O projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem recebe até R$ 5 mil por mês promete mudar a vida de milhões de brasileiros.
Com isenção até R$ 5 mil, veja se você entra na nova faixa do IRPF
Descubra se você entra na nova faixa de isenção do IRPF até R$ 5 mil e saiba quem pagará mais. Confira os impactos agora!
A proposta, em fase final de tramitação, pode beneficiar diretamente mais de 10 milhões de contribuintes, ao mesmo tempo em que impõe um reajuste de carga tributária sobre as camadas mais ricas da população. Mas, afinal, quem será beneficiado com a nova regra e quem terá aumento de imposto?
Leia mais:
IRPF 2025: como funciona o pagamento do 4º lote da restituição
O que muda com a nova faixa de isenção do IRPF

Atualmente, estão isentos do IRPF apenas os contribuintes com renda mensal de até R$ 3.036, o equivalente a dois salários mínimos. Com a nova regra, esse limite sobe para R$ 5 mil, ampliando consideravelmente a base de brasileiros que deixarão de pagar o imposto.
Dados principais do projeto
- Mais de 90% dos contribuintes estarão em faixa de isenção total ou parcial.
- 65% dos declarantes ficarão completamente livres do imposto.
- O impacto maior será sobre os 0,2% mais ricos, grupo que concentra pouco mais de 200 mil pessoas no país.
Trabalhadores com carteira assinada até R$ 5 mil
Situação atual
Quem recebe até R$ 3.036 não paga IRPF. Acima desse valor, as alíquotas progressivas variam de 7,5% a 27,5%, dependendo da faixa salarial.
Situação com a nova regra
- Todos os trabalhadores com carteira e salário de até R$ 5 mil ficam isentos.
- Quem recebe entre R$ 5.000 e R$ 7.350 terá uma tabela especial, garantindo desconto automático para que o salário líquido não fique abaixo do piso da isenção.
- Essa mudança representa maior poder de compra para milhões de famílias brasileiras.
Impacto para a classe média
A classe média, composta por trabalhadores que recebem entre R$ 5 mil e R$ 7,3 mil, também será beneficiada. Embora não fiquem totalmente isentos, terão redução efetiva na alíquota.
Isso significa que, na prática, o imposto pago será menor do que hoje, garantindo maior alívio financeiro em um grupo que tradicionalmente carrega boa parte da carga tributária.
Profissionais liberais e altos salários
Quem ganha acima de R$ 50 mil
Dentistas, advogados, arquitetos e outros profissionais liberais com salário mensal superior a R$ 50 mil continuarão pagando 27,5% de alíquota na fonte.
No entanto, para aqueles cuja alíquota efetiva seja inferior a 10%, será aplicada uma alíquota mínima de 10%.
Exemplo prático
- Hoje, profissionais do 0,1% mais rico ganham em média R$ 392 mil por mês e pagam apenas 7,4% de IRPF efetivo.
- Com a nova regra, passarão a pagar no mínimo 10%, ampliando a arrecadação.
Dividendos e pessoas jurídicas
Muitos profissionais de alta renda recebem rendimentos por meio de pessoa jurídica (PJ), distribuídos em dividendos – modalidade atualmente isenta de IRPF.
Com a mudança:
- Dividendos acima de R$ 50 mil mensais passarão a ter tributação mínima de 10% na fonte.
- Isso afeta diretamente médicos, engenheiros, consultores e empresários que concentram ganhos via PJ.
- Se a renda anual ultrapassar R$ 600 mil, haverá ajuste para garantir que a alíquota efetiva não fique abaixo do novo limite.
Quem perde com a mudança
- Super-ricos: O 0,01% mais rico (cerca de 10 mil brasileiros) hoje paga apenas 3% de IRPF efetivo e será diretamente impactado.
- Profissionais de alta renda que acumulam salário e dividendos: passarão a ter que somar todos os rendimentos para calcular a alíquota.
- Empresários de grandes fortunas: terão aumento de carga tributária proporcional.
Argumentos econômicos em debate
Visão dos especialistas
Segundo o economista Guilherme Klein Martins, da USP, a medida é essencial para corrigir distorções históricas:
“É muito absurda a alíquota efetiva dos super-ricos no Brasil. Olhando friamente para os números, a mudança reduz desigualdades”, disse em entrevista.
Possíveis críticas
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
- Risco de rombo fiscal: ampliar a isenção pode reduzir a arrecadação, caso a tributação mínima sobre os mais ricos não seja suficiente.
- Reação empresarial: empresários podem buscar formas de reorganizar seus rendimentos para pagar menos.
Comparação internacional
O Brasil é um dos países em que os mais ricos pagam proporcionalmente menos imposto de renda em relação à média da população. Em países da OCDE, as alíquotas efetivas de altas rendas superam 25% a 30%, enquanto no Brasil, em alguns casos, não passam de 7%.
Como a mudança afeta você

Se você ganha até R$ 5 mil:
- Ficará totalmente isento.
- Terá aumento imediato na renda líquida.
Se você ganha entre R$ 5 mil e R$ 7,3 mil:
- Pagará menos imposto do que hoje.
- Seu desconto em folha será reduzido.
Se você ganha acima de R$ 50 mil:
- Será enquadrado em alíquota mínima de 10%, caso sua tributação efetiva esteja abaixo disso.
Futuro da proposta
O projeto de lei ainda precisa de aprovação final no Congresso, mas conta com apoio expressivo da base governista. A expectativa é que a medida entre em vigor já no próximo ano-base.
Conclusão
A ampliação da faixa de isenção do IRPF para R$ 5 mil mensais representa uma das maiores mudanças na política tributária dos últimos anos. Se, por um lado, traz alívio para milhões de trabalhadores assalariados e para a classe média, por outro impõe um novo cenário de cobrança aos super-ricos e profissionais de alta renda.
A medida busca equilibrar a balança tributária e corrigir distorções históricas, mas seu sucesso dependerá de uma compensação fiscal eficaz e da capacidade do governo em fechar as brechas usadas pelos que concentram renda.
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital
Pode ser do seu interesse:
