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Isenção do Imposto de Renda atinge 15 milhões de brasileiros; alta renda contribui mais

Nova regra do Imposto de Renda isenta rendas até R$ 5 mil e afeta 15 milhões de contribuintes; alta renda pagará mais, segundo Receita Federal.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
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A mudança na tabela do Imposto de Renda representa um dos passos mais significativos da política tributária brasileira nos últimos anos. Segundo dados da Receita Federal, 15 milhões de contribuintes deixarão de pagar ou terão redução na cobrança do tributo a partir de 2026, quando entra em vigor a ampliação da faixa de isenção.

O ajuste amplia o limite para isenção de R$ 3.036 para R$ 5 mil mensais, impactando diretamente trabalhadores assalariados, aposentados e autônomos que se encontram na faixa de renda média.

Ao mesmo tempo, a medida transfere maior responsabilidade para um grupo mais restrito, formado por pessoas que recebem acima de R$ 50 mil mensais, que passarão a arcar com uma tributação reforçada sobre lucros e dividendos.

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Como funciona a nova tabela

Isenção
Imagem: Freepik e Canva

Aumento da faixa de isenção

Atualmente, o limite de isenção é de até dois salários mínimos mensais, o equivalente a R$ 3.036. Com a nova regra, quem recebe até R$ 5 mil mensais ficará totalmente livre do pagamento do IR.

Faixa intermediária

Contribuintes com renda entre R$ 5 mil e R$ 7.350 terão desconto parcial na alíquota, reduzindo o peso da tributação para esse segmento.

Renda alta

A partir de R$ 50 mil por mês, os contribuintes passam a pagar mais imposto. Estima-se que entre 140 mil e 150 mil pessoas estarão nesse grupo, o que representa apenas uma pequena parcela dos declarantes, mas responsável por significativa fatia da renda nacional.


O peso maior para os mais ricos

O economista Bruno Carazza, doutor em direito econômico pela UFMG e comentarista do Jornal da Globo, explica que a reforma corrige uma distorção histórica: no Brasil, quanto maior a renda, menor costuma ser a proporção efetivamente paga de imposto.

Isso ocorre devido a benefícios e isenções concedidos a lucros e dividendos, heranças e aplicações financeiras. Com a nova estrutura, esse cenário começa a mudar.

“A proposta retira os mais pobres da base de cobrança e transfere a responsabilidade para os mais ricos. Esse é o sentido da progressividade”, afirma Carazza.

Segundo ele, após duas décadas de “cobrança mais suave” sobre rendas elevadas, o sistema volta a exigir maior contribuição desse grupo, estabelecendo um patamar mínimo de 10% de tributação sobre lucros e dividendos.


Justiça fiscal e desigualdade

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Imagem: Freepik e Canva

Desigualdade no foco da reforma

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, e a estrutura tributária tem papel central nesse quadro. Atualmente, a maior parte da carga recai sobre o consumo, impactando proporcionalmente mais as classes de menor renda.

A ampliação da isenção busca aliviar o bolso da classe média e tornar a cobrança mais justa, ao exigir maior contribuição de quem concentra riqueza no topo da pirâmide social.

Brechas ainda existentes

Apesar dos avanços, especialistas alertam que o sistema permanece cheio de exceções. Valores transmitidos por herança, seguros de vida e parte da previdência privada continuam livres de tributação, o que mantém privilégios a determinados grupos.


Impactos esperados

Para a classe média

Cerca de 15 milhões de contribuintes deixarão de pagar Imposto de Renda. Na prática, isso significa aumento da renda disponível para consumo, poupança e pagamento de dívidas.

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Para os cofres públicos

A perda de arrecadação com a ampliação da isenção será compensada pela maior cobrança sobre lucros e dividendos. Assim, o governo busca equilibrar as contas sem comprometer programas sociais e investimentos.

Para os super-ricos

O número de afetados diretamente pela elevação da alíquota é pequeno — cerca de 0,3% da população. Porém, esse grupo concentra grande parte da renda nacional, tornando a medida eficiente para reforçar a progressividade tributária.


O que vem pela frente

A proposta deve gerar intensos debates no Congresso e na sociedade civil. Para muitos especialistas, ela representa apenas um primeiro passo na construção de um sistema tributário mais justo.

Carazza avalia que a mudança é positiva, mas destaca a necessidade de ampliar a tributação sobre heranças, grandes patrimônios e operações financeiras sofisticadas.

“O projeto sinaliza um novo modelo de arrecadação, mas ainda há muito espaço para reduzir privilégios e promover maior justiça fiscal”, conclui o economista.


Conclusão

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda promete transformar a relação de milhões de brasileiros com o sistema tributário. Ao mesmo tempo, marca o retorno de uma cobrança mais efetiva sobre os contribuintes de maior renda.

Embora não resolva todas as distorções, a medida é vista como um passo importante para reduzir desigualdades, aliviar a classe média e distribuir de forma mais justa o peso da tributação.

Imagem: Leonidas Santana / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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