No último mês de dezembro, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou um projeto de lei que promete beneficiar os proprietários de veículos híbridos e movidos a hidrogênio com a isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Isenção de IPVA para híbridos é aprovada em SP: o que esperar dos carros elétricos?
A Assembleia Legislativa de SP aprovou isenção de IPVA para carros híbridos e movidos a hidrogênio, mas veículos elétricos ficaram de fora. Entenda as críticas e as implicações dessa decisão para a sustentabilidade
A medida, que entra em vigor em 2025, tem como principal objetivo incentivar a adoção de veículos menos poluentes e reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Porém, a exclusão dos carros 100% elétricos dessa isenção gerou polêmica, suscitando debates sobre a eficácia da proposta.
Leia mais: Carros por assinatura conquistam mercado brasileiro; saiba mais
A medida aprovada e seus impactos
A isenção de IPVA em São Paulo, prevista para vigorar a partir de 2025, contempla carros híbridos (aqueles que possuem motor elétrico e motor a combustão) movidos exclusivamente por etanol ou que usem etanol como alternativa ao combustível.
A medida também inclui veículos movidos exclusivamente a hidrogênio ou gás natural (como o biometano). No entanto, os carros totalmente elétricos, que não emitem poluentes durante seu funcionamento, ficaram de fora.

Quais veículos serão beneficiados?
Os principais beneficiados pela nova lei são:
- Veículos híbridos flex (etanol e gasolina ou etanol e eletricidade): Serão isentos do IPVA, desde que o preço do veículo não ultrapasse R$ 250 mil;
- Veículos movidos exclusivamente a hidrogênio: Tanto carros de passeio quanto ônibus e caminhões que operam com esse tipo de combustível também se qualificam para a isenção;
- Veículos movidos a gás natural ou biometano: Ônibus e caminhões que operam com essas fontes de energia renovável estarão livres do IPVA.
Esses benefícios se aplicam aos anos de 2025 e 2026, com a previsão de aumento gradual da alíquota do imposto nos anos subsequentes.
As críticas sobre a exclusão dos elétricos
Apesar de ser uma medida positiva para veículos híbridos e movidos a hidrogênio, a decisão de deixar os carros 100% elétricos de fora gerou uma onda de críticas.
Para muitos especialistas e ativistas ambientais, a exclusão dos veículos totalmente elétricos do projeto de isenção de IPVA compromete a eficácia da iniciativa, especialmente considerando que os carros elétricos são conhecidos por sua contribuição na redução de poluentes.
Argumentos contra a exclusão dos carros elétricos
A Associação Brasileira de Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores (Abravei) foi uma das organizações que se manifestaram contrárias à medida.
De acordo com a entidade, a maioria dos proprietários de veículos híbridos flex, que representam 70% da frota, opta por usar gasolina em vez de etanol, o que torna a redução das emissões de gases de efeito estufa menos eficaz. Isso enfraquece a ideia de que o projeto de isenção de IPVA vai de fato promover uma mudança significativa na redução da pegada de carbono dos transportes em São Paulo.
Além disso, os veículos 100% elétricos não emitem nenhum tipo de poluente, ao contrário dos híbridos que, embora mais eficientes, ainda dependem de combustíveis fósseis para seu funcionamento. Portanto, a isenção para os carros elétricos poderia ter sido uma medida estratégica para acelerar a transição para um transporte mais sustentável.
Falta de incentivo para veículos 100% elétricos
A decisão de excluir os carros elétricos levanta uma questão importante: por que incentivar parcialmente a eletrificação dos veículos, mas não a total?
Para muitos críticos, os veículos elétricos representam o futuro da mobilidade sustentável, já que não emitem CO2 e não dependem de combustíveis fósseis. O incentivo para esses veículos seria uma ação direta para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e contribuir para as metas climáticas do Brasil.
Impacto econômico e ambiental da medida
Se por um lado, a isenção de IPVA para híbridos e carros a hidrogênio pode ser vista como uma forma de incentivar a redução de poluentes, por outro, o impacto real sobre as emissões de gases de efeito estufa pode ser limitado.
Os veículos híbridos, ao dependerem de combustíveis fósseis, ainda geram emissões, embora em menor volume. Por sua vez, os carros elétricos, ao serem movidos por eletricidade proveniente de fontes renováveis, têm um potencial muito maior de contribuir para um futuro mais limpo e sustentável.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A exclusão dos carros elétricos da isenção também pode ser interpretada como uma falha do projeto, uma vez que o Brasil tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com grande parte de sua energia proveniente de fontes renováveis, como hidrelétricas e energia solar.
O futuro do IPVA e a transição para a sustentabilidade
Com a aprovação do projeto de isenção de IPVA, as autoridades de São Paulo visam estimular uma mudança gradual no setor automotivo, com ênfase em veículos menos poluentes.
No entanto, o debate sobre a eficácia dessa medida, especialmente quando se trata dos carros 100% elétricos, indica que ainda há muito a ser feito para incentivar a transição para uma frota de veículos mais sustentável.
O impacto a longo prazo para os carros híbridos e elétricos
É importante notar que a isenção do IPVA será válida apenas até 2029, com um aumento progressivo nas alíquotas do imposto após esse período. A partir de 2030, a alíquota do IPVA será de 4%, o que pode desestimular a adoção de veículos híbridos, caso a política não seja revista.
Portanto, o benefício para os híbridos pode ser temporário e precisar de ajustes futuros. A longo prazo, a maior parte das iniciativas globais para reduzir as emissões de carbono e promover a sustentabilidade estão focadas em veículos totalmente elétricos, e é possível que novas medidas sejam necessárias para garantir que esses veículos recebam incentivos adequados.

O papel dos incentivos fiscais na transição energética
Incentivos fiscais, como a isenção do IPVA, são uma ferramenta poderosa para impulsionar a adoção de tecnologias mais limpas e sustentáveis. Porém, para que tais medidas tenham sucesso, é fundamental que atendam às necessidades da população e incentivem tecnologias que realmente contribuam para a redução das emissões.
Para os veículos elétricos, que têm um grande potencial de redução das emissões de gases de efeito estufa, seria fundamental que a isenção do IPVA fosse estendida. A política pública precisa ser capaz de alinhar interesses econômicos com os objetivos ambientais de longo prazo, garantindo uma transição energética eficiente e sustentável.
Imagem: Smile Fight/shutterstock.com
Pode ser do seu interesse:
