O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou nesta quarta-feira (10) um marco histórico para o setor energético nacional: a interligação de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O evento, realizado na sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em Brasília, representou não apenas um avanço estrutural, mas também um ato político carregado de simbolismo.
Interligação de Roraima e alfinetada a Trump marcam avanço energético do Brasil
Lula inaugura interligação de Roraima ao sistema elétrico nacional, cita Trump e destaca papel do Brasil na transição energética.
Roraima era o único estado brasileiro que ainda não fazia parte do sistema, dependendo exclusivamente de termelétricas movidas a óleo diesel e gás natural. Esse modelo, além de altamente poluente, custava caro ao país, já que era subsidiado pela Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). Com a conexão ao SIN, a expectativa é de uma economia de R$ 45 milhões por mês.
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Um projeto bilionário e atrasado

Linhão de Tucuruí finalmente concluído
O empreendimento, conhecido como Linhão de Tucuruí, consumiu investimentos de R$ 2,6 bilhões. São 725 quilômetros de extensão em circuito duplo de 500 kV, conectando a subestação Engenheiro Lechuga, no Amazonas, à subestação Boa Vista, em Roraima.
A capacidade de transmissão é de 1 GW, o suficiente para abastecer quatro vezes a demanda atual de Roraima. Além de garantir segurança energética, o projeto cria perspectivas de desenvolvimento industrial e expansão econômica no estado.
Uma década de entraves
Embora licitado em 2011, o linhão deveria ter sido entregue em 2015. O atraso de dez anos foi causado principalmente por dificuldades no licenciamento ambiental, em especial na área indígena Waimiri Atroari.
Após disputas contratuais, pedidos de rescisão e arbitragens, a retomada só ocorreu em 2022, com um acordo judicial mediado pela União e comunidades indígenas. A inclusão do projeto na lei de privatização da Eletrobras, em 2021, foi decisiva para destravar o processo.
Impactos imediatos em Roraima
Fim da dependência de térmicas
Desde 2019, quando a Venezuela interrompeu o fornecimento elétrico, Roraima passou a depender exclusivamente de usinas térmicas locais. Essa situação provocou quedas frequentes de energia, blecautes e encareceu a conta de luz.
Com a nova ligação, o estado deixa para trás uma realidade de instabilidade e altos custos. Além disso, a medida deve reduzir a emissão de gases poluentes, uma vez que as térmicas movidas a diesel deixarão de ser a principal fonte.
Desenvolvimento regional
O fornecimento estável de energia é um dos pilares para atração de investimentos. Autoridades locais projetam a chegada de novas indústrias, expansão do agronegócio e até avanços em conectividade digital. O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), autor da emenda que garantiu a continuidade do projeto na lei de privatização da Eletrobras, comemorou o feito como uma “independência energética” para Roraima.
Alfinetada política: Lula mira Trump

Durante o evento, Lula aproveitou para enviar uma mensagem direta ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, crítico do Brasil em temas como meio ambiente e no processo contra Jair Bolsonaro (PL).
“Em vez do Trump ficar brigando com a gente, ele deveria vir conhecer o nosso sistema interligado”, ironizou o presidente.
Lula destacou que o Brasil conta com 175 mil quilômetros de linhas de transmissão integradas e que o país pode se tornar protagonista da transição energética na América do Sul. O petista chegou a sugerir que os Estados Unidos poderiam receber energia brasileira no futuro, caso houvesse interesse.
Perspectivas internacionais e integração regional
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Brasil como hub energético
Além do impacto doméstico, a interligação de Roraima abre caminho para um projeto mais ambicioso: transformar o Brasil em centro da transição energética sul-americana. A linha de transmissão pode futuramente permitir a importação de energia da Venezuela, reforçando a integração elétrica continental.
Diplomacia energética
Ao associar o feito à crítica a Trump, Lula reforça uma linha de política externa baseada na projeção do Brasil como potência energética renovável. A fala do presidente ocorre em um contexto de tensões comerciais, já que os Estados Unidos mantêm tarifas de até 50% sobre alguns produtos brasileiros.
O futuro do setor elétrico brasileiro
Segurança e sustentabilidade
Com a conclusão do linhão, o Brasil dá um passo importante para consolidar sua matriz energética limpa e diversificada. O país já é reconhecido pela elevada participação de fontes renováveis, como hidrelétricas, eólicas e solares, e agora amplia a segurança em regiões historicamente isoladas.
Investimentos estratégicos
O Ministério de Minas e Energia estima que a interligação trará impacto positivo para consumidores de todo o Brasil, já que reduz subsídios às térmicas. Também projeta novas interconexões, ampliando a rede de transmissão e estimulando parcerias internacionais.
Imagem: Agência Brasil

