Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

INSS pretende reduzir prazo máximo de afastamento; saiba mais

O INSS estuda reformas no Atestmed, reduzindo o prazo máximo de afastamento para 90 dias e exigindo perícia em casos específicos

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
Afastamento INSS

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) está se preparando para implementar uma série de mudanças significativas no Atestmed, o sistema que permite aos segurados solicitar auxílio-doença sem precisar passar por uma perícia médica presencial. Essas alterações visam combater fraudes e reduzir gastos com benefícios por incapacidade temporária. 

O Atestmed é uma ferramenta digital criada pelo INSS que permite aos segurados solicitar o auxílio-doença enviando a documentação médica por meio do aplicativo ou do site Meu INSS. Esse sistema foi desenvolvido para simplificar o processo de concessão do benefício, evitando a necessidade de comparecimento a uma perícia médica presencial, o que poderia ser um processo moroso e burocrático.

Leia mais: INSS: confira como consultar o resultado da perícia

Propostas de Mudança

Redução do Prazo Máximo de Afastamento

Uma das mudanças mais discutidas é a redução do prazo máximo de afastamento permitido pelo Atestmed. Atualmente, o sistema permite que o auxílio-doença seja concedido por um período de até 180 dias. No entanto, com a nova proposta, esse prazo seria reduzido para 90 dias.

Mão segurando celular que exibe logo INSS.
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Justificativa para a Redução

A decisão de reduzir o prazo tem como objetivo principal reduzir os casos de fraudes e limitar o tempo de concessão do benefício, minimizando os gastos com o auxílio-doença. Segundo técnicos do governo, o prazo médio de afastamento pelo Atestmed é de aproximadamente 70 dias. Dessa forma, a redução do prazo máximo não deve ter um impacto significativo sobre a maioria dos segurados.

Exigência de Perícia em Certos Casos

Outra mudança importante em análise é a obrigatoriedade de perícia médica presencial em casos específicos. Se o afastamento solicitado for superior ao prazo “padrão” para a recuperação da doença, o segurado será automaticamente encaminhado para uma perícia médica.

Exemplo Prático

Por exemplo, se um trabalhador apresenta um atestado para uma fratura que normalmente exige 45 dias de recuperação, mas o atestado propõe um afastamento de 90 dias, o caso será revisado por um perito. Esta medida visa garantir que o tempo de afastamento solicitado seja condizente com a realidade da recuperação necessária.

A Atual Situação do Atestmed

Atualmente, o sistema Atestmed aceita qualquer período de afastamento solicitado, independentemente do tipo de doença ou condição médica. No entanto, a avaliação recente sugere que alguns prazos propostos são excessivos em relação ao tempo estimado para recuperação. Com isso, surgiram críticas e preocupações sobre a possibilidade de fraudes e o aumento dos gastos com o benefício.

Impacto da Redução do Prazo Máximo

A proposta de redução do prazo máximo para 90 dias tem como objetivo principal prevenir abusos e reduzir custos com o auxílio-doença. No entanto, dependendo do perfil do segurado, o prazo máximo pode ser reduzido ainda mais.

Afastamento Menor por Perfil do Segurado

Os trabalhadores que estão em período de carência, autônomos, trabalhadores rurais e contribuintes individuais podem enfrentar prazos máximos reduzidos de 30 a 60 dias, em vez dos 90 dias propostos para a maioria dos segurados. Esse grupo tende a utilizar o aplicativo Atestmed com maior frequência, o que motiva a necessidade de ajustes mais rigorosos para evitar abusos.

Perícia na Renovação do Afastamento

Atualmente, o Atestmed não permite a prorrogação automática do afastamento. Quando o prazo se esgota, o segurado deve apresentar um novo atestado. Com as novas regras, trabalhadores que precisam renovar seu afastamento também podem ser encaminhados para uma perícia médica, o que não acontece no sistema atual.

Índices de Recorrência

Estudos mostram que o índice de recorrência do uso do Atestmed varia conforme o perfil do segurado. Trabalhadores empregados têm uma taxa média de 25% de recorrência, enquanto desempregados chegam a 45%, e autônomos, 20%. Essas taxas elevadas, especialmente entre desempregados, destacam a necessidade de medidas mais rigorosas para garantir a integridade do sistema.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Reações e Críticas

As mudanças propostas têm gerado uma série de reações e críticas. Enquanto algumas opiniões veem as reformas como necessárias para conter abusos e desperdícios, outras argumentam que as medidas podem prejudicar segurados legítimos que realmente necessitam do benefício.

Posições de Especialistas

Especialistas em previdência social e direito do trabalho têm se manifestado sobre o impacto potencial dessas mudanças. Alguns sugerem que a redução dos prazos pode forçar trabalhadores a retornar ao trabalho antes de estarem completamente recuperados, o que pode ter consequências negativas para a saúde a longo prazo.

Expectativas para o Futuro

O INSS pretende anunciar oficialmente as mudanças nos próximos 30 dias. A implementação dessas reformas está sendo acompanhada de perto por segurados, especialistas e representantes sindicais. 

A expectativa é que essas medidas tragam maior eficiência ao sistema e ajudem a controlar os custos com o auxílio-doença, mas também é importante que o processo de reforma seja cuidadosamente monitorado para garantir que não haja impactos negativos inesperados sobre os segurados.

Atestmed INSS
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Considerações Finais

O estudo de mudanças no Atestmed pelo INSS representa uma tentativa significativa de modernizar e aprimorar o sistema de concessão de auxílio-doença. A redução do prazo máximo de afastamento e a introdução de perícias em casos específicos têm o objetivo de combater fraudes e reduzir despesas. 

Contudo, é crucial que essas reformas sejam implementadas de forma equilibrada, garantindo que os segurados legítimos não sejam prejudicados. A medida reflete uma tendência maior de revisão e controle dos benefícios previdenciários, e seu impacto será cuidadosamente monitorado nos próximos meses.

Imagem: Angela_Macario / Shutterstock.com

Pode ser do seu interesse:

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

Topicos relacionados