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Isenção no IR para quem recebe até R$ 5 mil deve ser propostas mas diferente do previsto; entenda

O governo Lula planeja propor isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, mas isso vem acompanhado de compensações. Entenda como essa medida

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
Isenção Imposto de renda

A proposta do governo brasileiro de isentar o Imposto de Renda (IR) para cidadãos que recebem até R$ 5.000 mensais tem gerado intensas discussões no cenário político e econômico. 

Essa promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feita durante as eleições de 2022, se depara com um orçamento já estourado e a necessidade de compensações fiscais que não deixem o país em uma situação financeira ainda mais delicada. 

Neste artigo, analisaremos as implicações dessa proposta, as possíveis fontes de compensação e o que isso significa para os brasileiros e para a economia.

Leia mais: Isenção de IR para quem recebe até R$ 5 mil; entenda o custo da mudança

O cenário atual

O contexto da isenção

O governo estima que a isenção para os contribuintes que ganham até R$ 5.000 representará uma renúncia fiscal de aproximadamente R$ 40 bilhões a partir de 2026. Essa quantia equivale a um desafio significativo para um orçamento já sob pressão, o que leva a equipe econômica a pensar em alternativas de compensação que garantam a manutenção da arrecadação.

Isenção Imposto de Renda Novo Grupo
Imagem: rafapress / shutterstock.com

Compensações fiscais

Por que são necessárias?

A principal preocupação do governo é que, embora a isenção beneficie milhões de brasileiros, a perda de arrecadação precisa ser equilibrada para evitar déficits fiscais. Assim, a equipe econômica está elaborando propostas que visam compensar essa renúncia.

Tributação dos super-ricos

Uma das alternativas que está sendo discutida é a implementação de uma tributação mínima sobre os chamados “super-ricos”, um grupo que atualmente não paga imposto sobre a renda proveniente de rendimentos isentos, como lucros e dividendos. A ideia é que esses contribuintes passem a contribuir com um percentual mínimo, o que ajudaria a suprir parte da perda de arrecadação.

Outras opções de compensação

Além da tributação dos super-ricos, o governo também considera ajustes na tributação das empresas e modificações nos Juros sobre Capital Próprio (JCP) e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A proposta inclui alterações que visam a redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) para não onerar ainda mais o setor produtivo.

A proposta em andamento

Envio ao Congresso

Embora o governo esteja se preparando para enviar a proposta ao Congresso em 2024, a discussão e votação no legislativo só devem ocorrer em 2025, devido à necessidade de respeitar a anterioridade tributária. Isso significa que, mesmo que a proposta seja aprovada, a isenção só entrará em vigor em 2026.

O risco de aprovação sem compensações

É sempre uma possibilidade que o Congresso aprove a isenção sem as compensações necessárias. No entanto, o governo já deixou claro que não sancionará um texto que não venha acompanhado de medidas que assegurem a viabilidade fiscal da proposta.

A revisão de gastos

Discussão paralela

A discussão sobre a reforma do Imposto de Renda não deve ocorrer em conjunto com o debate do Orçamento de 2025, mas pode ser alinhada à revisão de gastos proposta pela equipe econômica. Essa abordagem pode facilitar as negociações, visto que a reforma pode encontrar resistência entre os membros do governo.

Resistências e estratégias

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As revisões de gastos geralmente enfrentam desafios em administrações de esquerda. Portanto, vincular a proposta de isenção do IR a uma revisão de gastos pode ser uma estratégia eficaz para minimizar resistências e garantir que as compensações sejam vistas como necessárias.

Impactos sociais da isenção

Benefícios para a população

A isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000 pode trazer alívio significativo para uma parcela considerável da população brasileira, aumentando a renda disponível para consumo e, consequentemente, estimulando a economia.

Desigualdade tributária

Um dos principais objetivos dessa medida é também combater a desigualdade tributária no Brasil, onde a carga fiscal muitas vezes recai desproporcionalmente sobre os mais pobres e a classe média, enquanto os mais ricos se beneficiam de brechas e isenções.

Isenção no IR
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Considerações finais

A proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 representa um passo significativo em direção à justiça fiscal no Brasil. No entanto, a viabilidade dessa medida dependerá da capacidade do governo de articular as compensações necessárias para que não haja um rombo nas contas públicas.

À medida que o debate avança, será crucial que a população se mantenha informada e engajada, acompanhando os desdobramentos dessa proposta que pode alterar o panorama fiscal e econômico do país nos próximos anos. O equilíbrio entre a justiça fiscal e a responsabilidade fiscal será o verdadeiro desafio para o governo Lula e para o Congresso Nacional.

Com a proposta de isenção de IR para quem ganha até R$ 5.000, o governo Lula tem a chance de implementar uma medida que pode beneficiar milhões de brasileiros. Contudo, a necessidade de compensações fiscais e a responsabilidade em manter o equilíbrio das contas públicas serão cruciais para o sucesso dessa proposta.

Imagem: Juca Varella / Agência Brasil

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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