A Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a CPMI do INSS passaram a mapear, ao longo de 2025, uma rede de entidades e empresas envolvendo a Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) e a Associação dos Aposentados do Brasil (AAB) no centro do escândalo que ficou conhecido nacionalmente como a “Farra do INSS”. Documentos, registros empresariais e operações policiais elucidaram um possível conluio com indícios de empresas de fachada, laranjas, endereços compartilhados e milhões de reais em movimentações suspeitas.
INSS revela ligação de empresas com ONGs investigadas pelo mesmo CNPJ
PF e CPMI investigam Conafer, AAB e empresas ligadas em fraudes no INSS, com suspeitas de laranjas, milhões desviados e atuação nacional.
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CNPJs de Conafer e AAB com contatos idênticos reforçaram suspeitas
Ao menos cinco empreendimentos relacionados à Conafer utilizaram no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica o mesmo telefone e e-mail registrados por empresas pertencentes à sócia da AAB. Um desses CNPJs é o da Federação dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais do Centro Sul e Sudeste (Fafer), considerada braço direto da Conafer.
Vinculações financeiras identificadas pelo COAF
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPMI do INSS detalhou que a Fafer e a AAB realizaram depósitos e recebimentos de uma mesma empresa situada no Distrito Federal, pertencente à diretora financeira da Conafer. Em apenas dois meses, o empreendimento teria movimentado quase R$ 4 milhões envolvendo ambas as entidades, sendo encerrado logo em seguida.
Terra Bank e a presença de possíveis laranjas
Outra instituição que usou o mesmo número de telefone e e-mail foi a Terra Bank, banco digital ligado à Conafer. Antes das investigações, o sócio-administrador do banco era Cícero Marcelino, assessor de Carlos Lopes, presidente da Conafer. Após o avanço do inquérito, Silas da Costa Vaz passou a figurar como responsável pelo banco.
Perfil de Silas da Costa Vaz gerou novas perguntas
Silas Vaz apresentou um histórico que levantou dúvidas entre investigadores. Morador de uma região de baixa renda no Distrito Federal, ele recebia auxílio emergencial havia anos, mas apareceu como proprietário de aeronaves avaliadas em mais de R$ 3 milhões, supostamente adquiridas diretamente do presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT), Vinícius Ramos da Cruz. O ITT é uma ONG conectada à Conafer e financiada com verbas de emendas parlamentares.
Quando questionado, Silas afirmou jamais ter comprado aviões e não soube explicar por que sua assinatura constava nas transações. Para analistas da CPMI, esses elementos reforçaram a possibilidade de atuação de “testas de ferro”.
Empresas com o mesmo endereço e suspeita de “laranjas”
Diversas empresas do núcleo investigado dividem o mesmo endereço, telefone e e-mail. Esse é o caso de Solution, Impacto, R E D Segurança e Expresso, todas pertencentes a Lucineide dos Santos Oliveira, sócia da AAB. No mesmo imóvel também funcionam quatro CNPJs pertencentes ao contador da Conafer, Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior.
Fachadas empresariais não condiziam com atividades declaradas
Apesar de os registros indicarem atividades como locação de veículos, comércio varejista e apoio à agricultura, a fachada do pequeno escritório exibia placas apenas de duas empresas. Esse elemento, somado às conexões com diferentes entidades, contribuiu para que parlamentares classificassem tais negócios como possíveis “empresas laranja”.
Declarações contundentes na CPMI
Durante sessão, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) afirmou que o modelo beneficiava dirigentes e parentes, declarando que empresas vinculadas ao grupo seriam “laranjas”, o que expandiu o foco de apuração.
Sede compartilhada entre Conafer e AAB ampliou desconfianças
A Conafer e a AAB listaram como sede o mesmo edifício empresarial no Setor Comercial Sul, em Brasília, diferindo apenas no número da sala. Ambas figuraram na lista de Processos Administrativos de Responsabilização instaurados pela CGU em 2025.
Supostos prejuízos bilionários ao sistema previdenciário
Segundo investigações, a Conafer teria desviado ao menos R$ 640 milhões ligados a aposentadorias. A AAB também foi acusada de descontar mensalidades de beneficiários mortos, com levantamentos indicando mais de 27 mil casos irregulares.
O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, considerado chefe do esquema, não foi localizado durante mandados de prisão cumpridos pela PF.
Operação Sem Desconto e ofensiva nacional
Em 13 de novembro de 2025, a PF e a CGU deflagraram nova fase da Operação Sem Desconto, mobilizando agentes em 17 estados e no Distrito Federal.
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Mandados e presos na ação
Foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão preventiva. Entre os alvos, estavam:
Alessandro Stefanutto – ex-presidente do INSS
Antônio Carlos Antunes Camilo, o Careca do INSS
Vinícius Ramos da Cruz – ITT
Tiago Abraão Ferreira Lopes – diretor da Conafer
Cícero Marcelino de Souza Santos – empresário
Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior – contador
O alcance geográfico da operação evidenciou a capilaridade do esquema, com vítimas em diferentes regiões.
Como funcionava o esquema segundo as autoridades
O núcleo investigado inseria dados falsos em sistemas federais, vinculando aposentados a associações fictícias e gerando descontos mensais sem autorização ou conhecimento dos beneficiários.
Possíveis crimes mapeados
O grupo pode responder por:
Estelionato previdenciário
Corrupção ativa e passiva
Organização criminosa
Lavagem e ocultação de patrimônio
Além das suspeitas de desvio, a ocultação de ativos dificultou o rastreamento dos valores.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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