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Previdência: proposta prevê mínimo de 67 anos, mas ainda não está em votação

Uma nova proposta de reforma da Previdência voltou a colocar a idade mínima para aposentadoria no centro do debate. O texto elaborado por um grupo de especialistas prevê elevar gradualmente o requisito para 67 anos, tanto para homens quanto para mulheres, além de mudar o modelo de financiamento da Previdência e alterar regras de benefícios. […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
Previdência

Uma nova proposta de reforma da Previdência voltou a colocar a idade mínima para aposentadoria no centro do debate. O texto elaborado por um grupo de especialistas prevê elevar gradualmente o requisito para 67 anos, tanto para homens quanto para mulheres, além de mudar o modelo de financiamento da Previdência e alterar regras de benefícios.

Mas há uma diferença fundamental entre proposta e lei: a mudança ainda não está em vigor e não está sendo votada pelo Congresso. Portanto, as regras atuais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continuam valendo.

A ideia foi coordenada pelo economista Paulo Tafner e contou com especialistas como Leonardo Rolim, Rogério Nagamine Costanzi e Sergio Guimarães Ferreira, com apoio do economista Arminio Fraga. O grupo pretende apresentar o projeto aos candidatos à Presidência da República como uma alternativa para uma eventual nova reforma.

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O que a proposta de Previdência prevê

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Imagem: Reprodução / Ministério do Trabalho e Previdência

A principal mudança seria a criação de uma idade mínima única de 67 anos para homens e mulheres.

Atualmente, a regra geral para quem ingressou no Regime Geral de Previdência Social (RGPS) depois da reforma de 2019 estabelece aposentadoria aos 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, além do tempo mínimo de contribuição. Para mulheres, são exigidos pelo menos 15 anos de contribuição; para homens que ingressaram após a reforma, 20 anos.

A proposta não prevê simplesmente uma mudança imediata de 62 ou 65 para 67 anos. A ideia apresentada pelos especialistas é de elevação gradual, permitindo uma transição para o novo modelo.

A idade seria igual para homens e mulheres

Esse é um dos pontos mais relevantes do projeto.

Hoje, a legislação estabelece idades diferentes para homens e mulheres. A proposta acabaria com essa diferença e estabeleceria 67 anos como referência para os dois sexos.

O argumento dos formuladores está relacionado principalmente ao envelhecimento da população e à necessidade de adaptar o sistema previdenciário à mudança demográfica brasileira.

Aposentadoria aos 67 anos já foi aprovada?

Não.

A proposta não alterou nenhuma regra do INSS. Ela não foi aprovada pelo Congresso e não pode ser utilizada pelo governo para negar uma aposentadoria que atualmente atende aos requisitos legais.

O próprio Senado Federal esclareceu, em agosto, que não existe uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação na Casa determinando aposentadoria aos 67 anos. O Senado também classificou como falsa a informação de que estaria analisando uma mudança desse tipo.

A confusão ocorreu porque estudos e propostas de especialistas passaram a circular nas redes sociais como se fossem uma reforma já apresentada oficialmente pelo governo.

O Ministério da Previdência Social também afirmou que não existe proposição do governo federal para aumentar a idade mínima de aposentadoria para 67 anos.

Qual é a idade para se aposentar atualmente?

Para quem está no RGPS, a regra geral atualmente estabelece:

TrabalhadorIdade mínimaContribuição mínima
Mulher62 anos15 anos
Homem65 anos20 anos

Esses requisitos correspondem à aposentadoria programada para quem ingressou no sistema após a reforma da Previdência. Para quem já contribuía antes da Emenda Constitucional nº 103, de 2019, existem regras de transição, que podem levar em conta idade, tempo de contribuição e pontuação.

Por isso, não é correto afirmar que todo brasileiro precisa necessariamente esperar até os 62 ou 65 anos. Dependendo do histórico previdenciário, o segurado pode estar enquadrado em uma das regras de transição.

O que mudaria além da idade mínima?

A proposta apresentada pelos especialistas é mais ampla do que simplesmente aumentar a idade de aposentadoria.

Um dos objetivos é modificar a forma como a Previdência é financiada. O projeto prevê um modelo misto, combinando o sistema de repartição existente com mecanismos de capitalização individual.

Na prática, isso significaria uma mudança estrutural na forma como as contribuições seriam utilizadas para financiar os benefícios presentes e futuros.

O texto também propõe alterações para diferentes grupos de trabalhadores e benefícios.

Entre as medidas discutidas estão:

  • aumento gradual da idade mínima para 67 anos;
  • igualdade da idade mínima entre homens e mulheres;
  • mudanças no tempo mínimo de contribuição;
  • alterações nas aposentadorias especiais;
  • aumento da contribuição previdenciária do Microempreendedor Individual (MEI);
  • mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC);
  • alteração do modelo de financiamento da Previdência;
  • novas regras para benefícios por incapacidade relacionados ao trabalho.

MEI pode ter contribuição maior?

Sim. A proposta também mexe com a contribuição do Microempreendedor Individual.

Atualmente, o MEI que utiliza a contribuição previdenciária simplificada recolhe 5% do salário mínimo para o INSS. O projeto estudado pelos especialistas prevê elevar essa alíquota para 11%, com exceções previstas para determinados grupos.

A mudança, caso algum dia seja aprovada, teria impacto direto no custo mensal de milhares de pequenos empreendedores.

Mas, novamente, essa alteração não está valendo atualmente.

O que aconteceria com o BPC?

O Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência que atendem aos critérios legais de baixa renda, também aparece entre os pontos que poderiam ser modificados.

A proposta discutida pelos especialistas prevê mudanças no cálculo e na estrutura do benefício, incluindo a possibilidade de que o valor fique abaixo do salário mínimo em determinadas situações.

Esse é um dos pontos mais sensíveis do projeto porque o BPC não é uma aposentadoria comum. Trata-se de um benefício assistencial destinado a pessoas que cumprem critérios específicos previstos na legislação.

Por isso, uma alteração nessa área teria impacto diferente daquele provocado por uma mudança na idade mínima do INSS.

Por que uma nova reforma da Previdência voltou ao debate?

O principal argumento apresentado pelos defensores da proposta é demográfico.

O Brasil está envelhecendo, enquanto a entrada de novos trabalhadores na população economicamente ativa tende a crescer em ritmo menor. Isso aumenta a pressão sobre um sistema no qual os trabalhadores em atividade ajudam a financiar os benefícios pagos atualmente.

O grupo de especialistas sustenta que mudanças precisam ser discutidas antes que o envelhecimento populacional aumente ainda mais a pressão sobre as despesas previdenciárias.

A questão, portanto, não envolve apenas a idade em que uma pessoa poderá se aposentar. O debate também envolve quanto o trabalhador contribui, como o dinheiro é administrado e como os benefícios serão financiados no futuro.

Quem seria afetado se a proposta avançasse?

O impacto dependeria das regras de transição aprovadas pelo Congresso.

Quem já está próximo da aposentadoria poderia receber tratamento diferente de trabalhadores mais jovens. A proposta apresentada aos candidatos prevê uma implementação gradual e mecanismos distintos conforme a idade e a situação previdenciária de cada geração.

Isso significa que não seria correto dizer hoje que uma pessoa de determinada idade necessariamente terá de trabalhar até os 67 anos.

Enquanto não houver uma nova legislação aprovada, as regras atualmente existentes continuam sendo utilizadas pelo INSS.

A proposta já virou uma PEC?

Existe uma minuta de texto legislativo preparada pelo grupo de especialistas, mas isso não significa que ela tenha iniciado formalmente sua tramitação no Congresso.

Uma PEC precisa seguir o processo legislativo previsto na Constituição. Depois de apresentada, passa por análise e votação nas Casas legislativas e precisa atingir os quóruns constitucionais para ser aprovada.

No caso de uma mudança constitucional, Câmara e Senado precisam aprovar o texto conforme as regras específicas para PECs. Portanto, entre um estudo elaborado por especialistas e uma nova regra previdenciária em vigor existe um longo caminho.

O que o trabalhador deve fazer agora?

Para quem está contribuindo para o INSS, não há motivo para alterar o planejamento previdenciário por causa dessa proposta isoladamente.

O mais importante é verificar o próprio histórico de contribuições e identificar em qual regra o segurado está enquadrado. O INSS disponibiliza informações sobre as diferentes modalidades de aposentadoria e suas regras de transição.

Também é recomendável manter o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) atualizado e conferir se períodos de contribuição, vínculos empregatícios e salários registrados estão corretos.

Uma eventual reforma futura poderá criar regras de transição específicas. Até que isso aconteça, não existe uma exigência de aposentadoria aos 67 anos.

O que pode acontecer daqui para frente?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A proposta deve alimentar o debate eleitoral e econômico sobre o futuro da Previdência. O grupo responsável pretende levar as medidas aos candidatos à Presidência, o que pode fazer com que o tema ganhe espaço nas discussões sobre as contas públicas e as políticas sociais.

Isso, porém, não significa que o texto será necessariamente apresentado ou aprovado pelo próximo governo.

Uma nova reforma dependeria de decisão política, elaboração legislativa, negociação com o Congresso e aprovação conforme as regras constitucionais. O conteúdo também pode ser profundamente alterado durante esse processo.

Conclusão

A proposta de levar a idade mínima da aposentadoria para 67 anos é real, mas a afirmação de que essa regra já foi aprovada ou está sendo aplicada pelo INSS é incorreta.

O texto foi elaborado por especialistas e prevê uma reforma ampla, que vai muito além da idade mínima. Entre as medidas estão mudanças no financiamento da Previdência, contribuição do MEI, BPC, aposentadorias especiais e benefícios por incapacidade.

Por enquanto, nada disso mudou a regra do INSS. A legislação atual continua estabelecendo, na regra geral, idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para homens, além dos requisitos de contribuição e das regras de transição aplicáveis a quem já estava no sistema.

Para o trabalhador, a orientação prática é simples: não considerar a idade de 67 anos como uma exigência atual e acompanhar eventuais projetos oficiais que venham a ser apresentados ao Congresso.

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