A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou, no dia 10 de dezembro, o Projeto de Lei 1510/2023, que concede isenção de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) a veículos híbridos e movidos exclusivamente a hidrogênio. A medida foi aprovada por 53 votos a 10 e agora segue para a sanção do governador Tarcísio de Freitas.
Isenção de IPVA em São Paulo: o impacto da exclusão dos carros e ônibus elétricos
Alesp aprova isenção de ipva para veículos híbridos e movidos a hidrogênio entre 2025 e 2026. exclusão de carros elétricos gera críticas.
A isenção estará vigente entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2026, limitada a veículos híbridos com motores flex ou movidos exclusivamente a etanol, avaliados em até R$ 250 mil. Caminhões e ônibus movidos a hidrogênio ou gás natural terão isenção por um período mais longo, até 2029.
Leia mais:
IPVA 2025: aprenda a consultar o valor do imposto de forma simples

Críticas à exclusão de carros elétricos
Apesar de representar um incentivo para a produção de veículos menos poluentes, o projeto gerou controvérsia ao excluir veículos 100% elétricos dos benefícios fiscais. Especialistas apontam que essa decisão desconsidera o potencial ambiental desses automóveis, que poderiam aproveitar a matriz elétrica limpa do Brasil.
Além disso, muitos veículos híbridos flex continuam sendo abastecidos majoritariamente com gasolina, o que limita seu impacto na redução de emissões de carbono.
Impacto ambiental da exclusão de ônibus elétricos
Outro ponto polêmico foi a exclusão de ônibus elétricos da isenção. Estudos mostram que ônibus a diesel são responsáveis por quase metade da poluição do ar em São Paulo. Incentivar sua substituição por modelos elétricos poderia trazer melhorias significativas para a saúde pública e o meio ambiente.
Retrocessos na mobilidade sustentável
A decisão da Alesp ocorreu na mesma semana em que a Câmara Municipal de São Paulo aprovou o Projeto de Lei 825/2024, que adia para 2054 a meta de eletrificação da frota de ônibus municipais. Ambientalistas classificaram essa medida como um retrocesso que prejudica os esforços de descarbonização na capital paulista.
Tecnologias intermediárias versus soluções limpas
A priorização de híbridos flex no PL 1510 foi criticada pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Segundo a entidade, essa escolha favorece tecnologias intermediárias, que ainda dependem de combustíveis fósseis, em detrimento de opções mais limpas e eficientes.
Oportunidades perdidas para São Paulo

São Paulo, maior produtor de energia renovável do Brasil, tem o potencial de liderar a transição para uma mobilidade sustentável. No entanto, especialistas afirmam que as recentes decisões políticas comprometem essa liderança, reforçando o uso de tecnologias ultrapassadas.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Impactos no futuro da mobilidade
Ao excluir tecnologias limpas dos incentivos fiscais, o estado perde uma oportunidade estratégica de alinhar-se às tendências globais de descarbonização e sustentabilidade. A saúde da população e a qualidade do ar ficam em segundo plano, enquanto São Paulo mantém a dependência de combustíveis fósseis.
Considerações finais
A aprovação do PL 1510/2023 pela Alesp e o adiamento das metas de eletrificação na capital paulista representam passos contraditórios em relação à mobilidade sustentável. Enquanto o projeto traz benefícios pontuais ao incentivar veículos híbridos e a hidrogênio, ele também revela lacunas importantes ao excluir os veículos 100% elétricos, que poderiam trazer impactos ambientais mais significativos. A exclusão de ônibus elétricos e o favorecimento de tecnologias intermediárias, como os híbridos flex, mostram uma política pública que ainda hesita em romper com a dependência de combustíveis fósseis.
Essas decisões refletem uma falta de visão estratégica que poderia posicionar São Paulo como líder na transição para uma economia de baixo carbono. O estado, que possui um potencial único graças à sua matriz energética renovável e sua força econômica, desperdiça oportunidades de modernizar seu transporte e atender às exigências globais de sustentabilidade.
Além disso, essas medidas impactam diretamente a saúde da população. A poluição do ar, em grande parte causada por ônibus e caminhões movidos a combustíveis fósseis, continua sendo uma das principais causas de problemas respiratórios e cardíacos, especialmente nos grandes centros urbanos.
Imagem: Freepik
Pode ser do seu interesse:
