A partir do mês de maio do ano-calendário 2025, trabalhadores, autônomos, aposentados e pensionistas que recebem até R$ 3.036 por mês estão oficialmente isentos do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). A medida, aprovada pelo Senado no dia 7 de agosto, representa a manutenção da política de alívio fiscal voltada para brasileiros de baixa renda.
Nova isenção do IR é aprovada e beneficia quem ganha até R$ 3.036 por mês
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A aprovação, feita por votação simbólica, ocorre em um contexto de forte tensão política. Após dois dias de protestos no plenário do Senado por parte da oposição, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro desocuparam o espaço, permitindo a tramitação do projeto que substitui uma medida provisória prestes a expirar.
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Entenda como funciona a nova faixa de isenção

O que mudou na prática
A faixa de isenção do IR foi atualizada para acompanhar o novo salário mínimo de R$ 1.518, em vigor desde janeiro de 2025. A nova regra estabelece o seguinte:
- Isenção nominal até R$ 2.428,80;
- Com o desconto simplificado de R$ 607,20, o total isento chega a R$ 3.036.
O desconto simplificado é uma dedução opcional que não prejudica contribuintes com outras deduções, como dependentes ou pensão alimentícia. A fórmula tem sido utilizada desde 2023 como uma maneira de ampliar o alcance da isenção sem uma reforma completa da tabela.
Beneficiados pela medida
Grupos diretamente isentos:
- Trabalhadores com carteira assinada que recebem até R$ 3.036;
- Autônomos dentro do mesmo limite;
- Aposentados e pensionistas com benefícios de até dois salários mínimos;
- Contribuintes que optarem pelo desconto simplificado.
Segundo o Ministério da Fazenda, a medida protege a renda de 15,8 milhões de brasileiros, evitando que esses contribuintes passem a pagar imposto por causa da elevação do salário mínimo.
Caminho legislativo até a sanção
Etapas da tramitação do PL 2.692/2025
A proposta foi inicialmente apresentada pelo deputado José Guimarães (PT-CE) e seguiu o rito:
- Aprovação na Câmara dos Deputados em 25 de junho de 2025;
- Análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado em 5 de agosto;
- Votação simbólica no plenário do Senado em 7 de agosto;
- Encaminhamento para sanção presidencial.
O projeto repete o conteúdo da Medida Provisória 1.294/2025, editada em abril, que estava prestes a perder validade.
Impacto fiscal e projeções para os próximos anos
A aprovação da nova isenção tem custo estimado de R$ 3,3 bilhões em 2025. No entanto, a projeção do governo indica um crescimento gradual do impacto fiscal:
- R$ 5,34 bilhões em 2026;
- R$ 5,73 bilhões em 2027.
O governo justifica a manutenção da política como parte da valorização do salário mínimo e proteção à renda, mas admite que medidas compensatórias precisarão ser adotadas, especialmente se novas isenções forem aprovadas.
O que diz o governo e a oposição
Relator destaca compromisso social
O relator da proposta no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), reforçou que a medida garante dignidade ao trabalhador brasileiro e evita perdas salariais provocadas pela inflação. Ele também destacou o consenso construído entre os parlamentares, mesmo em meio a embates políticos intensos.
Críticas da oposição
Apesar de não votarem contra, senadores da oposição criticaram o governo por não cumprir ainda a promessa de isenção até R$ 5.000 mensais, feita durante a campanha de 2022.
Segundo o senador Sérgio Moro (União-PR), a classe média continua sendo penalizada, com alíquotas de até 22,5% aplicadas a quem ganha entre R$ 3.751 e R$ 4.664, faixa não incluída nas mudanças.
Histórico de ajustes na tabela do IR
A tabela do Imposto de Renda estava congelada desde 2015 até ser atualizada em:
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- 2023: Isenção passou de R$ 1.903,98 para R$ 2.112;
- 2024: Limite subiu para R$ 2.824;
- 2025: Agora alcança R$ 3.036, com o novo salário mínimo.
A estratégia do governo tem sido corrigir gradualmente os valores, ao invés de uma ampla reforma, para evitar impacto abrupto nas contas públicas.
Próximos passos: isenção até R$ 5.000 em debate
O governo já apresentou ao Congresso o PL 1.087/2025, que amplia a isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000 mensais. A proposta também prevê:
- Alíquota de 10% sobre dividendos acima de R$ 50.000 mensais;
- Faixas de desconto para rendas até R$ 7.350;
- Compensações fiscais para evitar perda na arrecadação.
A tramitação está em curso e a expectativa é de votação na Câmara até o fim de 2025 e no Senado no início de 2026.
Reações de especialistas e da sociedade

Apoio de sindicatos e aposentados
Entidades representativas de trabalhadores e aposentados comemoraram a aprovação, destacando o papel da medida no combate à desigualdade. Para eles, manter a isenção é essencial para garantir poder de compra em um cenário de alta nos preços.
Alerta de economistas
Economistas veem a atualização da tabela como positiva, mas alertam para o risco fiscal crescente. A ausência de medidas de compensação — como reforma tributária, tributação de lucros ou corte de gastos — pode comprometer o equilíbrio fiscal no médio prazo.
Conclusão: Isenção de IR até R$ 3.036 é vitória parcial
A sanção presidencial, aguardada para os próximos dias, consolidará a manutenção da isenção do IR para quem ganha até dois salários mínimos. Embora seja um alívio para milhões, a promessa de isenção até R$ 5.000 permanece sem data definida.
O tema deverá ser central nas discussões de reforma tributária e nas eleições de 2026, pressionando o governo a equilibrar a valorização da renda com responsabilidade fiscal.
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital
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