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Prisão na Baixada Fluminense expõe novo capítulo do caso Faraó dos Bitcoins

Polícia Civil prende Thiago Julio Gadelha, integrante do grupo do Faraó dos Bitcoins, acusado de homicídios e envolvimento em esquema bilionário com criptomoedas.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira7 min de leitura
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A investigação sobre o esquema bilionário comandado por Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, ganhou mais um capítulo nesta semana. A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, na segunda-feira (11), Thiago Julio Gadelha, apontado como integrante do núcleo operacional ligado ao ex-empresário.

A prisão foi realizada no bairro Parque São Bento, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e marca um avanço nas apurações que unem crimes financeiros a graves delitos contra a vida.

Segundo as autoridades, Thiago é acusado não apenas de participar do esquema de investimentos fraudulentos, mas também de se envolver diretamente em homicídios e tentativas de homicídio contra pessoas que representavam ameaça aos negócios ilícitos da GAS Consultoria Bitcoin, empresa liderada por Glaidson.

As ações violentas teriam ocorrido principalmente em 2021, na Região dos Lagos, onde a organização tinha forte atuação.

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A ligação entre Thiago Gadelha e o Faraó dos Bitcoins

De acordo com a Polícia Civil, Thiago integrava um grupo responsável por “proteger” os interesses da GAS Consultoria, que operava sob a fachada de uma empresa de investimentos em criptomoedas. Essa proteção, no entanto, não se limitava a questões jurídicas ou comerciais.

As investigações indicam que o núcleo do qual ele fazia parte atuava para eliminar fisicamente concorrentes ou qualquer pessoa que pudesse colocar em risco a continuidade do negócio.

O histórico criminal de Thiago reforça a gravidade das acusações. Ele chegou a ficar cerca de dois anos preso em razão de investigações envolvendo homicídios, mas obteve liberdade provisória. Recentemente, contudo, a Justiça expediu um novo mandado de prisão preventiva, desta vez pelo crime de integração a organização criminosa. A captura nesta segunda-feira foi resultado direto desse mandado.

O pano de fundo: violência na Região dos Lagos

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O caso envolvendo Thiago e outros membros da organização não pode ser entendido sem considerar a escalada de violência na Região dos Lagos, litoral do Rio de Janeiro, em 2021. Foi nesse período que Wesley Pessano, de apenas 19 anos, foi assassinado a tiros em São Pedro da Aldeia. A vítima era investidor e, segundo o Ministério Público, competia com os negócios de Glaidson.

Menos de dois meses depois, outro episódio chocou a região: Nilson Alves da Silva, conhecido como Nilsinho, sobreviveu a uma tentativa de execução enquanto dirigia uma BMW X6 avaliada em cerca de R$ 600 mil. O ataque ocorreu em Cabo Frio e seguiu o mesmo padrão: alvo ligado ao mercado de criptomoedas e visto como ameaça à GAS Consultoria.

As apurações indicam que Thiago Gadelha teve participação ativa ou indireta em crimes dessa natureza, integrando um braço armado que agia para intimidar ou neutralizar rivais.

O império da GAS Consultoria Bitcoin

À frente da GAS Consultoria, Glaidson Acácio e sua esposa, a venezuelana Mirelis Zerpa, movimentaram cifras impressionantes: cerca de R$ 38 bilhões em seis anos. O modelo de negócio prometia rendimentos fixos de 10% ao mês, supostamente por meio de operações no mercado de criptomoedas.

A atratividade dessa promessa levou milhares de brasileiros a investirem — muitos deles vendendo bens, aplicando indenizações ou contraindo empréstimos para participar.

Contudo, investigações da Polícia Federal e do Ministério Público revelaram que a GAS não tinha registro em órgãos regulatórios e operava como um clássico esquema de pirâmide financeira. Em vez de gerar lucros reais com investimentos, os pagamentos aos clientes vinham de novos aportes, criando um ciclo insustentável que colapsaria inevitavelmente.

A Operação Kryptos e a queda do Faraó

O castelo de cartas começou a ruir em agosto de 2021, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Kryptos. A ação resultou na prisão de Glaidson, que desde então permanece detido.

A operação foi um marco no combate a crimes envolvendo criptomoedas no Brasil, combinando investigações financeiras detalhadas com operações táticas para capturar os principais envolvidos.

A prisão de Thiago Gadelha, agora, reforça que o caso não se resume à fraude financeira. As acusações de homicídio mostram que a rede de proteção da GAS era muito mais letal e violenta do que se imaginava.

O papel de Mirelis Zerpa e sua captura

Mirelis Zerpa, esposa de Glaidson, permaneceu foragida por anos após o início da Operação Kryptos. Ela foi localizada nos Estados Unidos, onde chegou a ser presa em janeiro de 2024. Após um processo de deportação, retornou ao Brasil em junho do mesmo ano, sendo presa pela Polícia Federal.

Sua captura representou uma vitória significativa para os investigadores, que consideram Mirelis peça-chave na movimentação e lavagem dos bilhões obtidos ilegalmente.

Documentos obtidos durante as investigações apontam que Mirelis teria papel estratégico na gestão das contas no exterior e no direcionamento de recursos para blindar o patrimônio do casal.

A conexão entre crimes financeiros e crimes contra a vida

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Embora o caso do Faraó dos Bitcoins tenha ganhado notoriedade pela dimensão financeira, as investigações apontam para um entrelaçamento direto entre a fraude e ações violentas. Para investigadores, não se tratava apenas de proteger o dinheiro — mas de garantir a sobrevivência do esquema eliminando ameaças de forma definitiva.

Crimes financeiros de grande escala, quando associados a altos lucros e operações paralelas ilegais, frequentemente atraem disputas violentas. No caso da GAS Consultoria, as mortes e tentativas de assassinato não parecem ser meros desvios de conduta de indivíduos isolados, mas parte de uma estratégia deliberada.

A reação do mercado de criptomoedas

O escândalo envolvendo a GAS e o Faraó dos Bitcoins trouxe efeitos duradouros para o mercado de criptomoedas no Brasil. Empresas sérias do setor passaram a enfrentar maior desconfiança por parte dos investidores, que, temendo novas fraudes, passaram a exigir transparência, certificações e registros junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Além disso, o caso serviu de argumento para parlamentares e reguladores intensificarem os debates sobre a necessidade de legislação específica para criptoativos. A aprovação de regras mais rígidas de compliance e monitoramento de transações passou a ser prioridade para reduzir o espaço de atuação de esquemas semelhantes.

O que acontece agora com Thiago Gadelha

Com a prisão preventiva decretada, Thiago Gadelha ficará à disposição da Justiça para responder pelo crime de integração a organização criminosa. As investigações também buscam aprofundar seu possível envolvimento em homicídios já atribuídos ao grupo, o que pode ampliar significativamente sua pena.

A expectativa é que novos desdobramentos ocorram à medida que testemunhas sejam ouvidas e provas sejam analisadas. O julgamento de Glaidson e de outros 11 réus pelo assassinato de Wesley Pessano também pode revelar detalhes adicionais sobre o papel de cada integrante do grupo.

Um caso emblemático para a Justiça brasileira

O caso do Faraó dos Bitcoins reúne elementos que desafiam diferentes áreas do sistema de justiça: crimes financeiros complexos, lavagem de dinheiro internacional, execução de homicídios, intimidação de concorrentes e uso de tecnologias emergentes para ocultar rastros.

É um processo emblemático, que deve servir de parâmetro para investigações futuras envolvendo o universo das criptomoedas.

Considerações finais

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Imagem: ancoay – Freepi/Edição: Seu Crédito Digital

A prisão de Thiago Julio Gadelha mostra que o cerco às ramificações do esquema liderado por Glaidson Acácio dos Santos continua se fechando. Ao unir crimes de colarinho branco e crimes violentos, o caso expõe um lado obscuro do mercado de investimentos e reforça a importância de regulação e fiscalização efetiva.

Para as autoridades, cada prisão representa mais uma peça encaixada no quebra-cabeça de um dos maiores escândalos financeiros e criminais já registrados no Brasil.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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