A decisão do Governo Federal de renovar por mais seis meses as cotas de importação com isenção de imposto para kits de montagem de veículos elétricos e híbridos voltou a movimentar o mercado automotivo brasileiro.
Cotas para veículos elétricos preocupam Localiza e Movida; entenda
Governo renova isenção para importação de veículos elétricos. Entenda os impactos para locadoras, montadoras e fornecedores.
A medida, aprovada pelo Comitê Executivo da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), mantém o limite de US$ 463 milhões para importações de kits SKD (semi desmontados) e CKD (completamente desmontados), permitindo que montadoras continuem trazendo componentes do exterior sem a incidência do tributo dentro desse teto.
Embora a renovação tenha caráter temporário, especialistas do mercado financeiro e representantes da indústria avaliam que a decisão pode produzir reflexos importantes em diferentes segmentos da cadeia automotiva, incluindo locadoras, fabricantes tradicionais e fornecedores de autopeças.
Leia mais: Falta de regularização coloca mais de 1 milhão de MEIs em risco
O que são kits SKD e CKD

Muitos consumidores desconhecem o funcionamento desse sistema de importação.
SKD: veículo semi desmontado
No modelo SKD, o veículo chega ao país parcialmente montado. Algumas etapas finais de instalação e acabamento são realizadas em fábricas brasileiras.
Essa modalidade exige menor estrutura industrial local e costuma acelerar o lançamento de novos modelos.
CKD: veículo completamente desmontado
Já no sistema CKD, todas as peças são enviadas separadamente para o Brasil, onde ocorre a montagem integral.
Esse formato normalmente demanda mais mão de obra e maior participação da indústria nacional no processo produtivo.
Por que a medida beneficia montadoras chinesas
Nos últimos anos, fabricantes chinesas ampliaram significativamente sua presença no mercado brasileiro de veículos eletrificados.
Com a manutenção da isenção para importação dos kits, essas empresas conseguem preservar parte de sua competitividade em preços, mesmo diante do cronograma de retomada gradual das tarifas de importação.
Isso ocorre porque a redução de custos na cadeia de produção pode ser repassada, ao menos parcialmente, para o consumidor final, tornando os modelos elétricos e híbridos mais acessíveis.
Impactos nas locadoras de veículos
Entre os setores mais atentos à decisão estão as empresas de locação de veículos. Analistas avaliam que a renovação das cotas pode aumentar a concorrência entre as montadoras, criando um ambiente de maior disputa por preços.
Possível pressão sobre o valor das frotas
Quando veículos novos ficam mais baratos, os preços dos usados tendem a sofrer ajustes.
Para as locadoras, esse cenário é relevante porque grande parte do resultado financeiro dessas empresas depende do valor de revenda dos automóveis ao final do ciclo de utilização.
Uma redução nos preços dos veículos novos pode acelerar a depreciação dos modelos usados, pressionando a rentabilidade do setor no curto prazo.
Efeito ainda considerado limitado
Apesar das preocupações, analistas destacam que os impactos devem ser moderados devido ao caráter temporário da medida.
Além disso, o volume contemplado pela cota representa apenas uma parcela do mercado automotivo brasileiro, o que reduz a probabilidade de mudanças estruturais imediatas.
Quantos veículos podem ser beneficiados

Segundo estimativas do mercado, o limite de US$ 463 milhões em isenções seria suficiente para viabilizar a importação de aproximadamente 30 mil veículos.
Embora o número seja expressivo, ele ainda representa uma participação relativamente pequena diante do volume total comercializado mensalmente pelas montadoras chinesas no país.
Por esse motivo, especialistas consideram que os efeitos sobre preços e concorrência tendem a ocorrer de forma gradual, sem provocar transformações bruscas no mercado.
Cronograma de aumento das tarifas continua valendo
Um dos pontos mais importantes da decisão é que ela não altera o calendário de recomposição tarifária já definido pelo governo.
Caso o limite da cota seja atingido, passam a valer as alíquotas previstas no cronograma oficial.
Regras para kits SKD
A tarifa para importação de veículos semi desmontados deverá alcançar 35% em julho de 2026.
Após essa data, o percentual permanece nesse patamar.
Regras para kits CKD
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
No caso dos kits completamente desmontados, a alíquota deverá subir para 14% em julho de 2026.
Posteriormente, haverá nova elevação até atingir 35% em janeiro de 2027.
O objetivo do cronograma é incentivar gradualmente a nacionalização da produção e reduzir a dependência de componentes importados.
Montadoras tradicionais demonstram preocupação
A renovação das cotas também gerou reação entre fabricantes com produção consolidada no Brasil.
Representantes da indústria argumentam que a ampliação dos benefícios para importação pode criar desequilíbrios competitivos, especialmente para empresas que já investiram em fábricas, empregos e desenvolvimento local.
Outro ponto levantado é a maior dificuldade de planejamento diante da possibilidade de futuras prorrogações do programa.
A incerteza sobre as regras do setor pode afetar decisões relacionadas a investimentos, expansão industrial e lançamento de novos produtos.
Reflexos para a cadeia de autopeças
Os efeitos da medida não se limitam às montadoras e locadoras. Empresas fornecedoras de componentes automotivos também acompanham atentamente a evolução do cenário.
Possível adiamento de investimentos locais
Se fabricantes estrangeiras continuarem encontrando condições favoráveis para importar kits prontos para montagem, parte dos investimentos em produção local poderá ser postergada.
Isso pode atrasar oportunidades para fornecedores brasileiros ampliarem contratos e desenvolverem novas linhas de produção voltadas ao segmento de veículos eletrificados.
Ainda assim, especialistas avaliam que os impactos sobre a cadeia de autopeças tendem a ser graduais e de alcance limitado no curto prazo.
Mercado de veículos elétricos continua em expansão
Independentemente da discussão sobre tarifas e incentivos, o mercado brasileiro de veículos elétricos segue em trajetória de crescimento.
Aumento da oferta, avanço da infraestrutura de recarga, maior conscientização ambiental e redução gradual dos custos tecnológicos vêm impulsionando a adoção desses modelos.
Nesse contexto, decisões relacionadas à tributação e à importação ganham importância estratégica, pois influenciam diretamente a velocidade de expansão do segmento e a competitividade entre fabricantes.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

