Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Reforma do IR explicada com exemplos práticos de quem paga zero, menos ou o mesmo

Nova lei amplia a isenção do IR para salários de até R$ 5 mil em 2026 e cria fator redutor. Veja exemplos práticos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Imposto de Renda (1)

Uma das promessas de campanha mais aguardadas do governo federal finalmente saiu do discurso e passou a integrar a legislação tributária brasileira. A sanção da Lei nº 15.270/2025 introduz mudanças relevantes na forma de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), com impacto direto no bolso de milhões de trabalhadores a partir de 1º de janeiro de 2026.

O principal destaque da nova regra é a ampliação da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5.000,00 por mês. Diferentemente de reformas anteriores, o governo optou por não alterar as alíquotas da tabela progressiva tradicional, que seguem variando de 7,5% a 27,5%. A inovação está na criação de um mecanismo de transição, chamado de fator redutor, que diminui ou até zera o imposto devido para salários baixos e intermediários.

Leia mais:

Imposto de Renda 2026: confira como ficou a tabela!

O que muda na prática com a nova lei do Imposto de Renda

A mudança aprovada não mexe diretamente nas faixas de tributação conhecidas do contribuinte. A tabela progressiva mensal permanece a mesma, mas passa a coexistir com um sistema de abatimento adicional que reduz o valor final do imposto.

A criação do fator redutor

O fator redutor funciona como um desconto aplicado diretamente sobre o imposto calculado pela tabela progressiva. Em vez de alterar percentuais, o governo reduz o valor que seria pago, garantindo uma transição mais suave entre a isenção total e a tributação integral.

Quem ganha até R$ 5.000,00 por mês

Para rendimentos mensais de até R$ 5.000,00, o imposto devido é integralmente zerado. Isso ocorre por meio de uma redução que pode chegar a R$ 312,89, suficiente para eliminar totalmente o IR calculado após a aplicação da tabela progressiva.

Quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00

Nessa faixa intermediária, o contribuinte passa a contar com uma redução parcial e decrescente. Quanto mais próximo o salário estiver de R$ 7.350,00, menor será o valor do desconto aplicado. O objetivo é evitar um salto brusco na carga tributária.

Quem ganha acima de R$ 7.350,00

Para rendimentos superiores a R$ 7.350,00 mensais, não há qualquer redução adicional. Nesses casos, o cálculo do Imposto de Renda segue exatamente as regras tradicionais da tabela progressiva.

Tabela progressiva mensal continua válida em 2026

Apesar da mudança estrutural, a tabela de incidência mensal do IRPF permanece a mesma, servindo como base para o cálculo inicial do imposto.

Base de cálculo e alíquotas

Até R$ 2.428,80: isento
De R$ 2.428,81 até R$ 2.826,65: 7,5%
De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05: 15,0%
De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68: 22,5%
Acima de R$ 4.664,68: 27,5%

As deduções padrão também continuam vigentes, como a contribuição previdenciária e o desconto simplificado mensal, equivalente a 25% do limite máximo da faixa de isenção.

Exemplos práticos divulgados pela Receita Federal

Para esclarecer as mudanças, a Receita Federal apresentou simulações detalhadas de como o imposto será retido na fonte em diferentes situações.

Exemplo 1: isenção total para salário de R$ 4.000

Um trabalhador que recebe salário bruto de R$ 4.000,00, com contribuição previdenciária de R$ 373,41, pode optar pelo desconto simplificado mensal de R$ 607,20, por ser mais vantajoso. A base de cálculo cai para R$ 3.392,80.

Após a aplicação da tabela progressiva, o imposto calculado seria de R$ 114,76. Com o fator redutor previsto na nova lei, esse valor é integralmente abatido, resultando em Imposto de Renda Retido na Fonte igual a zero.

Exemplo 2: redução parcial para salário de R$ 6.000

No caso de um salário bruto de R$ 6.000,00, com contribuição previdenciária de R$ 649,60, as deduções legais são mais vantajosas do que o desconto simplificado. A base de cálculo fica em R$ 5.350,40.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

O imposto calculado pela tabela progressiva seria de R$ 562,63. Com a aplicação da fórmula de redução prevista para a segunda faixa, o valor final do IRRF cai para R$ 382,88, representando um alívio tributário relevante em relação ao modelo anterior.

Exemplo 3: sem redução para salário acima de R$ 7.350

Para um salário bruto de R$ 7.607,20, sem deduções legais, o desconto simplificado reduz a base de cálculo para R$ 7.000,00. O imposto apurado pela tabela progressiva é de R$ 1.016,27.

Como o rendimento mensal ultrapassa o limite de R$ 7.350,00, não há aplicação do fator redutor, e o contribuinte paga o imposto integralmente.

Atenção para quem tem duas fontes de renda

Um ponto que merece atenção especial é a situação de trabalhadores com mais de uma fonte pagadora. A Receita Federal esclareceu que a isenção mensal será aplicada individualmente em cada vínculo.

Impacto na declaração anual

Isso significa que um contribuinte que receba, por exemplo, R$ 4.000,00 de uma empresa e R$ 3.600,00 de outra pode não ter imposto retido na fonte ao longo do ano. No entanto, a soma mensal dos rendimentos ultrapassa o limite de isenção, o que pode gerar imposto a pagar na declaração anual do IR de 2027.

Opção de recolhimento complementar

Para evitar surpresas, o Fisco permite que o contribuinte antecipe o pagamento por meio de recolhimento complementar ao longo do ano, reduzindo o risco de um valor elevado a pagar no ajuste anual.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados