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Perícias suspensas de novo! Falhas da Dataprev suspende atendimento do INSS e peritos exigem mudanças

ANMP denuncia falhas recorrentes na Dataprev que paralisaram perícias do INSS em todo o país e cobra soluções urgentes do governo federal.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
INSS

A Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP) acendeu o alerta para um problema recorrente que afeta diretamente milhões de brasileiros: a instabilidade crônica dos sistemas mantidos pela Dataprev, responsável por processar dados e serviços da Previdência Social.

Nos dias 5 e 6 de agosto, incidentes graves inviabilizaram a realização de perícias médicas agendadas em agências do INSS em todo o país durante o período da manhã.

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Falhas sistêmicas e impacto nacional

Perícias INSS
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Segundo a ANMP, a paralisação não foi pontual. Ela se soma a uma série de interrupções que vêm comprometendo o atendimento aos segurados. A entidade informou que, apenas em 2024, os sistemas ficaram indisponíveis por mais de 60 dias. Se a frequência atual for mantida, a estimativa é de que, até o fim de 2025, o número ultrapasse 100 dias — o que corresponderia a praticamente metade dos dias úteis do ano sem condições de trabalho para os peritos.

Serviços paralisados e filas acumuladas

As falhas no sistema atingem diretamente um dos serviços mais sensíveis da Previdência Social: a perícia médica. Sem acesso aos sistemas, os peritos não conseguem registrar atendimentos, avaliar laudos ou emitir pareceres técnicos. O resultado é o adiamento de milhares de atendimentos, aumento das filas e atraso no pagamento de benefícios como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.

De acordo com relatos de peritos, a situação provoca frustração tanto para os servidores, que ficam impossibilitados de cumprir suas funções, quanto para os segurados, que muitas vezes viajam longas distâncias para comparecer à agência e acabam voltando para casa sem atendimento.

Ação urgente junto ao Ministério da Previdência

Diante da reincidência dos problemas, a ANMP encaminhou um ofício urgente ao ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz. No documento, a associação cobra medidas imediatas para solucionar as falhas recorrentes e evitar novas paralisações.

Entre os pedidos, estão:

  • Correção imediata das falhas pela Dataprev, com a criação de um plano de contingência eficiente.
  • Identificação e responsabilização das instâncias de gestão responsáveis pela manutenção do estado crônico de inoperância.
  • Avaliação de alternativas tecnológicas e contratuais para garantir sistemas estáveis, modernos e confiáveis.

A entidade ressalta que a estabilidade operacional é fundamental para que os serviços da Previdência Social funcionem adequadamente, dado o impacto direto na vida de milhões de brasileiros.

Registro automático da disponibilidade dos peritos

Outro ponto levantado pela ANMP é a necessidade de registrar automaticamente a disponibilidade integral de todos os peritos afetados por falhas generalizadas nos sistemas. A medida evitaria que os profissionais fossem prejudicados no cumprimento de suas metas de produtividade, já que a ausência de atendimentos não decorre de inatividade, mas sim de problemas técnicos alheios à sua atuação.

Atualmente, segundo a associação, os servidores precisam solicitar individualmente o registro de disponibilidade nesses casos, o que gera burocracia e risco de distorção nos dados de desempenho.

Dataprev sob pressão

A Dataprev, estatal responsável pelo processamento de dados da Previdência Social, já vinha sendo alvo de críticas por parte de servidores e entidades de classe. As falhas não afetam apenas as perícias médicas, mas também outros serviços essenciais, como a concessão e revisão de benefícios, emissão de documentos e acesso a informações cadastrais.

Especialistas em gestão pública alertam que a dependência de sistemas centralizados e a falta de redundância tecnológica aumentam a vulnerabilidade operacional. Em casos como o ocorrido, a indisponibilidade provoca efeito dominó, com reflexos em diversas áreas da administração previdenciária.

Possíveis soluções em debate

Imagem: Divulgação: Gov/INSS

Entre as soluções sugeridas por especialistas estão:

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  • Modernização da infraestrutura tecnológica da Dataprev, com adoção de servidores mais robustos e maior capacidade de processamento.
  • Implementação de sistemas redundantes, capazes de assumir a operação em caso de falha principal.
  • Parcerias estratégicas com empresas de tecnologia para atualização constante das plataformas.
  • Monitoramento em tempo real com alertas automáticos para equipes técnicas, permitindo respostas mais rápidas a instabilidades.

No entanto, qualquer mudança estrutural exige investimento e planejamento, o que torna urgente a decisão do governo sobre o caminho a seguir.

Reflexos para a população

A instabilidade nos sistemas da Dataprev não é apenas um problema técnico; trata-se de uma questão social. Para milhares de segurados que dependem de um benefício para sobreviver, um atraso na concessão ou no pagamento pode significar falta de recursos para necessidades básicas.

O cenário também gera insegurança jurídica, já que a demora no atendimento pode levar a ações judiciais contra o INSS. Isso, por sua vez, aumenta o volume de processos na Justiça Federal e eleva os custos para a União.

Experiência do usuário prejudicada

A interrupção dos sistemas prejudica não apenas quem está nas agências, mas também os usuários dos canais digitais da Previdência Social, como o portal Meu INSS e o aplicativo oficial. Muitos segurados que tentaram acessar serviços pela internet nos dias 5 e 6 de agosto relataram mensagens de erro e indisponibilidade, reforçando a dimensão nacional do problema.

Próximos passos

Com o alerta da ANMP e a repercussão do caso, a expectativa é de que o Ministério da Previdência Social e a Dataprev anunciem, nos próximos dias, medidas para conter as falhas. Caso contrário, o risco é de que as paralisações continuem e comprometam o cumprimento das metas estabelecidas para 2025.

Enquanto isso, sindicatos e associações devem continuar pressionando por soluções estruturais, defendendo que a estabilidade dos sistemas é tão essencial quanto a presença de médicos e servidores nas agências.

Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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