O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) publicou, nesta semana, quatro suspensões cautelares de novas averbações de empréstimos consignados envolvendo grandes instituições financeiras. As medidas atingem o Banco Inter, o Paraná Banco, a Facta Financeira e a Cobuccio Sociedade de Crédito Direto, que estão temporariamente proibidos de realizar novas operações voltadas a aposentados e pensionistas.
INSS bloqueia novas operações de consignado no Inter e outras instituições financeiras
INSS suspende novos consignados no Inter, Paraná Banco, Facta e Cobuccio após detectar possíveis irregularidades em contratos.
As decisões foram divulgadas no Diário Oficial da União (DOU) e têm como base o descumprimento dos Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados com o Instituto. O órgão destacou que as suspensões têm caráter preventivo, buscando proteger o público mais vulnerável e conter eventuais irregularidades nos contratos de crédito consignado.
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Medida preventiva para proteger beneficiários

Segundo o INSS, as suspensões são necessárias para cessar práticas irregulares e proteger o interesse público até que os processos de apuração sejam concluídos. As irregularidades mencionadas não foram detalhadas nos despachos, mas a medida reforça a vigilância do órgão sobre o setor financeiro, especialmente diante do aumento de denúncias de assédio comercial, fraudes e ofertas enganosas direcionadas aos beneficiários do INSS.
Esses acordos de cooperação são instrumentos firmados entre o Instituto e as instituições financeiras para garantir regras de transparência, segurança e ética na concessão dos empréstimos consignados — modalidade de crédito que tem as parcelas descontadas diretamente do benefício mensal do segurado.
O que dizem os bancos afetados
Banco Inter reage à suspensão
Em nota oficial, o Banco Inter declarou ter sido “surpreendido” pela decisão e afirmou estar em contato direto com o INSS para compreender os motivos da suspensão. A instituição reforçou seu “compromisso com a transparência e o respeito aos clientes”, enfatizando que mantém práticas de conformidade com as normas vigentes.
O Inter, que expandiu sua atuação no crédito consignado nos últimos anos, é uma das fintechs mais relevantes no setor, com forte presença entre aposentados e pensionistas em busca de taxas mais competitivas e serviços digitais simplificados.
Apesar da suspensão, o banco assegura que os contratos já firmados permanecem válidos e que o atendimento aos clientes seguirá normalmente enquanto tenta reverter a decisão.
Outras instituições citadas
Além do Inter, foram atingidos pelo bloqueio:
- Paraná Banco, tradicional operador do segmento de crédito consignado;
- Facta Financeira, que tem forte atuação entre servidores públicos e beneficiários do INSS;
- Cobuccio Sociedade de Crédito Direto, fintech de menor porte, mas com crescente atuação no setor digital de empréstimos.
Nenhuma das três instituições havia se manifestado oficialmente até o fechamento deste artigo, mas fontes ligadas ao mercado afirmam que todas devem apresentar defesa e buscar reverter a medida administrativa nas próximas semanas.
Histórico recente de suspensões no consignado
Esta não é a primeira vez que o INSS aplica bloqueios cautelares contra instituições financeiras por irregularidades no consignado. Na semana passada, o órgão suspendeu o Banco Master, também por conta de um “volume expressivo de reclamações” relacionadas à concessão de crédito para aposentados e pensionistas.
Essas medidas fazem parte de um endurecimento das fiscalizações promovidas pelo INSS e pela Dataprev, após uma série de denúncias envolvendo práticas abusivas, como:
- Ligação insistente para beneficiários sem consentimento;
- Contratações feitas sem autorização do segurado;
- Falta de clareza nas taxas de juros e nos prazos de pagamento;
- Venda casada de produtos financeiros.
O impacto no mercado de crédito consignado

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O bloqueio de novas averbações atinge diretamente o mercado de consignados, que movimenta bilhões de reais anualmente e representa uma das principais fontes de crédito para aposentados. Segundo dados do Banco Central, essa modalidade soma mais de R$ 600 bilhões em carteira ativa, sendo considerada uma das mais seguras para os bancos, justamente porque o pagamento é descontado diretamente da folha do INSS.
Entretanto, o crescimento desordenado do setor e a entrada de novas fintechs elevaram o número de reclamações de consumidores, principalmente ligadas a empréstimos não solicitados e assédio telefônico. O INSS, ao lado do Ministério da Previdência e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vem reforçando as medidas de controle e compliance, exigindo das instituições uma conduta mais rigorosa.
Com as suspensões, os bancos afetados ficam impedidos de registrar novos contratos até que provem regularidade. Ainda assim, operações antigas continuam válidas, e os clientes não precisam refazer seus contratos ou alterar as condições previamente estabelecidas.
O que muda para aposentados e pensionistas
Para os beneficiários, as medidas do INSS não afetam empréstimos já contratados, mas limitam temporariamente novas solicitações junto às instituições suspensas. Quem desejar contratar crédito consignado poderá recorrer a outros bancos e financeiras devidamente habilitados no sistema.
O Instituto reforça que nenhum servidor do INSS realiza ligações ou oferece crédito diretamente e orienta os segurados a evitarem fornecer dados pessoais por telefone. Caso recebam propostas suspeitas, é recomendável registrar denúncia por meio da Ouvidoria do INSS (135) ou do site oficial.
Fiscalização mais rigorosa e proteção ao consumidor
O aumento das suspensões sinaliza uma nova postura de fiscalização do INSS sobre o sistema de crédito consignado. O órgão tem investido em sistemas automatizados de monitoramento, capazes de detectar operações irregulares e evitar fraudes antes mesmo da liberação dos recursos.
Além disso, o governo federal pretende modernizar os Acordos de Cooperação Técnica, impondo novas exigências de transparência digital e rastreabilidade das operações. A expectativa é reduzir as reclamações e garantir mais segurança ao público idoso, principal alvo de golpes e abusos no crédito consignado.
Imagem: Edição Canva Seu Crédito Digital
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