O aplicativo Instagram, uma das redes sociais mais populares entre adolescentes brasileiros, teve sua classificação indicativa elevada para “não recomendado para menores de 16 anos”. A mudança, publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (12), foi determinada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que alega ter encontrado conteúdos inapropriados para menores durante uma análise de rotina.
Instagram sofre reclassificação e não é mais recomendado para adolescentes
O aplicativo Instagram, uma das redes sociais mais populares entre adolescentes brasileiros, teve sua classificação indicativa elevada para “não recomendado par
A decisão marca uma virada na regulação de redes sociais no Brasil e afeta diretamente pais, educadores e os próprios usuários, que até então podiam criar contas a partir dos 13 anos.
Leia mais:
Instagram libera grande novidade envolvendo o WhatsApp para os usuários; confira!
O que motivou a nova classificação do Instagram?

Conteúdos sensíveis encontrados na plataforma
De acordo com a portaria oficial, foram identificados diversos tipos de conteúdos considerados incompatíveis com a faixa etária anteriormente atribuída à plataforma. Entre os pontos destacados pelo Ministério da Justiça estão:
- Morte intencional e nudez (indicativo mínimo de 14 anos);
- Mutilação, relações sexuais intensas e uso de drogas ilícitas (indicativo mínimo de 16 anos);
- Sexo explícito, crueldade e situações de forte impacto (indicativo mínimo de 18 anos).
A decisão foi tomada com base no Guia Prático de Audiovisual, que orienta a aplicação das faixas etárias em mídias e produtos digitais.
Declaração oficial do Ministério
“A alteração da classificação indicativa outrora atribuída preserva tanto a liberdade de expressão como a proteção de crianças e adolescentes frente à exibição de conteúdos inadequados ao seu desenvolvimento psíquico”, declarou a Secretaria Nacional de Justiça.
Atualização nas lojas de aplicativos
Mudança imediata no Google Play
Na Google Play Store, a classificação já foi atualizada para “16+”, conforme verificado pelo portal G1. Isso significa que o aplicativo não deve mais ser exibido ou facilmente instalado por perfis com idade inferior.
App Store da Apple ainda mantém classificação antiga
Na App Store, a mudança ainda não foi implementada. A loja da Apple continua informando a indicação etária de “14+”, o que pode ser alterado nos próximos dias, conforme o cumprimento da portaria publicada pelo governo brasileiro.
Instagram pode recorrer
O Instagram, que pertence à Meta (dona também do Facebook e WhatsApp), pode recorrer da decisão. Para isso, deve apresentar o pedido de reconsideração diretamente à Secretaria Nacional de Justiça.
Em nota enviada ao G1, a empresa criticou a metodologia usada pelo Ministério da Justiça, alegando que a classificação desconsidera as ferramentas de proteção já oferecidas pela rede social.
O que diz o Instagram
Ferramentas de proteção já existentes
A plataforma afirma que há anos vem investindo em mecanismos para proteger adolescentes. Entre os recursos mencionados na nota oficial da empresa estão:
- Conta de Adolescente, lançada em fevereiro de 2024;
- Restrições de busca e visualização de conteúdos sensíveis;
- Permissões específicas para monitoramento parental.
“Trabalhamos há mais de uma década em ferramentas e recursos para proteger adolescentes e apoiar suas famílias. A metodologia do Classind não leva em consideração nenhuma medida de proteção que as plataformas oferecem”, diz trecho da nota.
A Meta também afirmou que participará ativamente da consulta pública em andamento, que busca reformular o modelo atual de classificação indicativa digital.
Comparativo entre redes sociais: quem pode acessar?
O Brasil já aplica diferentes faixas etárias para outras redes sociais. Veja como está a classificação atual:
| Rede Social | Idade mínima recomendada no Brasil |
|---|---|
| TikTok | 14 anos |
| 16 anos | |
| 16 anos | |
| X (ex-Twitter) | 18 anos |
| Discord | 18 anos (em geral) |
Classificação indicativa vai além do cinema e da TV
A secretária de Direito Digital do Ministério da Justiça, Lílian Cintra de Melo, explicou que a decisão faz parte de uma política mais ampla de proteção digital de menores.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
“É importante que todos saibam que a classificação indicativa não se aplica apenas a filmes no cinema ou programas na TV. O Ministério da Justiça também monitora conteúdos impróprios em todos os aplicativos disponíveis nas lojas virtuais”, declarou.
Ferramenta para os pais
Segundo a secretária, a classificação serve como instrumento de orientação para as famílias, permitindo que pais e responsáveis saibam quais aplicativos são mais ou menos adequados à idade dos filhos.
Entre os próximos passos planejados pelo governo está o desenvolvimento de um aplicativo nacional para ajudar os pais a restringirem o acesso de crianças a conteúdos inadequados na internet, iniciativa que está sendo avaliada em uma consulta pública em curso.
Consulta pública sobre regulação digital
A decisão sobre o Instagram coincide com o período de consulta pública aberta pelo Ministério da Justiça, que busca aprimorar o modelo brasileiro de classificação indicativa. Entre os tópicos em debate estão:
- Aplicação de faixas etárias em aplicativos e plataformas;
- Criação de um sistema automatizado de denúncias;
- Ferramentas para bloqueio parental mais eficazes;
- Cooperação com empresas internacionais e órgãos reguladores.
O que pode mudar nos próximos meses?
A tendência é de que mais aplicativos e redes sociais sejam submetidos a esse tipo de reavaliação. A decisão brasileira será enviada ao IARC (International Age Rating Coalition), coalizão internacional da qual o Brasil faz parte, e pode influenciar outras jurisdições a adotarem critérios semelhantes.
Impacto para adolescentes e famílias

A mudança traz impactos práticos imediatos. Pais de adolescentes com menos de 16 anos terão maior respaldo legal e social para restringir o uso da plataforma, especialmente com o apoio de novas ferramentas de controle digital previstas para os próximos meses.
Adolescentes, por sua vez, podem ser impedidos de instalar ou usar o app em dispositivos com controle parental ativo, além de enfrentarem maior monitoramento escolar e familiar.
Considerações finais
A decisão do Ministério da Justiça de elevar a faixa etária recomendada do Instagram para 16 anos reflete uma preocupação crescente com a segurança digital de crianças e adolescentes. Embora a plataforma disponha de ferramentas para moderação de conteúdo, o governo avalia que essas medidas não são suficientes diante da natureza sensível de muitos materiais publicados.
Ao mesmo tempo, abre-se uma discussão importante sobre liberdade de expressão, direito à informação, proteção infantil e responsabilidades das big techs. O recurso apresentado pelo Instagram e a resposta à consulta pública do Ministério definirão os próximos passos de uma nova era de regulamentação digital no Brasil.
