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Polícia investiga expansão suspeita de descontos da Conafer em benefícios do INSS

Polícia investiga descontos da Conafer em benefícios do INSS durante a pandemia. Mais de 73 mil filiações ocorreram em apenas 4 meses.

Talita FerreiraPor Talita Ferreira5 min de leitura
INSS

A Polícia Civil do Distrito Federal apura uma suspeita de fraude envolvendo a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Segundo os investigadores, a entidade ampliou de forma significativa sua base de associados entre abril e julho de 2020, em plena crise sanitária da pandemia de Covid-19.

Na situação, 73.108 benefícios do INSS foram descontados em 4 meses, uma média de 610 novos filiados por dia e a maioria dos atingidos é composta por idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social

A investigação revelou que o crescimento exponencial ocorreu justamente no momento em que os canais presenciais de atendimento do INSS estavam fechados.

Controladoria-Geral da União aponta salto nos valores descontados do INSS

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Imagem: Freepik e Canva

Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que a Conafer foi a entidade com maior crescimento no volume de descontos feitos diretamente em benefícios de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

  • R$ 400 mil em descontos em 2019
  • R$ 57 milhões em 2020
  • R$ 202 milhões em 2023

Os números chamaram a atenção dos órgãos de controle e motivaram a abertura da investigação.

Abertura da investigação teve origem em denúncias de aposentados

O inquérito teve início em 2020 após dois aposentados relatarem descontos que não haviam autorizado em seus benefícios.

  • Denúncias envolviam valores mensais entre R$ 30 e R$ 70
  • Beneficiários relataram dificuldades para cancelar as cobranças
  • Falta de acesso à internet e a canais de atendimento dificultou a contestação

Em muitos casos, os valores cobrados mensalmente representavam uma parte significativa da renda dos aposentados.

Barreiras tecnológicas e isolamento facilitaram irregularidades

profissional da saúde aplicando vacina em mulher por meio de seringa expectativa
imagem: BaLL LunLa / shutterstock.com

Durante o período da pandemia, o distanciamento social e o fechamento das agências do INSS criaram um ambiente propício para irregularidades.

  • Dificuldade de acesso a informações pelos beneficiários
  • Falta de familiaridade com aplicativos e plataformas digitais
  • Dependência de terceiros para resolver questões burocráticas

De acordo com a Polícia Civil, essa conjuntura contribuiu para que os descontos indevidos passassem despercebidos por meses.

Presidente da Conafer justificou aumento com “demanda reprimida”

Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, alegou em depoimento prestado em 2021 que o aumento das filiações se devia à existência de uma suposta “demanda reprimida”.

Entretanto, os investigadores apontam que não foram apresentados documentos que comprovassem a autorização dos beneficiários para os descontos.

  • Ausência de termos de consentimento assinados
  • Nenhuma lista de filiados confirmada com CPF
  • Reincidência de denúncias por diferentes beneficiários em vários estados

Envolvimento de familiares e histórico de condenações

O relatório da Polícia Civil menciona o nome de Tiago Ferreira Lopes, irmão do presidente da Conafer, como parte da gestão financeira da entidade. Tiago já havia sido condenado anteriormente por improbidade administrativa em outro caso relacionado a descontos indevidos.

  • Irmão do presidente já tinha histórico de fraudes previdenciárias
  • Nome consta na atual investigação por envolvimento operacional
  • Suspeita de gestão paralela do esquema

INSS suspendeu e depois reativou acordo com a Conafer

Em meio às denúncias, o INSS suspendeu o convênio que permitia à Conafer realizar descontos diretamente na folha de pagamento dos beneficiários.

  • Suspensão ocorreu em agosto de 2020
  • Entidade foi reabilitada poucos dias depois
  • INSS alterou procedimentos internos após pressão jurídica

A brevidade da suspensão gerou críticas entre servidores e representantes de entidades de aposentados.

Polícia Federal assume o caso e operação é deflagrada

INSS PF polícia federal
Imagem: Reprodução / Arquivo / Polícia Federal

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Em 2021, por decisão judicial, a investigação foi transferida da Polícia Civil para a Polícia Federal. A operação para desmontar o esquema, no entanto, só foi deflagrada em abril de 2025.

  • Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Brasília e São Paulo
  • Documentos financeiros da Conafer foram apreendidos
  • Acesso ao sistema do INSS está sendo auditado

Segundo fontes da investigação, o foco agora é rastrear os valores recebidos pela entidade e identificar possíveis favorecimentos internos.

Servidor do INSS relatou ameaças após denúncia interna

Um servidor do Instituto Nacional do Seguro Social que tentou barrar os descontos da Conafer relatou à polícia ter sido ameaçado de morte após exigir documentação da entidade.

  • Pedido de apresentação de autorizações dos beneficiários foi ignorado
  • Servidor afirmou que sofreu perseguição interna e externa
  • Caso foi incluído no inquérito como tentativa de intimidação

A denúncia interna pode ter sido fundamental para o avanço das investigações.

Governo suspende descontos automáticos e anuncia devolução

Diante da repercussão do caso, o governo federal anunciou a suspensão dos descontos automáticos em folha por parte de associações que atuam com beneficiários do INSS.

  • Medida visa impedir novas cobranças sem consentimento claro
  • Governo promete devolução de valores cobrados indevidamente
  • Ferramenta online será criada para facilitar contestação de débitos

A promessa é que os aposentados poderão acessar o portal “Meu INSS” para verificar e reverter descontos não autorizados. Acesse o portal pelo endereço: www.gov.br/meuinss

Próximos passos da investigação

A Polícia Federal segue colhendo depoimentos e analisando documentos financeiros da Conafer. O Ministério Público Federal também acompanha o caso.

  • Possíveis novas denúncias podem emergir nos próximos meses
  • Investigações apuram responsabilidade de servidores do INSS
  • Entidades de aposentados pedem maior rigor na autorização de descontos

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Talita Ferreira

Autor

Talita Ferreira

Talita Ferreira é redatora no portal Seu Crédito Digital, onde aplica seu rigor acadêmico e experiência em linguagem para tornar conteúdos econômicos, sociais e informativos mais claros e acessíveis. Doutoranda e Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), possui também pós-graduação em Revisão Textual e em Educação, Gêneros e Sexualidade pela UniVitória. É graduada em Letras pela UFJF e tem sólida atuação em revisão, produção de conteúdo e pesquisa em linguagem.

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