A Câmara dos Deputados aprovou recentemente o Projeto de Lei 1087/25, que traz uma das mudanças mais aguardadas na política fiscal brasileira: a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para todos os contribuintes que recebem até R$ 5 mil mensais. A proposta, que segue agora para o Senado, marca um avanço na tentativa de promover justiça tributária no país e promete economia de até R$ 313 por mês para milhões de brasileiros a partir de 2026.
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Projeto de Lei 1087/25 isenta do IR quem ganha até R$ 5 mil mensais e cria nova taxação sobre altas rendas para compensar a arrecadação.
Enquanto trabalhadores de baixa e média renda serão beneficiados com a desoneração, o projeto também prevê uma redistribuição da carga tributária, com foco em contribuintes de alta renda. A ideia central é simples: quem ganha mais, paga mais. Com isso, o governo tenta compensar a renúncia fiscal estimada em R$ 25,8 bilhões.
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Isenção do IRPF: o que muda para o trabalhador
A proposta eleva de forma significativa a faixa de isenção do IRPF, que atualmente está limitada a R$ 2.112 mensais, ainda com efeitos parciais. Com a aprovação do novo texto, a isenção será ampliada para rendimentos de até R$ 5 mil por mês, zerando a tributação para essa parcela da população.
Quanto o contribuinte pode economizar?
De acordo com estimativas técnicas da Receita Federal, um trabalhador que ganha exatamente R$ 5 mil por mês pode deixar de pagar cerca de R$ 313 por mês em imposto de renda. Isso representa mais de R$ 3.750 ao ano.
Faixa intermediária também terá alívio
Para quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o projeto prevê uma redução proporcional, com base em fórmula de transição ainda a ser regulamentada. Essa medida visa evitar saltos abruptos na carga tributária, respeitando o princípio da progressividade do imposto.
Compensação: taxação mínima para os mais ricos
A proposta também inclui um mecanismo de compensação: a cobrança adicional será realocada para quem recebe acima de R$ 600 mil por ano, o que equivale a cerca de R$ 50 mil por mês. Nesses casos, será aplicada uma taxação mínima de 10% sobre a base tributável.
Segundo o texto, a nova regra atinge:
- Altas remunerações de executivos e diretores;
- Grandes dividendos recebidos por sócios e acionistas;
- Rendas de capital e aplicações com baixa incidência de IR.
Modelo inspirado em normas internacionais
A taxação mínima tem como referência o conceito do “top-up tax”, já aplicado em países da OCDE, que visa combater a chamada “erosão da base tributária”, um fenômeno em que os super-ricos escapam da tributação por meio de estruturas sofisticadas.
O objetivo da nova regra é garantir que todos contribuam com uma alíquota mínima, independentemente da forma como sua renda é recebida.
Um passo rumo à justiça fiscal
Para o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), a aprovação do projeto é simbólica:
“O projeto é neutro quanto à arrecadação, ele é neutro quanto à renúncia fiscal. Mas é um primeiro passo para corrigir uma distorção tributária e social das pessoas que menos recebem.”
De fato, a medida atende a um clamor popular por equidade fiscal, em um sistema considerado por muitos especialistas como regressivo, onde os mais pobres proporcionalmente pagam mais do que os mais ricos.
Impacto orçamentário e cálculo da Receita

A Receita Federal estima que a elevação da faixa de isenção acarretará em uma renúncia fiscal de R$ 25,8 bilhões já em 2026. No entanto, o impacto será compensado pela nova taxação sobre rendas elevadas, especialmente aquelas que hoje escapam da tributação por meio de lucros e dividendos.
Distribuição do impacto estimado:
- R$ 18 bilhões de renúncia com isenção até R$ 5 mil;
- R$ 7,8 bilhões com alívio na faixa intermediária;
- R$ 26 bilhões de arrecadação esperada com a nova taxação.
O governo federal já considera a medida no planejamento orçamentário para o ano fiscal de 2026.
Efeito nas empresas e nas relações de trabalho
As mudanças não afetam apenas os trabalhadores, mas também as empresas, que terão que se adaptar à nova estrutura de incentivos.
Reação do setor privado
Segundo o CEO do Grupo Studio, Carlos Braga Monteiro, a elevação da isenção do IR pode pressionar os custos trabalhistas e os planejamentos tributários das empresas.
“A elevação da faixa de isenção do IR exige que empresas revisem custos trabalhistas e incentivos fiscais para preservar margens. […] A maior taxação sobre altas rendas deve acelerar ajustes societários e reestruturações patrimoniais.”
Tendência de reestruturações
Com a nova realidade fiscal, especialistas preveem uma corrida por reestruturações societárias, especialmente entre empresas de capital fechado. Muitos executivos devem buscar modelos de remuneração mais eficientes, como participações nos lucros e bonificações isentas, que devem ser analisadas caso a caso.
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A reforma ainda não é definitiva
Embora o projeto represente um avanço, a proposta ainda precisa ser:
- Aprovada no Senado Federal;
- Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva;
- Regulamentada pela Receita Federal, com definição de regras e fórmulas para a faixa intermediária.
Se aprovada sem alterações, a medida entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026, com efeitos práticos sobre o ano-calendário de 2026 e restituições/declarações feitas em 2027.
Comparativo: como fica a tabela do IRPF com a nova regra
| Faixa de renda mensal | Situação atual | Nova situação (PL 1087/25) |
|---|---|---|
| Até R$ 2.112 | Isento | Isento |
| Até R$ 5.000 | Paga IR | Isento |
| R$ 5.000,01 a R$ 7.350 | Paga IR | Desconto parcial |
| Acima de R$ 7.350 | Paga IR | Sem mudança na alíquota |
| Acima de R$ 50 mil | Paga IR | Alíquota mínima de 10% |
Expectativa política e social
O governo Lula tem reiterado o compromisso com uma reforma tributária progressiva, que tribute mais a renda e menos o consumo. Essa medida se alinha a esse objetivo e poderá ser usada como bandeira política em 2026, ano de eleição presidencial.
Do ponto de vista social, a mudança deve:
- Aumentar o poder de compra da classe média;
- Reduzir a informalidade fiscal;
- Estimular o consumo interno.
O que dizem os economistas?

Críticas
Alguns analistas econômicos alertam que a complexidade das fórmulas para a faixa intermediária pode gerar dúvidas e até distorções.
Outros temem que a arrecadação esperada sobre os mais ricos seja otimista demais, considerando as brechas existentes na legislação atual.
Apoios
Por outro lado, entidades como o Ipea, o IBGE e a FGV consideram a proposta um passo coerente e necessário, já que a base do sistema atual tributa excessivamente o trabalho e pouco o capital.
Imagem: Diego Grandi / shutterstock.com
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