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Nova isenção do Imposto de Renda vai gerar ganho extra de R$ 4 mil a trabalhadores

Trabalhadores com renda de até R$ 5 mil por mês ficarão isentos do Imposto de Renda, segundo a nova reforma aprovada pela Câmara.

Helena SerpaPor Helena Serpa6 min de leitura
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A nova reforma do Imposto de Renda (IR), aprovada pela Câmara dos Deputados em 1º de outubro, promete aliviar o bolso de milhões de brasileiros. Com a atualização das faixas e o aumento da isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês, o governo estima que cerca de 10 milhões de trabalhadores passem a ficar isentos do imposto. A medida ainda precisa ser analisada pelo Senado, mas já provoca expectativa entre contribuintes e especialistas.

A mudança pode representar uma economia de até R$ 4 mil por ano, equivalente a quase um salário extra para boa parte da população assalariada. O novo modelo busca corrigir distorções acumuladas pela defasagem da tabela do IR, que não era atualizada de forma significativa há quase uma década.

O que muda?

Isenção malha fina
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

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A principal alteração está no aumento do limite de isenção, que sobe de R$ 3.036 — valor correspondente a dois salários mínimos — para R$ 5.000 mensais. Isso significa que quem recebe até esse valor não precisará mais pagar Imposto de Renda, nem realizar retenções mensais na fonte.

De acordo com estimativas do governo federal, o número total de brasileiros isentos de IR subirá para 15 milhões, considerando os que já não pagavam imposto e os que agora entram na nova faixa de isenção.

Redução também para rendas intermediárias

Além da faixa de isenção ampliada, o projeto prevê redução das alíquotas efetivas para trabalhadores com rendimentos entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00.
Nessas faixas, a cobrança será menor do que a atual, permitindo que quem ganha um pouco acima dos R$ 5 mil também sinta um alívio no orçamento.

Mantidas as alíquotas para rendas mais altas

A partir de R$ 7.351,00 mensais, o contribuinte continuará submetido às mesmas alíquotas progressivas vigentes atualmente:

  • 7,5%
  • 15%
  • 22,5%
  • 27,5%

Essas faixas não sofreram alteração, e continuam valendo para rendimentos mais elevados.

Efeitos macroeconômicos

A ampliação da isenção representa um alívio imediato para as famílias, mas também exige compensações fiscais para equilibrar as contas públicas.
Segundo o Ministério da Fazenda, o impacto anual da medida será compensado por novas formas de tributação sobre lucros e dividendos, que atualmente são isentos no Brasil.

Compensação: tributação sobre lucros e dividendos

A reforma do IR propõe que ganhos com lucros e dividendos acima de R$ 50 mil por mês, ou R$ 600 mil por ano, passem a ser tributados de forma progressiva, até atingir 10%.
Assim, quem recebe rendimentos de R$ 100 mil mensais (R$ 1,2 milhão por ano) pagará a alíquota máxima.

Essa medida atinge um grupo restrito de cerca de 141 mil brasileiros, o que representa apenas 0,13% do total de contribuintes.
De acordo com dados do governo, essa faixa mais rica da população paga hoje uma alíquota efetiva média de apenas 2,54%, devido à isenção dos dividendos.

Quem ganha e quem perde com a reforma do IR

A proposta busca equilibrar o sistema tributário, ampliando a progressividade e redistribuindo a carga de forma mais justa.

Trabalhadores de baixa e média renda: os maiores beneficiados

O principal ganho é para quem vive de salário. Com a nova tabela, o governo estima que milhões de brasileiros deixarão de ter o IR retido e, portanto, terão mais renda disponível para consumo e poupança.
Na prática, isso representa um aumento indireto de renda, fortalecendo o poder de compra das famílias e estimulando o comércio.

Super-ricos: aumento da carga sobre rendimentos de capital

Para empresários e investidores que recebem lucros e dividendos, a situação muda.
Esses rendimentos, antes totalmente isentos, passam agora a ser tributados de forma progressiva até 10%, conforme o valor anual recebido.
Especialistas apontam que a medida corrige uma distorção histórica, já que o Brasil era um dos poucos países do mundo que não tributava dividendos.

O que ainda falta para as novas regras valerem

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Embora aprovada pela Câmara dos Deputados, a reforma do Imposto de Renda ainda aguarda análise e votação no Senado Federal. Se aprovada sem alterações, as novas faixas poderão entrar em vigor já em 2025, com impacto sobre a declaração de 2026.

Caso haja modificações, o texto voltará à Câmara para nova apreciação. O governo federal espera concluir o processo até o fim do ano para incluir as mudanças no Orçamento de 2025.

Como a mudança impacta o cotidiano dos brasileiros

Imposto de renda
Imagem: Freepik e Canva

Para o trabalhador comum, o efeito mais perceptível será no contracheque.
Quem ganha até R$ 5 mil mensais deixará de ter descontos mensais de IR, o que pode representar um aumento direto de cerca de R$ 330 por mês.
Na prática, isso equivale a quase um 14º salário ao longo do ano.

Com mais dinheiro circulando, o governo espera estimular o consumo interno, especialmente em setores como alimentação, vestuário e transporte, que têm maior peso no orçamento das famílias.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Quando a nova isenção do IR entra em vigor?
A mudança só valerá após aprovação do Senado e sanção presidencial. A expectativa é que entre em vigor em 2025.

2. Quem ganha até R$ 5 mil precisa declarar Imposto de Renda?
Mesmo isentos do pagamento, esses contribuintes poderão precisar declarar, caso possuam outros rendimentos, bens ou investimentos que exijam declaração obrigatória.

3. Quanto posso economizar com a nova tabela?
Um trabalhador com salário de R$ 5 mil mensais poderá economizar até R$ 4 mil por ano, considerando o 13º salário.

Considerações finais

A nova isenção do Imposto de Renda marca um passo relevante na busca por um sistema tributário mais justo e equilibrado.

Com a ampliação do limite de isenção e a tributação dos lucros e dividendos dos mais ricos, o governo tenta corrigir desigualdades históricas e aliviar o peso sobre quem vive do salário. Se aprovada pelo Senado, a reforma poderá representar um alívio financeiro direto e imediato para milhões de brasileiros, com potencial para impulsionar o consumo e a economia em 2025.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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