreendidos?
Veículos de luxo, réplicas de Fórmula 1, quadros de arte, vinhos e outros itens de alto valor.
Quem é o “Careca do INSS”?
Antonio Carlos Camilo Antunes, lobista e principal operador do esquema, dono de call centers que captavam associados das entidades.
Há risco de novos golpes semelhantes?
O caso evidencia falhas de fiscalização, mas medidas de controle e auditoria devem ser reforçadas para evitar novos esquemas.
Qual o valor já bloqueado pela Justiça?
Cerca de R$ 2,8 bilhões em bens e valores dos envolvidos.
A CPMI continuará investigando?
Sim, apesar de reuniões canceladas, a comissão mantém a apuração das fraudes e a responsabilização dos envolvidos.
Considerações finais
Para especialistas, o episódio pode marcar um ponto de virada no combate a fraudes previdenciárias, com a união de esforços entre órgãos de controle, Justiça e sociedade civil. No entanto, a confiança dos beneficiários no sistema só será plenamente restabelecida quando houver não apenas ressarcimento, mas também responsabilização efetiva dos envolvidos e prevenção rigorosa contra novos esquemas.
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