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Benefícios do INSS entram em lista de alto risco do TCU por problemas na gestão

TCU mantém benefícios do INSS na Lista de Alto Risco em 2026. Entenda os problemas apontados e o que isso significa para os segurados.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
Benefícios do INSS entram em lista de alto risco do TCU por problemas na gestão

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu manter a concessão e o pagamento de benefícios previdenciários do INSS na Lista de Alto Risco da Administração Pública Federal. A decisão foi tomada em 19 de agosto de 2026, após nova avaliação sobre atrasos na análise de pedidos e possíveis indeferimentos indevidos.

A permanência na lista ocorre mesmo depois de uma redução expressiva no estoque de requerimentos. Para o TCU, os avanços obtidos pelo governo ainda não resolveram problemas estruturais relacionados à tecnologia, automação e capacidade operacional do instituto.

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(Foto: Divulgação)

Por que o INSS continua na Lista de Alto Risco?

A Lista de Alto Risco é utilizada pelo TCU para acompanhar áreas da administração federal que apresentam problemas capazes de comprometer a qualidade dos serviços públicos ou a efetividade das políticas governamentais. A lista funciona como um mecanismo de monitoramento, e a presença de determinado tema não significa que todo o sistema esteja irregular.

No caso do INSS, os principais riscos estão relacionados a dois pontos: demora na concessão de benefícios e indeferimento de pedidos de segurados que, em tese, poderiam preencher os requisitos para receber o benefício.

Na fiscalização mais recente, o TCU analisou o período de junho de 2024 a maio de 2026. Nesse intervalo, o fluxo recebeu aproximadamente 950 mil requerimentos por mês, totalizando cerca de 22,8 milhões de solicitações, incluindo pedidos relacionados a benefícios por incapacidade.

Fila diminuiu, mas problemas ainda permanecem

A redução da fila é um dos principais avanços reconhecidos pelo governo. Em junho de 2026, por exemplo, o INSS informou que havia 1,8 milhão de requerimentos no estoque, sendo 555 mil aguardando há mais de 45 dias. Naquele momento, o tempo médio para conclusão estava em 50 dias.

O governo também adotou medidas para acelerar as análises, como o Programa de Gerenciamento de Benefícios, mutirões, reforço de servidores, telemedicina e ampliação do uso do Atestmed.

Apesar disso, o TCU entendeu que a melhora quantitativa da fila não é suficiente para afastar todos os riscos.

A Corte destacou que ainda existem pendências estruturais envolvendo tecnologia da informação, automação, capacidade normal de processamento e dependência de programas extraordinários para reduzir o estoque.

Isso significa que uma redução temporária da fila não garante, por si só, que o problema esteja definitivamente solucionado.

Indeferimentos também entraram no radar do TCU

Outro ponto analisado pelo Tribunal é a qualidade das decisões administrativas.

O TCU verificou que o Índice de Conformidade do Reconhecimento de Direitos (ICRD) terminou 2025 em 83,8%, abaixo da meta estabelecida de 90,8%. Por outro lado, as supervisões realizadas pelo Programa de Supervisão Técnica de Benefícios alcançaram 99,9%, acima da meta de 93,9%.

Os dados mostram uma situação que exige atenção: aumentar a velocidade das análises é importante, mas a rapidez não pode ocorrer às custas da qualidade das decisões.

Para o segurado, um indeferimento incorreto pode significar meses adicionais de espera, necessidade de apresentar recurso ou até mesmo recorrer à Justiça para tentar obter o benefício.

O que mudou na fila do INSS em 2026?

A trajetória do estoque mostra uma melhora importante em relação ao início do ano. Segundo dados divulgados pelo governo, o volume de requerimentos chegou a aproximadamente 3,1 milhões em janeiro e posteriormente caiu para patamares significativamente menores.

O próprio INSS vem adotando estratégias para priorizar processos antigos e acelerar o reconhecimento de direitos. Em junho, o instituto informou que realizava, em média, cerca de 700 mil concessões mensais e havia registrado 890 mil concessões em março, um recorde histórico segundo o órgão.

O problema é que a entrada de novos pedidos continua elevada. Por isso, o desafio não é apenas eliminar o estoque existente, mas manter uma capacidade de processamento compatível com a demanda.

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O TCU apontou justamente essa dificuldade ao decidir pela continuidade do tema na Lista de Alto Risco.

O que isso significa para quem espera um benefício?

Para o segurado, a permanência do INSS na lista não significa que seu pedido será automaticamente atrasado ou negado.

O efeito mais importante é institucional: o TCU continuará acompanhando as medidas adotadas pelo governo e os resultados obtidos na redução dos atrasos e na melhoria da qualidade das decisões.

Quem tem um requerimento em andamento deve acompanhar regularmente o processo pelo Meu INSS. A plataforma permite verificar o status do pedido, eventuais exigências, decisões e atualizações.

Se houver uma exigência de documentos, é especialmente importante cumprir o prazo informado pelo instituto. Uma pendência do próprio segurado pode impedir o avanço da análise.

O que fazer se o pedido do INSS estiver demorando?

INSS
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O primeiro passo é consultar o andamento pelo Meu INSS ou pela Central 135. O instituto recomenda que os segurados utilizem os canais oficiais para acompanhar pedidos e buscar informações.

Quando existe demora excessiva, o cidadão também pode registrar uma manifestação na Ouvidoria. Dependendo da situação e do tipo de benefício, pode ainda buscar orientação jurídica para avaliar a possibilidade de recurso administrativo ou medida judicial.

É importante guardar o número do protocolo, comprovantes de envio de documentos, comunicações recebidas e demais registros relacionados ao requerimento.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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