O prazo para entrega do Imposto de Renda 2026 já completou um mês com mais de 11 milhões de declarações enviadas à Receita Federal do Brasil. Desse total, cerca de 76% dos contribuintes têm direito à restituição — ou seja, receberão de volta valores pagos a mais ao longo do ano.
Veja se vale a pena declarar o Imposto de Renda perto do prazo final
Entenda se vale atrasar a declaração do IR 2026 para ganhar mais com a Selic e veja riscos, calendário e prioridades.
O pagamento começa em 29 de maio, data que também marca o último dia para envio da declaração sem multa. A partir daí, surge uma dúvida comum: vale a pena entregar mais tarde para receber uma restituição maior?
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Como funciona a restituição do Imposto de Renda
A restituição é devolvida pela Receita Federal em lotes mensais, seguindo dois critérios principais:
- Ordem de entrega da declaração
- Prioridades legais definidas em lei
Ou seja, quem declara primeiro tende a receber antes — mas existem exceções importantes.
Ordem de prioridade da restituição
A legislação estabelece grupos prioritários, independentemente da data de envio:
- Idosos com mais de 80 anos
- Idosos acima de 60 anos, pessoas com deficiência ou doença grave
- Contribuintes cuja principal renda seja o magistério
- Quem usa declaração pré-preenchida e opta por Pix
- Quem usa pré-preenchida ou Pix
- Demais contribuintes
Essa combinação entre prioridade e ordem de envio define quando o dinheiro cairá na conta.
Calendário da restituição do IR 2026
Com base no cronograma divulgado, os pagamentos devem ocorrer nas seguintes datas:
- 1º lote: 29 de maio de 2026
- 2º lote: 30 de junho de 2026
- 3º lote: 31 de julho de 2026
- 4º lote: 28 de agosto de 2026
A expectativa do Fisco é que cerca de 80% dos contribuintes recebam até o fim de junho, concentrando a maior parte dos pagamentos nos primeiros lotes.
Por que a restituição pode render mais nos últimos lotes
Um detalhe pouco conhecido chama atenção: o valor da restituição não é fixo.
Segundo especialistas, ele é corrigido pela taxa básica de juros da economia, a Taxa Selic, atualmente em torno de 14,75% ao ano.
Essa correção ocorre a partir do mês seguinte ao fim do prazo de entrega.
O que isso significa na prática
- Quem recebe no primeiro lote tem pouca ou nenhuma correção
- Quem recebe nos últimos lotes acumula mais meses de juros
- O rendimento é isento de Imposto de Renda
Na prática, isso pode fazer com que o valor recebido mais tarde seja maior do que o original — e, em alguns casos, superior a investimentos conservadores.
Exemplo simples
Imagine uma restituição de R$ 2.000:
- Recebida em maio: praticamente sem correção
- Recebida em agosto: pode ter acréscimo relevante com base na Selic acumulada
Esse ganho funciona como uma espécie de “aplicação automática”, sem risco e sem tributação.
Vale a pena atrasar a entrega para ganhar mais?
Apesar da vantagem financeira aparente, especialistas são diretos: não vale o risco.
Riscos de deixar para a última hora
Segundo profissionais da área contábil, como os da NTW Contabilidade, o atraso pode gerar problemas como:
- Esquecimento de documentos importantes
- Informações incorretas ou incompletas
- Sistema da Receita congestionado no último dia
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Esses fatores aumentam o risco de erros — e isso pode ter consequências sérias.
O perigo da malha fina
Ao identificar inconsistências, a Receita pode reter a declaração na chamada “malha fina”.
As consequências incluem:
- Atraso no pagamento da restituição
- Necessidade de correção e envio de documentos
- Multas a partir de R$ 165,74
Ou seja, um pequeno erro pode anular qualquer ganho obtido com a correção pela Selic.
Entregar cedo continua sendo a melhor estratégia
Mesmo com a possibilidade de rendimento maior nos últimos lotes, o consenso entre especialistas é claro:
- Entregar cedo garante mais segurança
- Reduz o risco de erros
- Aumenta as chances de receber rapidamente
Além disso, quem utiliza a declaração pré-preenchida e opta por Pix pode subir na fila de prioridade, mesmo declarando depois de outros contribuintes.
Restituição corrigida pela Selic preserva o valor
Um ponto positivo do sistema atual é que, independentemente do lote, o valor é corrigido pela Selic.
Isso significa que:
- O poder de compra é preservado
- Há proteção contra a inflação
- Existe ganho real em períodos de juros altos
Na prática, o contribuinte não perde ao esperar — mas também não deve arriscar por isso.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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