O debate sobre a ampliação da isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês voltou a ganhar força na Câmara dos Deputados. Após reunião com líderes partidários, o deputado Arthur Lira (PP-AL), relator do projeto, confirmou que acolheu ajustes em seu texto final. Segundo ele, as alterações atendem a emendas de parlamentares preocupados com o equilíbrio fiscal, a preservação de programas sociais e a manutenção das receitas municipais.
Mudanças no IR: Lira altera proposta para atender demandas locais e educacionais
Arthur Lira apresenta relatório que amplia a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, preservando Prouni, municípios e debêntures incentivadas.
O relatório de Lira não apenas aumenta a faixa de isenção, como também mantém benefícios para setores estratégicos, como o Prouni (Programa Universidade para Todos) e as debêntures incentivadas de infraestrutura, além de garantir que cartórios e tribunais não sejam prejudicados com mudanças tributárias.
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O que muda na isenção do Imposto de Renda

Ampliação da faixa de isenção
A principal novidade do relatório é a proposta de isenção total para pessoas físicas que recebem até R$ 5 mil mensais. Atualmente, a faixa de isenção é bem menor, o que faz com que milhões de brasileiros de renda média ainda sejam tributados.
Essa mudança, segundo Lira, busca aliviar o peso tributário sobre os trabalhadores formais e incentivar o consumo interno, em um momento em que o governo tenta equilibrar arrecadação e crescimento econômico.
Impacto para contribuintes
Com a nova faixa, uma parte significativa da classe média deixará de pagar Imposto de Renda. Estimativas preliminares apontam que cerca de 12 milhões de contribuintes poderão ser beneficiados pela medida, o que deve representar maior poder de compra e injeção de recursos na economia.
Ajustes acolhidos no relatório
Preservação do Prouni
Um dos pontos centrais atendidos foi a manutenção do Prouni, programa que concede bolsas de estudo em universidades privadas para estudantes de baixa renda. Deputados de diferentes partidos alertaram que qualquer alteração nas regras fiscais poderia afetar a sustentabilidade do programa.
Com o relatório, o Prouni permanece protegido, garantindo a continuidade de sua função social no acesso ao ensino superior.
Garantia de arrecadação municipal
Outro ajuste importante foi feito para evitar que os municípios sofram perdas de arrecadação. Prefeitos e bancadas estaduais vinham pressionando para que a mudança no Imposto de Renda não comprometesse os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Lira assegurou que o texto final contempla mecanismos para preservar a receita local, evitando desequilíbrios fiscais nas cidades, especialmente nas menores, que dependem fortemente do repasse da União.
Regras sobre taxas cartoriais
O relatório também aborda as taxas cobradas por cartórios e repassadas aos tribunais judiciais. Deputados argumentaram que mudanças poderiam reduzir a capacidade de custeio do Judiciário. Assim, o texto de Lira mantém o fluxo de repasses, garantindo estabilidade administrativa.
Benefícios mantidos no setor de infraestrutura

Debêntures incentivadas
Outro ponto confirmado pelo relatório é a isenção para debêntures incentivadas da área de infraestrutura. Esses títulos, adquiridos por investidores, financiam obras estratégicas como rodovias, portos, saneamento básico e energia.
Ao manter o benefício, Lira garante que os investimentos privados em infraestrutura continuem atraentes, reduzindo a dependência exclusiva de recursos públicos para financiar projetos de longo prazo.
Desafios e críticas ao projeto
Impacto fiscal
A principal crítica ao projeto é o custo fiscal da ampliação da isenção. Segundo economistas, elevar o limite para R$ 5 mil pode representar uma perda bilionária na arrecadação federal. Para compensar, o governo precisará reforçar mecanismos de ajuste fiscal ou ampliar a base de contribuintes em outras áreas.
Desigualdade tributária
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Especialistas também destacam que a medida pode não resolver a questão da justiça tributária no Brasil. Isso porque o país ainda mantém um sistema regressivo, onde o consumo é mais tributado do que a renda e o patrimônio, penalizando os mais pobres.
Repercussão política
Apoio da Câmara
Dentro da Câmara dos Deputados, a medida tem grande apoio, especialmente entre bancadas que defendem alívio tributário para a classe média. A expectativa é de que o relatório seja votado ainda neste mês, com chances de aprovação expressiva.
Posição do governo
O Executivo acompanha de perto as negociações. Embora veja a ampliação da isenção como uma promessa de campanha, há receio em relação ao impacto fiscal e às metas de resultado primário.
O futuro da reforma tributária

Relação com a reforma ampla
A ampliação da isenção do Imposto de Renda é considerada um passo paralelo à reforma tributária mais ampla em discussão no Congresso. Enquanto a reforma foca no consumo, a medida de Lira trata da renda, o que complementa o redesenho do sistema.
Próximos passos
Caso aprovado na Câmara, o projeto seguirá para o Senado, onde também deve enfrentar debates intensos. A tramitação pode se arrastar, mas há pressão para que a nova faixa de isenção comece a valer já em 2026.
Conclusão
A proposta de ampliar a isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil representa um marco nas discussões sobre justiça fiscal no Brasil. O relatório de Arthur Lira equilibra interesses sociais, municipais e setoriais, preservando programas como o Prouni e incentivando investimentos em infraestrutura.
Apesar das críticas sobre impacto fiscal, a medida tem grande apelo político e social, podendo transformar a vida de milhões de brasileiros. O desafio agora é conciliar o alívio para o contribuinte com a responsabilidade fiscal necessária para garantir a sustentabilidade das contas públicas.
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