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IPCA fraco e Treasuries em baixa fazem taxas futuras de juros caírem

As taxas de juros negociadas no mercado futuro brasileiro operaram em queda na manhã desta terça-feira, 27 de maio de 2025. O movimento reflete a combinação de dois fatores relevantes: o resultado mais fraco do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) e a queda acentuada nas taxas dos Treasuries, os títulos […]

Avatar de Juliana Peixoto Juliana Peixoto · · 4 min de leitura
IPCA Treasuries

As taxas de juros negociadas no mercado futuro brasileiro operaram em queda na manhã desta terça-feira, 27 de maio de 2025. O movimento reflete a combinação de dois fatores relevantes: o resultado mais fraco do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) e a queda acentuada nas taxas dos Treasuries, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

O IPCA-15 de maio ficou em 0,36%, próximo do piso das estimativas do mercado, que variavam entre 0,35% e 0,53%, segundo levantamento do Projeções Broadcast. O dado reforça a percepção de que a inflação segue controlada no Brasil, o que, por sua vez, reduz a pressão sobre as taxas de juros futuras.

No cenário internacional, a curva de juros americana também apresenta recuo. A decisão dos Estados Unidos de adiar a imposição de uma tarifa comercial de 50% sobre produtos da União Europeia contribuiu para aliviar as tensões no mercado global. Soma-se a isso a expectativa pela divulgação de novos dados econômicos americanos, que podem reforçar a visão de um Federal Reserve (Fed) mais cauteloso quanto ao aperto monetário.

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Queda generalizada nas taxas futuras no Brasil

queda de juros
Imagem: Freepik

Juros recuam após surpresa positiva no IPCA-15

Os principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) abriram o dia em queda:

  • DI para janeiro de 2026: caiu de 14,720% para 14,685%
  • DI para janeiro de 2027: recuou de 13,955% para 13,830%
  • DI para janeiro de 2029: passou de 13,582% para 13,410%

A leitura de uma inflação menor do que a prevista reforça a tese de que o Banco Central pode manter uma política monetária mais flexível nos próximos meses.

Análise dos especialistas

Para Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, “o IPCA-15 veio praticamente no piso das projeções e mostra que os efeitos dos juros altos seguem impactando o consumo e segurando os preços. Isso é um alívio, sobretudo diante das pressões recentes sobre os alimentos”.

Já Mariana Vieira, economista da Ágora Investimentos, acrescenta que o ambiente externo também favorece o recuo das taxas. “As Treasuries em queda são reflexo de um mercado mais propenso a acreditar em uma desaceleração econômica nos EUA, o que diminui a pressão sobre os ativos emergentes, como o Brasil.”


Impacto das Treasuries no mercado brasileiro

Treasuries ipca
Imagem: Reprodução/Shutterstock

Cenário internacional contribui para o alívio local

As taxas dos Treasuries — títulos do governo dos EUA que servem como referência global para ativos de renda fixa — estão em forte queda nesta terça-feira. O movimento reflete principalmente:

  • Adiamento da tarifa de 50% sobre produtos europeus, reduzindo temores de guerra comercial.
  • Expectativa de dados econômicos fracos nos EUA, que podem levar o Fed a revisar a trajetória de juros.

Esse comportamento dos Treasuries influencia diretamente os mercados emergentes. Com menos atratividade nos títulos americanos, investidores buscam alternativas, como os ativos brasileiros, o que valoriza a moeda local e reduz a pressão sobre os juros.

Federal Reserve sob pressão

O mercado monitora de perto os próximos passos do Federal Reserve. A possibilidade de manutenção dos juros por mais tempo, ou até cortes caso a economia americana mostre sinais de fraqueza, é um dos fatores que pressionam as taxas dos Treasuries para baixo.


Perspectivas para os juros no Brasil

O que esperar nos próximos meses?

Com a inflação sob controle, o mercado começa a precificar uma trajetória de queda para os juros futuros no Brasil, embora ainda com cautela.

Fatores que podem influenciar:

  • Cenário interno: Se os próximos indicadores de inflação seguirem comportados, o Banco Central pode manter a Selic em patamares menores.
  • Cenário externo: A condução da política monetária nos EUA e na Europa seguirá sendo determinante para o humor dos mercados.
  • Fiscal: A situação das contas públicas brasileiras também é um ponto de atenção.

Riscos no radar

Apesar do movimento de queda, há riscos que podem inverter essa tendência:

  • Eventuais choques de oferta, como alta de combustíveis ou alimentos.
  • Piora nas condições fiscais internas.
  • Mudanças abruptas na política monetária dos EUA.

Imagem: Jo Panuwat D / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

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