Após o Congresso Nacional derrubar o decreto do governo federal que elevava as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o mercado financeiro e os consumidores têm uma grande dúvida: como ficam as operações financeiras que envolvem compras no cartão de crédito internacional, transferências para contas no exterior via serviços como Nomad e Wise, além dos empréstimos para pequenas empresas? Este artigo esclarece essas questões, detalhando as mudanças e os impactos da decisão legislativa.
Saiba como ficam os cartões de crédito após queda do decreto do IOF
Após o Congresso derrubar o decreto que aumentava o IOF, entenda como ficam as alíquotas para cartões internacionais, transferências ao exterior e empréstimos.
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Histórico da alta do IOF

Em 22 de maio, o governo federal publicou um decreto aumentando o IOF com o objetivo de arrecadar R$ 61 bilhões em dois anos — sendo R$ 20 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026. O aumento atingia diversas operações financeiras, como transações com cartões internacionais e empréstimos. No entanto, a medida gerou forte reação no Congresso e no setor empresarial.
Reação e recuo do governo
No mesmo dia da publicação, diante da pressão dos parlamentares e dos empresários, o governo recuou parcialmente. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), concederam prazo para revisão do texto, que resultou em um novo decreto publicado em 11 de junho, com alterações na redação e nas alíquotas do IOF.
Quais eram as alíquotas previstas?
O decreto original e o posterior revisto traziam as seguintes alíquotas para operações financeiras:
| Operação | Decreto original (%) | Decreto revisto (%) |
|---|---|---|
| Cartões internacionais (crédito, débito, pré-pago) | 3,5 | 3,38 |
| Cartão de conta internacional (Wise, Nomad) | 3,5 | 1,1 |
| Remessa para conta no exterior (gastos pessoais) | 3,5 | 1,1 |
| Remessa para conta no exterior (investimentos) | 3,5 (antes recuo) / 1,1 (após recuo) | 0,38 |
| Compra de moeda estrangeira em espécie | 3,5 | 1,1 |
| Empréstimos de curto prazo (até 364 dias) | 3,5 | zero |
| Transferência de fundos ao exterior (fundos brasileiros) | zero | zero |
| Crédito para empresas (PJ) | 0,38 + 0,0082% ao dia | 0,38 + 0,0041% ao dia |
| Crédito para empresas do Simples Nacional | 0,38 + 0,00274% ao dia | 0,38 + 0,00137% ao dia |
| Crédito para MEI | 0,38 + 0,00274% ao dia | 0,38 + 0,00137% ao dia |
| Operações de risco sacado | 0,0082% ao dia | Isento |
| Aportes em VGBL e similares (2025) | 5% sobre excedente a R$ 300 mil | Isento |
| Aportes em VGBL e similares (2026) | 5% sobre excedente a R$ 600 mil | Isento |
Fonte: decreto do IOF
Como fica o IOF após a derrubada do decreto?

Com a aprovação do projeto de decreto legislativo (PDL) para sustar o aumento do IOF, as alíquotas voltam ao patamar anterior ao decreto do governo. Em outras palavras, é como se o vaivém no IOF nunca tivesse acontecido.
O que significa essa derrubada?
A derrubada do decreto presidencial foi um fato inédito desde 1992, marcando um claro momento de tensão entre Executivo e Legislativo. A votação para sustar o decreto foi expressiva, com 383 votos a favor contra 98 contrários.
Impactos para o governo e o mercado
Perda de receita e ajuste fiscal
O segundo decreto do governo previa uma receita adicional de R$ 20 bilhões em dois anos, que agora deixa de existir. Com isso, o governo terá que buscar outras fontes de receita ou adotar medidas para conter gastos, a fim de evitar novos congelamentos orçamentários.
Reação do Ministério da Fazenda
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, manifestou discordância com a decisão, defendendo a judicialização do tema. Segundo ele, a derrubada do IOF seria “flagrantemente inconstitucional”, mas reconheceu a tensão natural entre poderes quando uma medida é contestada.
Operações afetadas com mais detalhes
Cartões internacionais
Antes do decreto, o IOF para cartões internacionais era de 3,38%. Com a tentativa do governo de aumentar para 3,5%, houve aumento mínimo, porém significativo para o consumidor. Agora, com a derrubada, retorna o percentual menor.
Cartões de conta internacional (Wise, Nomad, Avenue)
O IOF para operações via esses cartões voltará a ser de 1,1%, muito inferior aos 3,5% previstos inicialmente.
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Transferências e remessas ao exterior
As remessas para conta no exterior com finalidade pessoal retornam a 1,1%, enquanto para investimentos mantêm-se 0,38%.
Empréstimos para empresas e MEI
O IOF para operações de crédito para pessoas jurídicas e microempreendedores individuais (MEI) segue com as alíquotas anteriores, que são menores e mais favoráveis ao desenvolvimento das pequenas empresas.
O que esperar daqui para frente?

A busca por alternativas fiscais
Sem a receita esperada do aumento do IOF, o governo precisa revisar seu planejamento financeiro, possivelmente alterando outras alíquotas, aumentando impostos ou promovendo cortes de despesas.
Impacto político e econômico
A derrubada evidencia o poder do Legislativo de frear medidas do Executivo, o que pode aumentar a insegurança jurídica em relação a mudanças tributárias.
Conclusão
A derrubada do decreto que aumentava o IOF representa uma vitória do Congresso sobre o Executivo e revela a força da pressão política e empresarial diante de medidas que impactam diretamente o bolso dos brasileiros. Com a decisão, as alíquotas retornam aos patamares anteriores, beneficiando consumidores, empresas e investidores. No entanto, o impasse acende um alerta sobre a instabilidade nas políticas fiscais e a necessidade de diálogo entre os Poderes para garantir equilíbrio econômico sem comprometer a previsibilidade do ambiente financeiro.
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