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Armadilhas da LCI e LCA após a Selic em 13,25%, confira o que os especialistas dizem

Descubra as oportunidades e riscos de investir em LCI, LCA e outros títulos de crédito privado com a Selic elevada a 13,25%.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Selic

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,25% ao ano tem impactado diretamente o mercado de investimentos, principalmente os ligados a crédito privado. Com a taxa de juros elevada, títulos como a Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e outros instrumentos de crédito têm se mostrado cada vez mais atrativos para os investidores que buscam bons retornos no curto prazo.

No entanto, especialistas alertam que é preciso ter cuidado com as armadilhas que podem surgir nesse ambiente de juros altos.

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O Impacto da Selic Alta no Mercado de Crédito Privado

Selic Impacto
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Com a Selic nas alturas, o retorno nominal de títulos atrelados ao CDI, como as debêntures e as letras de crédito, tende a aumentar, o que atrai investidores em busca de rentabilidade.

Segundo Gustavo Cruz, estrategista da corretora RB Investimentos, a busca por papéis de emissores de alto grau de investimento, como os classificados como triple A (AAA), tem se intensificado. Esse movimento, no entanto, pressiona a oferta de títulos de curto prazo, como as debêntures, resultando em uma compressão das emissões.

O Risco de Crédito e a Taxa de Retorno

Embora a alta da Selic tenha levado a um aumento nos rendimentos dos títulos de crédito privado, ela também eleva os riscos envolvidos nesses investimentos. A inflação mais alta, impulsionada pela taxa de juros elevada, faz com que os juros reais sejam ainda mais altos. Isso significa que, embora o retorno nominal dos investimentos seja atrativo, o risco de crédito das empresas também cresce.

De acordo com Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, um juro mais alto pode aumentar o custo das novas emissões e, consequentemente, elevar a taxa de retorno exigida pelo mercado. Isso se deve ao aumento do risco de crédito das empresas que, em um cenário de juros elevados, podem enfrentar dificuldades financeiras.

A Recomendação para Investidores no Curto Prazo

Diante desse cenário de alta da Selic, a recomendação de diversas corretoras é que os investidores busquem títulos de LCI, LCA, CRI e CRA com prazos de 2 a 3 anos, desde que sejam emitidos por empresas de bom crédito e com alto grau de investimento. Camilla Dolle, head de renda fixa da XP Investimentos, enfatiza a importância de “carregar” esses papéis até o vencimento, aproveitando a rentabilidade gerada por juros reais ainda altos.

Por outro lado, Marcel Andrade, head de soluções de investimento da SulAmérica, acredita que, apesar do aumento do custo financeiro para as empresas, elas podem buscar oportunidades no mercado por meio de fusões e aquisições, o que pode compensar o risco de crédito.

A “Pegadinha” dos Investimentos Atrelados ao CDI

Embora o aumento da taxa Selic eleve os rendimentos de títulos como LCI, LCA e CDB atrelados ao CDI, especialistas alertam para uma “pegadinha” que pode ser perigosa para os investidores. Segundo Andrade, os ganhos no CDI são atrativos para quem busca liquidez imediata, mas os juros reais embutidos nos investimentos de longo prazo ainda continuam elevados.

Rafael Baellas, diretor de Produtos da InvestSmart, lembra que os investidores que buscam proteção contra a inflação devem optar por títulos atrelados ao IPCA, como os CRI, CRA e debêntures incentivadas, pois somente esses ativos oferecem proteção real contra o aumento da inflação.

Riscos de Crédito e Gestão Diligente

Em um cenário de juros elevados, a análise do risco de crédito se torna ainda mais crucial. Baellas recomenda que os investidores monitorem de perto a saúde financeira dos emissores dos títulos, pois o risco associado a essas empresas pode se tornar um fator determinante no sucesso do investimento.

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O gestor de investimentos alerta para a necessidade de uma gestão rigorosa, principalmente quando o investidor busca otimizar seus ganhos no mercado de crédito privado.

Isenção Fiscal e Atração dos Títulos de Crédito Privado

Imagem: SewCreamStudio/shutterstock.com

Um dos grandes atrativos das LCIs e LCAs, além de seus rendimentos em um cenário de juros altos, é a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas. Essa vantagem fiscal pode tornar esses ativos ainda mais interessantes em um ambiente de Selic elevada, como o atual, potencializando o rendimento líquido desses papéis.

Andrade, da SulAmérica, sugere que os investidores com perfil conservador priorizem fundos DI e ativos com liquidez imediata, além de investir em LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas. Essas opções, embora com risco moderado, são consideradas seguras para quem busca rentabilidade no curto e médio prazo, mas com cautela quanto à saúde financeira dos emissores.

Conclusão: O Equilíbrio Entre Rentabilidade e Risco

Em um cenário de juros altos como o atual, as LCIs, LCAs e outros títulos de crédito privado ganham destaque pela rentabilidade oferecida, mas também apresentam riscos que não podem ser ignorados. O aumento da taxa Selic gera um retorno nominal mais atrativo, mas também eleva os riscos de crédito das empresas, o que exige uma análise criteriosa por parte dos investidores.

Por isso, a chave para um bom desempenho nesse ambiente de altos juros está em balancear a busca por rentabilidade com uma gestão diligente de risco. O investidor que souber aproveitar as oportunidades, sem cair nas armadilhas da liquidez imediata e dos riscos elevados, poderá se beneficiar do momento atual.

Imagem: Monster Ztudio / Shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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