O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) está se preparando para implementar uma série de mudanças significativas no Atestmed, o sistema que permite aos segurados solicitar auxílio-doença sem precisar passar por uma perícia médica presencial. Essas alterações visam combater fraudes e reduzir gastos com benefícios por incapacidade temporária.
INSS pretende reduzir prazo máximo de afastamento; saiba mais
O INSS estuda reformas no Atestmed, reduzindo o prazo máximo de afastamento para 90 dias e exigindo perícia em casos específicos
O Atestmed é uma ferramenta digital criada pelo INSS que permite aos segurados solicitar o auxílio-doença enviando a documentação médica por meio do aplicativo ou do site Meu INSS. Esse sistema foi desenvolvido para simplificar o processo de concessão do benefício, evitando a necessidade de comparecimento a uma perícia médica presencial, o que poderia ser um processo moroso e burocrático.
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Propostas de Mudança
Redução do Prazo Máximo de Afastamento
Uma das mudanças mais discutidas é a redução do prazo máximo de afastamento permitido pelo Atestmed. Atualmente, o sistema permite que o auxílio-doença seja concedido por um período de até 180 dias. No entanto, com a nova proposta, esse prazo seria reduzido para 90 dias.

Justificativa para a Redução
A decisão de reduzir o prazo tem como objetivo principal reduzir os casos de fraudes e limitar o tempo de concessão do benefício, minimizando os gastos com o auxílio-doença. Segundo técnicos do governo, o prazo médio de afastamento pelo Atestmed é de aproximadamente 70 dias. Dessa forma, a redução do prazo máximo não deve ter um impacto significativo sobre a maioria dos segurados.
Exigência de Perícia em Certos Casos
Outra mudança importante em análise é a obrigatoriedade de perícia médica presencial em casos específicos. Se o afastamento solicitado for superior ao prazo “padrão” para a recuperação da doença, o segurado será automaticamente encaminhado para uma perícia médica.
Exemplo Prático
Por exemplo, se um trabalhador apresenta um atestado para uma fratura que normalmente exige 45 dias de recuperação, mas o atestado propõe um afastamento de 90 dias, o caso será revisado por um perito. Esta medida visa garantir que o tempo de afastamento solicitado seja condizente com a realidade da recuperação necessária.
A Atual Situação do Atestmed
Atualmente, o sistema Atestmed aceita qualquer período de afastamento solicitado, independentemente do tipo de doença ou condição médica. No entanto, a avaliação recente sugere que alguns prazos propostos são excessivos em relação ao tempo estimado para recuperação. Com isso, surgiram críticas e preocupações sobre a possibilidade de fraudes e o aumento dos gastos com o benefício.
Impacto da Redução do Prazo Máximo
A proposta de redução do prazo máximo para 90 dias tem como objetivo principal prevenir abusos e reduzir custos com o auxílio-doença. No entanto, dependendo do perfil do segurado, o prazo máximo pode ser reduzido ainda mais.
Afastamento Menor por Perfil do Segurado
Os trabalhadores que estão em período de carência, autônomos, trabalhadores rurais e contribuintes individuais podem enfrentar prazos máximos reduzidos de 30 a 60 dias, em vez dos 90 dias propostos para a maioria dos segurados. Esse grupo tende a utilizar o aplicativo Atestmed com maior frequência, o que motiva a necessidade de ajustes mais rigorosos para evitar abusos.
Perícia na Renovação do Afastamento
Atualmente, o Atestmed não permite a prorrogação automática do afastamento. Quando o prazo se esgota, o segurado deve apresentar um novo atestado. Com as novas regras, trabalhadores que precisam renovar seu afastamento também podem ser encaminhados para uma perícia médica, o que não acontece no sistema atual.
Índices de Recorrência
Estudos mostram que o índice de recorrência do uso do Atestmed varia conforme o perfil do segurado. Trabalhadores empregados têm uma taxa média de 25% de recorrência, enquanto desempregados chegam a 45%, e autônomos, 20%. Essas taxas elevadas, especialmente entre desempregados, destacam a necessidade de medidas mais rigorosas para garantir a integridade do sistema.
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Reações e Críticas
As mudanças propostas têm gerado uma série de reações e críticas. Enquanto algumas opiniões veem as reformas como necessárias para conter abusos e desperdícios, outras argumentam que as medidas podem prejudicar segurados legítimos que realmente necessitam do benefício.
Posições de Especialistas
Especialistas em previdência social e direito do trabalho têm se manifestado sobre o impacto potencial dessas mudanças. Alguns sugerem que a redução dos prazos pode forçar trabalhadores a retornar ao trabalho antes de estarem completamente recuperados, o que pode ter consequências negativas para a saúde a longo prazo.
Expectativas para o Futuro
O INSS pretende anunciar oficialmente as mudanças nos próximos 30 dias. A implementação dessas reformas está sendo acompanhada de perto por segurados, especialistas e representantes sindicais.
A expectativa é que essas medidas tragam maior eficiência ao sistema e ajudem a controlar os custos com o auxílio-doença, mas também é importante que o processo de reforma seja cuidadosamente monitorado para garantir que não haja impactos negativos inesperados sobre os segurados.

Considerações Finais
O estudo de mudanças no Atestmed pelo INSS representa uma tentativa significativa de modernizar e aprimorar o sistema de concessão de auxílio-doença. A redução do prazo máximo de afastamento e a introdução de perícias em casos específicos têm o objetivo de combater fraudes e reduzir despesas.
Contudo, é crucial que essas reformas sejam implementadas de forma equilibrada, garantindo que os segurados legítimos não sejam prejudicados. A medida reflete uma tendência maior de revisão e controle dos benefícios previdenciários, e seu impacto será cuidadosamente monitorado nos próximos meses.
Imagem: Angela_Macario / Shutterstock.com
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