Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

IPO da Shein pode avaliar empresa em US$ 25 bilhões; entenda a queda

Shein prepara IPO em Hong Kong com avaliação de US$ 25 bilhões, bem abaixo do valor alcançado em 2022. Entenda os motivos da queda.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··11 min de leitura
shein

A Shein se prepara para um dos IPOs mais aguardados do comércio eletrônico, mas chegará ao mercado valendo bem menos do que há quatro anos. A varejista busca uma avaliação próxima de US$ 25 bilhões em sua possível abertura de capital na Bolsa de Hong Kong.

O valor corresponde a aproximadamente um quarto dos US$ 98,2 bilhões atribuídos à companhia em uma rodada privada de investimentos realizada em 2022. A diferença mostra que o entusiasmo dos investidores diminuiu diante do crescimento mais lento, da concorrência e das mudanças nas regras de importação.

A oferta ainda não está concluída. Isso significa que a avaliação, o número de ações e a data da estreia podem mudar até a precificação final. Para o consumidor brasileiro, nada muda imediatamente nas compras, mas o resultado do IPO poderá influenciar os planos de expansão e investimento da empresa.

Leia mais:

O que está acontecendo com a Shein

Shein
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A Shein apresentou o pedido para listar suas ações na Bolsa de Hong Kong e recebeu autorização das autoridades chinesas para avançar com o processo. O documento preliminar da companhia também foi disponibilizado pela operadora da bolsa.

A empresa trabalha com uma avaliação entre US$ 25 bilhões e US$ 28 bilhões, segundo informações obtidas pela Reuters com pessoas próximas à operação. A faixa é inferior aos US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões considerados anteriormente.

A varejista poderá vender até 8% de suas ações. Caso seja avaliada em US$ 25 bilhões e utilize todo esse percentual, a operação poderá movimentar aproximadamente US$ 2 bilhões.

Ainda assim, esses números não são definitivos. O valor final será influenciado pela demanda apresentada por fundos, bancos, gestores e outros investidores durante a coleta de intenções de compra.

O que é um IPO e como ele funciona

IPO é a sigla em inglês para oferta pública inicial. Trata-se do processo pelo qual uma empresa fechada vende ações ao público e passa a ser negociada em uma bolsa de valores.

Antes do IPO, as ações normalmente pertencem aos fundadores, funcionários e investidores privados. Depois da listagem, pessoas e instituições autorizadas a operar naquele mercado podem comprar e vender os papéis.

Como o preço é definido

A empresa e os bancos responsáveis apresentam informações financeiras, perspectivas de crescimento e riscos aos investidores. Em seguida, recolhem indicações sobre quantas ações os participantes aceitariam comprar e a qual preço.

Esse procedimento é conhecido como coleta de intenções de investimento. A partir da demanda, a companhia define o preço inicial de cada ação.

A avaliação total resulta, de forma simplificada, da multiplicação entre o preço por ação e o número de ações da empresa.

Por exemplo, uma avaliação de US$ 25 bilhões não significa que a Shein receberá esse valor em dinheiro. Esse seria o valor estimado da companhia inteira. Como apenas uma parcela será oferecida, o montante captado será menor.

Por que a avaliação caiu tanto desde 2022

A Shein cresceu rapidamente durante a expansão do comércio eletrônico na pandemia. Em 2022, investidores privados avaliaram a companhia em US$ 98,2 bilhões, colocando-a entre as startups mais valiosas do mundo.

O ambiente atual é diferente. Os juros, a concorrência, as tarifas comerciais e a fiscalização sobre plataformas internacionais aumentaram. Ao mesmo tempo, os investidores ficaram mais exigentes em relação a lucro e geração de caixa.

Crescimento mais lento preocupa investidores

O modelo da Shein depende de grande escala, alta frequência de pedidos e lançamento constante de produtos. Quando as vendas crescem menos, os custos de marketing, transporte, devolução e armazenamento pesam mais nos resultados.

Investidores consultados pela Reuters demonstraram dúvidas sobre a capacidade da varejista de recuperar as taxas de crescimento que sustentaram sua avaliação em 2022.

A redução não indica necessariamente que a empresa esteja perto de encerrar as atividades. Ela mostra que o mercado passou a aceitar pagar menos por cada unidade de receita ou lucro esperada.

Mudanças nos Estados Unidos elevaram os custos

Outro fator importante foi o fim de uma isenção tarifária norte-americana aplicada a pequenas encomendas. Essa regra ajudava plataformas internacionais a enviar produtos diretamente aos consumidores com menor custo tributário.

Com a mudança, parte das mercadorias ficou mais cara para entrar nos Estados Unidos. A Shein precisou rever preços, rotas e estratégias logísticas em um de seus maiores mercados.

No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de US$ 99 milhões. O período também foi afetado por um encargo contábil extraordinário, que não representa necessariamente uma saída imediata de dinheiro, mas reduz o resultado apresentado nas demonstrações financeiras.

Temu e outras varejistas ampliaram a disputa

A concorrência também ficou mais intensa. A Shein enfrenta a Temu no comércio eletrônico de baixo custo e redes tradicionais como Zara, H&M, Uniqlo e Primark no setor de moda.

Essas empresas adotam modelos diferentes, mas disputam o mesmo orçamento do consumidor. Para manter clientes, a Shein precisa investir em publicidade, promoções, tecnologia e entregas mais rápidas.

O risco é entrar em uma disputa na qual o custo para conquistar cada comprador aumenta enquanto as margens diminuem.

Pressões regulatórias afetam o modelo de negócio

A varejista enfrenta questionamentos relacionados às condições de trabalho de fornecedores, ao impacto ambiental da moda de produção acelerada e à transparência de sua cadeia.

Também existem debates sobre direitos autorais, segurança dos produtos e tratamento tributário das encomendas internacionais.

Esses riscos são considerados pelos investidores porque podem resultar em multas, restrições, despesas adicionais ou mudanças no funcionamento da plataforma.

Por que a Shein escolheu Hong Kong

A abertura de capital em Hong Kong representa uma mudança de rota. A empresa tentou avançar com uma listagem nos Estados Unidos em 2023 e depois buscou uma operação em Londres, em 2025.

Os dois processos não foram concluídos. As tentativas esbarraram em dificuldades regulatórias e políticas relacionadas principalmente à cadeia de fornecedores da empresa na China.

Embora tenha transferido sua sede para Singapura, a Shein mantém uma parte essencial de sua operação e de seus fornecedores no território chinês. Isso faz com que a companhia continue sujeita a autorizações de autoridades da China.

A Comissão Reguladora de Valores Mobiliários chinesa autorizou a emissão de até 341,6 milhões de ações ordinárias. Entretanto, o documento preliminar publicado pela Bolsa de Hong Kong deixa claro que o pedido de listagem ainda está sujeito à aprovação final e pode sofrer mudanças.

Hong Kong oferece uma combinação importante para a empresa: proximidade com sua cadeia produtiva, acesso a investidores internacionais e um ambiente acostumado a receber grandes companhias asiáticas.

O IPO significa que a Shein está em crise?

Não necessariamente. Uma avaliação menor representa uma revisão das expectativas, mas não equivale a uma falência ou falta imediata de recursos.

A companhia vende para consumidores em aproximadamente 160 países e continua entre as maiores plataformas de moda do mundo. O problema é que o preço discutido para o IPO indica uma visão mais cautelosa sobre seu crescimento e sua rentabilidade futura.

A comparação também exige cuidado. A avaliação de US$ 98,2 bilhões foi alcançada em uma negociação privada, envolvendo um grupo restrito de investidores. No IPO, o preço será testado por um conjunto maior de participantes e sob informações financeiras mais detalhadas.

Além disso, avaliações privadas podem refletir condições especiais concedidas aos investidores, como preferência no recebimento de valores ou mecanismos de proteção contra uma futura desvalorização.

Investidores antigos podem receber mais ações

A forte redução da avaliação poderá ativar cláusulas de proteção negociadas em rodadas anteriores. Dependendo dos contratos, investidores que compraram participações por um valor mais alto podem receber ações adicionais.

Esse mecanismo é conhecido como proteção antidiluição. Ele procura reduzir o prejuízo do investidor quando a empresa emite ações posteriormente por um preço inferior.

Imagine que um fundo tenha investido quando a companhia valia quase US$ 100 bilhões. Se o IPO considerar uma avaliação de US$ 25 bilhões, sua participação poderá valer muito menos do que o esperado.

A entrega de ações extras oferece alguma compensação. Por outro lado, também pode diluir os demais acionistas, pois aumenta a quantidade de papéis distribuídos.

O que a Shein pode fazer com o dinheiro

Se a oferta movimentar aproximadamente US$ 2 bilhões, o dinheiro poderá financiar projetos de tecnologia, logística, marcas próprias e expansão internacional.

Entretanto, será necessário consultar o prospecto definitivo para saber quanto ficará diretamente com a Shein. Em alguns IPOs, parte das ações é vendida por investidores antigos.

Quando a empresa emite novos papéis, os recursos entram no caixa corporativo. Quando um acionista existente vende sua participação, o dinheiro vai para esse vendedor.

O prospecto final também deverá detalhar os custos da operação, as destinações previstas e os riscos considerados relevantes pela administração.

O que pode mudar para o consumidor brasileiro

No curto prazo, o IPO não muda o funcionamento do aplicativo, os preços ou as regras de importação no Brasil. A abertura de capital é uma operação financeira realizada no exterior.

Os efeitos poderão aparecer gradualmente. Com novos recursos, a Shein poderá investir em centros de distribuição, vendedores nacionais, fabricação local, tecnologia e prazos menores de entrega.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Por outro lado, a pressão por rentabilidade pode levar a empresa a reduzir descontos, rever fretes ou selecionar com mais rigor os mercados em que investirá.

No Brasil, as compras internacionais continuam sujeitas às normas aduaneiras e tributárias nacionais. A eventual entrada da Shein na bolsa não elimina impostos nem altera automaticamente o Programa Remessa Conforme.

Brasileiros poderão comprar ações da Shein?

A listagem em Hong Kong não torna as ações automaticamente disponíveis na B3. Para investir diretamente, o brasileiro precisaria ter acesso a uma corretora que opere naquele mercado e aceitar regras específicas de câmbio, tributação e declaração.

Outra possibilidade seria o lançamento futuro de um BDR, certificado negociado na B3 que representa uma ação estrangeira. Até a conclusão do IPO e o anúncio de um produto desse tipo, não há garantia de acesso pela bolsa brasileira.

Fundos internacionais também poderão investir na empresa depois da listagem. Nesse caso, o brasileiro teria uma exposição indireta, junto com outros ativos da carteira.

O investidor deve considerar riscos cambiais, regulatórios e empresariais. O fato de uma marca ser popular entre consumidores não significa que suas ações sejam necessariamente um bom investimento.

O que precisa acontecer antes da estreia

A operação ainda depende de etapas importantes:

  • aprovação definitiva da listagem;
  • publicação do prospecto final;
  • definição da faixa de preço;
  • apresentação da oferta aos investidores;
  • confirmação da quantidade de ações;
  • cálculo do preço final;
  • início das negociações.

A imprensa internacional aponta a possibilidade de estreia ainda em agosto de 2026. Porém, a Shein não havia confirmado publicamente todos os detalhes até a divulgação das informações.

Mudanças na demanda ou nas condições do mercado podem reduzir o tamanho da oferta, alterar o preço ou adiar a estreia.

O IPO será um teste para o modelo da Shein

Mais do que captar dinheiro, a abertura de capital mostrará quanto os investidores estão dispostos a pagar pelo modelo de moda rápida da Shein.

Se a demanda for elevada, a companhia poderá demonstrar que ainda existe confiança em sua expansão. Se precisar reduzir novamente o preço, o mercado enviará um sinal de preocupação com crescimento, margens e riscos regulatórios.

O próximo passo é acompanhar o prospecto definitivo e a precificação. Até lá, os US$ 25 bilhões devem ser tratados como uma avaliação buscada pela companhia, e não como um valor final confirmado.

Perguntas frequentes

Crédito: Reprodução Adobe Stock

O que significa o IPO da Shein?

Significa que a Shein pretende vender ações ao público e passar a ser negociada na Bolsa de Hong Kong. A operação poderá captar recursos e dar liquidez aos investidores antigos.

A Shein já está listada na bolsa?

Ainda não. A empresa avançou no processo regulatório, mas a listagem depende das etapas finais, da definição do preço e da confirmação da oferta.

Quanto a Shein pretende valer no IPO?

A avaliação discutida com investidores está próxima de US$ 25 bilhões, podendo ficar entre US$ 25 bilhões e US$ 28 bilhões. O valor ainda pode mudar.

Por que a Shein vale menos do que em 2022?

A queda reflete crescimento mais lento, pressão sobre as margens, concorrência, aumento dos custos comerciais e riscos regulatórios. Em 2022, a empresa havia sido avaliada em US$ 98,2 bilhões.

Quanto a Shein pode captar?

Se vender 8% das ações com uma avaliação de US$ 25 bilhões, a operação poderá movimentar aproximadamente US$ 2 bilhões. O montante definitivo dependerá do preço e do número de ações.

O IPO mudará as compras da Shein no Brasil?

Não imediatamente. Preços, impostos e regras de importação continuam sujeitos às decisões comerciais da empresa e à legislação brasileira.

É possível comprar ações da Shein no Brasil?

A listagem em Hong Kong não garante negociação na B3. O acesso poderá ocorrer por corretoras internacionais, fundos ou um eventual BDR, caso esse certificado seja criado futuramente.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Compartilhar
Seu Crédito Digital

Descubra tudo que você tem direito

Benefícios, crédito e dinheiro esquecido: veja as ofertas e ferramentas que separamos para o seu perfil.