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Desconto do IR não caiu no início do ano? Saiba se você tem direito e quando muda

Nova lei do Imposto de Renda (IR) isenta salários até R$ 5 mil em 2026. Saiba por que o desconto não caiu em janeiro e como recuperar valores.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
Imposto de Renda

A entrada em vigor da nova lei do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), sancionada em dezembro de 2025, trouxe uma das mudanças mais aguardadas pelos trabalhadores brasileiros nos últimos anos: a isenção total do tributo para quem recebe até R$ 5 mil por mês. A promessa de aumento no salário líquido gerou grande expectativa, especialmente entre trabalhadores da classe média.

No entanto, o pagamento de janeiro de 2026 surpreendeu parte dos contribuintes. Muitos relataram que o desconto do Imposto de Renda continuou aparecendo no holerite, mesmo estando dentro da faixa de isenção prevista pela nova legislação. A situação levantou dúvidas, questionamentos e até suspeitas de erro por parte das empresas.

Afinal, a nova regra já está valendo? Por que o desconto não caiu para alguns trabalhadores? Quando o abatimento é considerado indevido? E como recuperar valores pagos a mais? A seguir, explicamos todos os detalhes da nova lei do Imposto de Renda, com base nas orientações da Receita Federal, especialistas em contabilidade e direito tributário.

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Nova lei do Imposto de Renda já está em vigor

O que mudou a partir de janeiro de 2026

A Lei nº 15.270/25 alterou significativamente a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física. A principal mudança foi a ampliação da faixa de isenção, que passou a contemplar trabalhadores com rendimentos mensais de até R$ 5.000,00.

Antes da mudança, a isenção era bem menor, o que fazia com que uma parcela expressiva dos trabalhadores tivesse descontos mensais consideráveis no salário.

Quem é beneficiado pela nova regra

A nova legislação beneficia diretamente:

  • Trabalhadores assalariados do setor público e privado
  • Empregados com carteira assinada
  • Profissionais com rendimentos tributáveis dentro da nova faixa

Já quem recebe acima de R$ 5 mil continua pagando Imposto de Renda, mas passa a contar com uma tributação progressiva mais suave, reduzindo o impacto mensal.

Regime de caixa explica por que o desconto deveria cair em janeiro

O que é o regime de caixa no Imposto de Renda

Segundo a Receita Federal, o Imposto de Renda no Brasil segue o chamado regime de caixa. Isso significa que o que importa para fins de tributação é a data em que o salário é efetivamente pago ao trabalhador, e não o mês em que o serviço foi prestado.

Como isso afeta o salário de janeiro

De acordo com esse princípio:

  • Salários pagos a partir de 1º de janeiro de 2026 já devem obedecer às novas regras
  • Mesmo que o pagamento seja referente ao mês de dezembro de 2025
  • O desconto do IR deveria ser ajustado automaticamente

Por isso, trabalhadores que receberam em janeiro salários de até R$ 5 mil já deveriam perceber a isenção no holerite.

Impacto da nova isenção no salário líquido

Redução imediata do desconto

O contador Anderson Maffioletti explica que o impacto da nova lei deveria ser sentido imediatamente no pagamento de janeiro, justamente por conta do regime de caixa.

Em termos práticos, isso significa mais dinheiro no bolso do trabalhador já no primeiro mês do ano.

Ganho varia conforme a faixa salarial

Para quem ganha até R$ 5 mil

Esse grupo é o mais beneficiado. A economia mensal pode chegar a R$ 312,89, o que representa mais de R$ 4 mil ao longo de um ano, considerando o 13º salário.

Para quem ganha entre R$ 5.001 e R$ 7.350

Nesse caso, a isenção não é total, mas o desconto é reduzido progressivamente. O ganho mensal pode variar bastante:

  • Aproximadamente R$ 299 para quem ganha R$ 5.100
  • Cerca de R$ 110 para salários em torno de R$ 6.500
  • Apenas R$ 6 para quem recebe próximo do teto de R$ 7.350

Quando o desconto do Imposto de Renda é considerado indevido

Erro da fonte pagadora

Segundo a Receita Federal, se o trabalhador recebeu um salário dentro da faixa de isenção em janeiro de 2026 e, ainda assim, teve desconto de IR, o erro é da fonte pagadora — ou seja, da empresa.

Isso pode ocorrer por diversos motivos:

  • Sistema de folha de pagamento desatualizado
  • Falha operacional no setor de RH ou contabilidade
  • Atraso na adequação às novas regras legais

Casos em que o desconto ainda pode ser correto

O advogado tributarista Thiago Sevegnani Baehr explica que há situações específicas em que o desconto ainda pode ocorrer legalmente.

Pagamento antecipado em dezembro

Se o salário de dezembro de 2025 foi pago ainda naquele mês, aplica-se a regra antiga, sem a nova isenção. Nesse caso, o desconto não é considerado indevido.

O que fazer se o desconto não caiu no holerite

Passo a passo para o trabalhador

Verifique o holerite com atenção

  • Confira o valor bruto
  • Analise o desconto de IR
  • Observe a data exata do pagamento

Confirme a faixa salarial

Certifique-se de que o salário bruto está dentro do limite de isenção ou da faixa de redução.

Procure o setor de RH ou contabilidade

Em muitos casos, o problema pode ser resolvido rapidamente com a correção do sistema de folha.

Como recuperar valores descontados indevidamente

Devolução direta pela empresa

A empresa pode devolver o valor descontado indevidamente em uma folha de pagamento posterior. No entanto, essa alternativa exige cautela.

Segundo a Receita Federal, o pagamento acumulado pode fazer com que o trabalhador ultrapasse a faixa de isenção em um único mês, gerando nova tributação.

Restituição na declaração anual

A alternativa mais segura é recuperar o valor por meio da declaração anual do Imposto de Renda.

Nesse caso:

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  • O valor pago a mais será corrigido
  • A restituição ocorre na declaração de 2027, referente ao ano-base 2026
  • O sistema da Receita ajusta automaticamente o imposto devido

Entenda a nova tabela do Imposto de Renda em 2026

Faixas de tributação

A nova tabela mantém a progressividade, mas com abatimentos maiores nas faixas intermediárias.

Fórmula oficial de cálculo

Para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, a redução pode ser calculada com a fórmula:

978,62 – (0,133145 × rendimentos tributáveis mensais)

Exemplo prático

Salário de R$ 6.000

  • 0,133145 × 6.000 = 798,87
  • 978,62 – 798,87 = 179,75

Isso representa uma economia mensal de R$ 179,75, ou R$ 2.336,75 ao longo do ano, incluindo o 13º salário.

Impacto da nova lei no orçamento das famílias

Alívio financeiro mensal

Para milhões de trabalhadores, a nova isenção representa:

  • Maior poder de compra
  • Capacidade de quitar dívidas
  • Mais espaço no orçamento familiar

Reflexos na economia

Especialistas apontam que a medida também tem impacto positivo na economia, ao aumentar o consumo e estimular setores como comércio e serviços.

Importância de acompanhar a legislação tributária

Mudanças exigem atenção constante

A legislação tributária brasileira passa por constantes atualizações. Por isso, acompanhar mudanças no Imposto de Renda é fundamental para evitar prejuízos.

Informação é ferramenta de proteção financeira

Estar bem informado permite:

  • Identificar erros rapidamente
  • Evitar descontos indevidos
  • Planejar melhor o orçamento anual

Considerações finais

A nova lei do Imposto de Renda, em vigor desde janeiro de 2026, trouxe um avanço significativo ao ampliar a faixa de isenção para salários de até R$ 5 mil. Apesar disso, falhas operacionais e dúvidas sobre a aplicação do regime de caixa fizeram com que alguns trabalhadores não percebessem imediatamente a redução no desconto.

Na maioria dos casos, o problema está relacionado à atualização dos sistemas de folha de pagamento. Quando o desconto ocorre de forma indevida, o trabalhador tem o direito de buscar a correção, seja por meio da empresa ou pela restituição na declaração anual.

A recomendação é clara: conferir o holerite, entender a nova tabela e, em caso de dúvida, procurar orientação especializada. Informação e atenção são essenciais para garantir que os benefícios da nova lei sejam plenamente aproveitados.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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