A Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP) acendeu o alerta para um problema recorrente que afeta diretamente milhões de brasileiros: a instabilidade crônica dos sistemas mantidos pela Dataprev, responsável por processar dados e serviços da Previdência Social.
Perícias suspensas de novo! Falhas da Dataprev suspende atendimento do INSS e peritos exigem mudanças
ANMP denuncia falhas recorrentes na Dataprev que paralisaram perícias do INSS em todo o país e cobra soluções urgentes do governo federal.
Nos dias 5 e 6 de agosto, incidentes graves inviabilizaram a realização de perícias médicas agendadas em agências do INSS em todo o país durante o período da manhã.
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Falhas sistêmicas e impacto nacional

Segundo a ANMP, a paralisação não foi pontual. Ela se soma a uma série de interrupções que vêm comprometendo o atendimento aos segurados. A entidade informou que, apenas em 2024, os sistemas ficaram indisponíveis por mais de 60 dias. Se a frequência atual for mantida, a estimativa é de que, até o fim de 2025, o número ultrapasse 100 dias — o que corresponderia a praticamente metade dos dias úteis do ano sem condições de trabalho para os peritos.
Serviços paralisados e filas acumuladas
As falhas no sistema atingem diretamente um dos serviços mais sensíveis da Previdência Social: a perícia médica. Sem acesso aos sistemas, os peritos não conseguem registrar atendimentos, avaliar laudos ou emitir pareceres técnicos. O resultado é o adiamento de milhares de atendimentos, aumento das filas e atraso no pagamento de benefícios como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.
De acordo com relatos de peritos, a situação provoca frustração tanto para os servidores, que ficam impossibilitados de cumprir suas funções, quanto para os segurados, que muitas vezes viajam longas distâncias para comparecer à agência e acabam voltando para casa sem atendimento.
Ação urgente junto ao Ministério da Previdência
Diante da reincidência dos problemas, a ANMP encaminhou um ofício urgente ao ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz. No documento, a associação cobra medidas imediatas para solucionar as falhas recorrentes e evitar novas paralisações.
Entre os pedidos, estão:
- Correção imediata das falhas pela Dataprev, com a criação de um plano de contingência eficiente.
- Identificação e responsabilização das instâncias de gestão responsáveis pela manutenção do estado crônico de inoperância.
- Avaliação de alternativas tecnológicas e contratuais para garantir sistemas estáveis, modernos e confiáveis.
A entidade ressalta que a estabilidade operacional é fundamental para que os serviços da Previdência Social funcionem adequadamente, dado o impacto direto na vida de milhões de brasileiros.
Registro automático da disponibilidade dos peritos
Outro ponto levantado pela ANMP é a necessidade de registrar automaticamente a disponibilidade integral de todos os peritos afetados por falhas generalizadas nos sistemas. A medida evitaria que os profissionais fossem prejudicados no cumprimento de suas metas de produtividade, já que a ausência de atendimentos não decorre de inatividade, mas sim de problemas técnicos alheios à sua atuação.
Atualmente, segundo a associação, os servidores precisam solicitar individualmente o registro de disponibilidade nesses casos, o que gera burocracia e risco de distorção nos dados de desempenho.
Dataprev sob pressão
A Dataprev, estatal responsável pelo processamento de dados da Previdência Social, já vinha sendo alvo de críticas por parte de servidores e entidades de classe. As falhas não afetam apenas as perícias médicas, mas também outros serviços essenciais, como a concessão e revisão de benefícios, emissão de documentos e acesso a informações cadastrais.
Especialistas em gestão pública alertam que a dependência de sistemas centralizados e a falta de redundância tecnológica aumentam a vulnerabilidade operacional. Em casos como o ocorrido, a indisponibilidade provoca efeito dominó, com reflexos em diversas áreas da administração previdenciária.
Possíveis soluções em debate

Entre as soluções sugeridas por especialistas estão:
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- Modernização da infraestrutura tecnológica da Dataprev, com adoção de servidores mais robustos e maior capacidade de processamento.
- Implementação de sistemas redundantes, capazes de assumir a operação em caso de falha principal.
- Parcerias estratégicas com empresas de tecnologia para atualização constante das plataformas.
- Monitoramento em tempo real com alertas automáticos para equipes técnicas, permitindo respostas mais rápidas a instabilidades.
No entanto, qualquer mudança estrutural exige investimento e planejamento, o que torna urgente a decisão do governo sobre o caminho a seguir.
Reflexos para a população
A instabilidade nos sistemas da Dataprev não é apenas um problema técnico; trata-se de uma questão social. Para milhares de segurados que dependem de um benefício para sobreviver, um atraso na concessão ou no pagamento pode significar falta de recursos para necessidades básicas.
O cenário também gera insegurança jurídica, já que a demora no atendimento pode levar a ações judiciais contra o INSS. Isso, por sua vez, aumenta o volume de processos na Justiça Federal e eleva os custos para a União.
Experiência do usuário prejudicada
A interrupção dos sistemas prejudica não apenas quem está nas agências, mas também os usuários dos canais digitais da Previdência Social, como o portal Meu INSS e o aplicativo oficial. Muitos segurados que tentaram acessar serviços pela internet nos dias 5 e 6 de agosto relataram mensagens de erro e indisponibilidade, reforçando a dimensão nacional do problema.
Próximos passos
Com o alerta da ANMP e a repercussão do caso, a expectativa é de que o Ministério da Previdência Social e a Dataprev anunciem, nos próximos dias, medidas para conter as falhas. Caso contrário, o risco é de que as paralisações continuem e comprometam o cumprimento das metas estabelecidas para 2025.
Enquanto isso, sindicatos e associações devem continuar pressionando por soluções estruturais, defendendo que a estabilidade dos sistemas é tão essencial quanto a presença de médicos e servidores nas agências.
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com
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