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Consignado travado: INSS veta empréstimos em quatro instituições, saiba quem fica de fora

INSS suspende crédito consignado de cinco instituições por suspeita de irregularidades. Veja os motivos, bancos envolvidos e mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes7 min de leitura
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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) publicou na quinta-feira (16) despachos no Diário Oficial da União suspendendo preventivamente a concessão de novos empréstimos consignados por cinco instituições financeiras. A medida atinge diretamente o Banco Inter, a Facta Financeira, a Cobuccio Sociedade de Crédito, o Paraná Banco e o Banco Master, e foi tomada com o objetivo de proteger o interesse público durante o curso das investigações sobre práticas consideradas irregulares no segmento de crédito para aposentados e pensionistas.

A decisão gerou repercussão no setor financeiro e nos bastidores políticos, especialmente entre os parlamentares que integram a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que já vinha debatendo o aumento das denúncias envolvendo empréstimos fraudulentos, cobranças indevidas e abuso contra idosos.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Medida cautelar e foco na proteção do consumidor

Segundo o INSS, a suspensão tem caráter preventivo e foi necessária diante do volume de reclamações registradas por beneficiários do instituto. A análise técnica apontou que mais de 20% das queixas recebidas referem-se a cobranças indevidas, 8% envolvem dificuldades de cancelamento de empréstimos, e 7% apontam a ausência de informações claras sobre taxas e tarifas.

A autarquia destacou que a medida não afeta contratos já firmados, mas apenas impede temporariamente a contratação de novos empréstimos consignados por essas instituições. A suspensão permanecerá válida até que os fatos sejam apurados em sua totalidade, garantindo o contraditório e o direito de defesa às instituições envolvidas.

Bancos afetados e posicionamentos oficiais

Banco Inter

O Banco Inter afirmou ter sido “surpreendido” com a decisão do INSS e informou que está em contato com o órgão para entender os motivos da suspensão. A instituição assegura que cumpre integralmente as normas aplicáveis ao setor e reafirma seu compromisso com a transparência, o respeito aos aposentados e a conformidade regulatória.

Banco Master

Em nota semelhante, o Banco Master também declarou que foi pego de surpresa pela suspensão e está empenhado em restabelecer as operações o mais breve possível. O banco afirma manter diálogo permanente com o INSS e garantir que todas as suas práticas estão dentro dos padrões exigidos pela legislação.

Facta Financeira

A Facta Financeira afirmou que cumpre rigorosamente as exigências legais e os requisitos dos órgãos reguladores, mas destacou que ainda não teve acesso ao conteúdo dos autos administrativos. A empresa disse estar em contato com o INSS e busca a normalização do serviço de forma ágil.

Paraná Banco

O Paraná Banco, que possui uma significativa carteira de clientes beneficiários do INSS, declarou que tomou conhecimento das razões que motivaram a medida e está prestando os esclarecimentos necessários. A instituição reforçou o seu compromisso com a ética, responsabilidade e transparência.

Cobuccio Sociedade de Crédito

A Cobuccio Sociedade de Crédito, uma instituição de menor porte no setor, não se manifestou até o momento sobre a suspensão. A falta de resposta gerou críticas nas redes sociais por parte de consumidores que alegam ter enfrentado dificuldades em contato com a empresa nos últimos meses.

Febraban se posiciona sobre a decisão

Logo da Febraban
Imagem: Reprodução (portal.febraban.org.br)

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também se pronunciou sobre o caso. Em nota oficial, afirmou estar atenta às condutas dos bancos associados na concessão de crédito consignado vinculado ao INSS.

Segundo a entidade, o acompanhamento próximo dessas operações é fundamental para orientar os bancos com diretrizes claras e promover a autorregulação do setor. A Febraban afirmou que apoia medidas corretivas quando forem identificadas irregularidades, desde que garantido o devido processo legal às instituições envolvidas.

Panorama do crédito consignado e aumento de fraudes

O crédito consignado é uma modalidade de empréstimo com desconto direto em folha, bastante popular entre aposentados e pensionistas devido às taxas de juros mais baixas. No entanto, a combinação entre maior acessibilidade e público vulnerável tem gerado preocupações com práticas abusivas e fraudes sistemáticas.

Nos últimos meses, órgãos de defesa do consumidor, como o Procon e o Ministério Público Federal, relataram um crescimento expressivo nas reclamações relacionadas a empréstimos não autorizados, assédio comercial e dificuldade para cancelamento das operações.

A fragilidade no processo de autenticação e a atuação de intermediários não credenciados estão entre os fatores mais criticados pelas entidades de defesa do idoso e de proteção ao consumidor.

Reflexos no Congresso: CPMI do INSS deve tratar do tema

A CPMI do INSS, que investiga supostas fraudes e irregularidades no âmbito da Previdência Social, pretende incorporar em seus trabalhos uma linha específica sobre crédito consignado, segundo anteciparam parlamentares envolvidos na comissão.

Entre os temas que devem ser aprofundados estão:

  • A atuação de correspondentes bancários terceirizados
  • A fragilidade dos sistemas de controle e autenticação
  • O uso indevido de dados de beneficiários
  • As reclamações de beneficiários sobre empréstimos não autorizados

Deputados e senadores avaliam que é preciso fortalecer a fiscalização e a regulação do crédito consignado, especialmente em um momento em que esse tipo de operação representa uma das principais fontes de endividamento da população idosa no Brasil.

O que acontece com os beneficiários durante a suspensão

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É importante destacar que a suspensão atinge apenas novos contratos. Os beneficiários que já têm empréstimos consignados ativos com as instituições citadas não serão prejudicados, e os valores continuarão a ser descontados normalmente nas folhas de pagamento.

Para os segurados que desejam contratar novos empréstimos, a recomendação é verificar junto ao INSS ou pelo aplicativo Meu INSS quais bancos continuam autorizados a operar a modalidade.

Como verificar se há empréstimos não autorizados

O segurado que desconfia de um empréstimo não contratado pode seguir os seguintes passos:

  1. Consultar o Extrato de Empréstimos Consignados no portal ou aplicativo Meu INSS;
  2. Verificar se há descontos não reconhecidos;
  3. Registrar reclamação diretamente no INSS, pela central 135 ou pelo app;
  4. Formalizar denúncia no Procon local ou Ministério Público, se for o caso.

Caso constatada a fraude, o segurado pode pedir a anulação do contrato, restituição de valores descontados e, eventualmente, indenização por danos morais, dependendo da gravidade da situação.

O que dizem especialistas

Especialistas em direito do consumidor e regulação bancária veem a decisão do INSS como um passo necessário para estancar abusos. Segundo a advogada Lúcia Helena Dias, da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB, o número de ações judiciais envolvendo empréstimos não autorizados aumentou mais de 40% nos últimos dois anos.

“O problema se agravou com a digitalização dos serviços, que facilitou tanto a contratação quanto o vazamento indevido de dados. Muitos idosos assinam contratos sem saber ou são induzidos ao erro”, afirmou.

Para o economista Ricardo Pires, é necessário um esforço conjunto entre INSS, Banco Central e entidades de classe para estabelecer regras mais rigorosas de autenticação, como reconhecimento facial ou validação via biometria, especialmente para aposentados.

Caminhos para o futuro: regulação e educação financeira

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A crise em torno do consignado expõe a necessidade de uma regulação mais firme e de educação financeira massiva voltada ao público idoso. O Governo Federal tem discutido novas medidas para restringir o assédio comercial de bancos e limitar a margem consignável em casos de múltiplos empréstimos simultâneos.

Além disso, o Banco Central estuda novas regras para certificação de correspondentes bancários, exigindo cursos de capacitação, supervisão mais rígida e penalidades severas em caso de reincidência.

Enquanto isso, aposentados e pensionistas seguem sendo os principais alvos de fraudes e abusos, o que exige vigilância constante dos órgãos públicos e atenção redobrada por parte dos segurados.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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