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Cobrança de IPTU para túmulos? Entenda esta polêmica

Entenda a polêmica sobre a suposta cobrança de IPTU para túmulos em São Paulo. Desvende se a informação é verdadeira!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Cobrança de IPTU para túmulos? Entenda esta polêmica

Nos últimos tempos, boatos têm circulado nas redes sociais sobre uma possível cobrança de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para túmulos.

Um exemplo desse tipo de desinformação apareceu em postagens ligadas à campanha de Guilherme Boulos (PSOL), candidato à prefeitura de São Paulo, sugerindo que ele estaria propondo tal cobrança. No entanto, essas informações são falsas, como foi esclarecido pela própria campanha de Boulos.

A Origem da Fake News

Cobrança de IPTU para túmulos? Entenda esta polêmica
Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A desinformação começou a circular com uma montagem que mostrava a foto de um cemitério e o título: “Prefeito PeTista de Araraquara consegue aprovar cobrança de IPTU para túmulos”. A imagem foi acompanhada pela seguinte frase: “Cobrança de IPTU de Túmulos”, sugerindo que essa seria uma proposta também para a cidade de São Paulo, caso Guilherme Boulos fosse eleito.

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A peça de desinformação foi amplamente compartilhada, com muitos usuários acreditando que o candidato do PSOL estaria planejando implementar a cobrança de impostos sobre túmulos na capital paulista.

Entretanto, a campanha de Boulos desmentiu categoricamente essa informação. Em nota, a equipe do candidato deixou claro que o plano de governo não inclui, nem nunca incluiu, qualquer proposta relacionada à cobrança de IPTU para túmulos em cemitérios.

Por que a Informação é Falsa?

Existem vários fatores que demonstram que a informação de que Boulos teria planos de cobrar IPTU sobre túmulos é totalmente falsa:

  1. Desmentido pela Campanha de Boulos: Em nota oficial, a equipe do candidato esclareceu que não há nenhuma projeto de cobrança de IPTU sobre túmulos em seu plano de governo. A campanha afirmou não ter, em momento algum, considerado ou sugerido essa possibilidade.
  2. Confusão com a Taxa de Manutenção: Em São Paulo, cemitérios já cobram uma taxa anual de manutenção, que varia de R$ 4,66 a R$ 209,05 por metro quadrado, conforme regulamentado pelo decreto n.º 59.196 de 29 de janeiro de 2020. Essa taxa, no entanto, não é um imposto, mas sim uma cobrança específica por serviços funerários e cemiteriais, administrados por concessionárias. Essa confusão entre uma taxa de manutenção e o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) pode ter contribuído para a viralização do boato.
  3. O Caso de Araraquara: A cidade de Araraquara, mencionada nas postagens como a primeira a cobrar IPTU sobre túmulos, na verdade, implementou uma taxa de manutenção e não um IPTU. Em junho de 2022, a Câmara de Vereadores de Araraquara aprovou a cobrança de uma taxa de manutenção para o Cemitério Municipal São Bento. Essa medida foi adotada para regularizar as sepulturas e coibir práticas fraudulentas, como a venda clandestina de túmulos.
  4. Esclarecimento da Prefeitura de Araraquara: Em nota, a prefeitura de Araraquara também esclareceu que não existe cobrança de IPTU para túmulos na cidade. O que foi aprovado pela Câmara de Vereadores foi uma taxa de manutenção específica para o Cemitério São Bento, similar à que já era cobrada no Cemitério dos Britos, também em Araraquara.

IPTU x Taxa de Manutenção: Qual a Diferença?

É importante entender a diferença entre um imposto e uma taxa. O IPTU é um imposto cobrado de proprietários de imóveis em áreas urbanas e tem como base o valor venal da propriedade, a localização, o uso do terreno e o tamanho da construção. Já as taxas são cobranças específicas por serviços públicos oferecidos, como a taxa de manutenção em cemitérios, que cobre os custos de manutenção e conservação das sepulturas.

No caso de São Paulo e Araraquara, as taxas aplicadas aos cemitérios são cobradas para a manutenção do espaço, mas não têm nenhuma relação com o IPTU, destinado a imóveis e terrenos urbanos habitáveis.

O Impacto da Desinformação

A disseminação de notícias falsas, como a suposta cobrança de IPTU para túmulos, tem um impacto direto na percepção pública e pode prejudicar candidatos em campanhas políticas. No caso de Guilherme Boulos, a fake news se espalhou rapidamente nas redes sociais, afetando a opinião pública antes de ser desmentida oficialmente.

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Fake news como essa alimentam a polarização política e criam desinformação que confunde o eleitor. A campanha eleitoral, que já é carregada de emoções e rivalidades, se torna ainda mais caótica quando boatos e mentiras são compartilhados como verdades.

Cemitérios e Concessões em São Paulo

Cobrança de IPTU para túmulos? Entenda esta polêmica
Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil

Os cemitérios de São Paulo são administrados por concessionárias, conforme o decreto n.º 61.989 de 18 de novembro de 2022. Esses operadores são responsáveis pela manutenção e funcionamento dos cemitérios, e as taxas cobradas estão relacionadas aos serviços que prestam, como manutenção, segurança e administração dos espaços.

A lista dos cemitérios e as respectivas concessionárias podem ser encontradas no site da Prefeitura de São Paulo, reforçando a transparência do processo e a clareza sobre os tipos de cobranças feitas aos concessionários de túmulos.

Considerações finais

A alegação de que Guilherme Boulos, ou qualquer outro candidato, cogita implementar a cobrança de IPTU para túmulos em São Paulo é completamente falsa. As taxas cobradas em cemitérios já existem sendo relacionadas à manutenção do espaço, e não a um imposto como o IPTU.

A disseminação de fake news é prejudicial ao debate público, e a checagem de fatos desempenha um papel crucial na preservação da verdade e da integridade das campanhas políticas. Ao se deparar com informações suspeitas, é sempre importante verificar a fonte antes de compartilhá-las.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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