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Banco Itaú precisa apresentar proposta de acordo em 48 horas após demissões

Mais de mil demissões no Itaú seguem sem acordo. TRT dá 48h ao banco para apresentar proposta em mediação com sindicato e trabalhadores.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
itaú

O impasse envolvendo as mais de mil demissões realizadas pelo Banco Itaú no início de setembro ganhou novo capítulo nesta semana. Sem consenso entre a instituição financeira e a representação sindical, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) concedeu prazo de 48 horas para que o banco apresente uma proposta concreta de acordo.

A medida busca avançar nas negociações que afetam diretamente centenas de trabalhadores desligados, a maioria deles na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

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Audiência no TRT e a pressão sobre o banco

Itaú
Imagem: Joa Souza / shutterstock.com

A audiência de mediação ocorreu na noite de quarta-feira (1º) e reuniu representantes do sindicato, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e do próprio banco. Apesar da mobilização sindical e da tentativa de abertura de diálogo, o encontro terminou sem consenso.

O mediador do processo estabeleceu então o prazo de 48 horas para que o Itaú elabore uma proposta que contemple os trabalhadores demitidos. Uma nova audiência foi agendada para esta sexta-feira (3), às 18h.

Segundo o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção, a atuação sindical é essencial para garantir que os direitos dos bancários sejam respeitados. “Estamos defendendo o emprego e a dignidade dos trabalhadores. A participação nas plenárias e atividades convocadas é fundamental para que possamos alcançar uma solução justa”, declarou.

Movimento sindical intensifica ações

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo (Seeb/SP) e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, destacou que o movimento sindical tem adotado diferentes estratégias para tentar um acordo com o banco. Desde a divulgação das demissões, foram realizadas manifestações, paralisações e reuniões com trabalhadores para pressionar a instituição financeira a rever sua decisão.

“Estamos insistindo no diálogo e apostando na via negocial. A audiência de sexta-feira será uma oportunidade para avançarmos em um entendimento que minimize os impactos dessas demissões em massa”, afirmou Neiva.

Trabalhadores denunciam tratamento injusto

mão recolhendo peças representando demissão em massa
Imagem: izzuanroslan / shutterstock.com

Além da luta por reintegração e negociação, representantes sindicais destacam o estigma enfrentado pelos bancários desligados. De acordo com Valeska Pincovai, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, os trabalhadores foram dispensados de forma arbitrária e com justificativas que os desqualificam.

“Eles foram classificados como improdutivos, sem direito de defesa, e agora enfrentam uma marca negativa na sociedade. Isso causa prejuízo moral e profissional, e o banco precisa assumir sua responsabilidade”, disse Valeska.

O contexto das demissões em massa

As mais de mil demissões realizadas em 8 de setembro causaram forte reação do movimento sindical e repercussão nacional. A justificativa oficial do banco apontava reestruturação interna, mas entidades representativas dos trabalhadores classificaram a medida como abusiva e prejudicial, principalmente em um setor que tem registrado lucros bilionários.

O Itaú, maior banco privado do país, registrou ganhos expressivos no primeiro semestre de 2025, o que ampliou as críticas às demissões. Para os sindicatos, não há justificativa econômica que sustente uma medida de tal porte, sobretudo em um cenário em que a empresa continua a crescer e expandir seus negócios.

Impactos sociais e econômicos

O desligamento de tantos trabalhadores ao mesmo tempo provoca efeitos que vão além da perda individual de renda. Há impacto direto sobre famílias inteiras e sobre a economia local, especialmente em regiões onde a presença do banco é significativa. A insegurança gerada pela falta de negociação amplia ainda mais a tensão entre trabalhadores e instituição financeira.

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A disputa no campo jurídico e sindical

O processo de mediação no TRT é visto como etapa decisiva para tentar evitar judicialização em massa. Caso não haja acordo até sexta-feira, é possível que sindicatos e trabalhadores adotem medidas judiciais individuais e coletivas para buscar reparação.

O movimento sindical reforça que continuará mobilizado, convocando trabalhadores a participar de atos e plenárias. A estratégia é manter pressão constante sobre o banco para que ele reveja sua postura e apresente soluções concretas.

O papel da Contraf-CUT

A Contraf-CUT, principal entidade nacional de representação dos bancários, atua em conjunto com o sindicato de São Paulo para articular negociações e dar visibilidade ao caso. A entidade também mobiliza bancários de outras regiões, já que a medida do Itaú, ainda que concentrada em São Paulo, pode servir de precedente para cortes semelhantes em outras localidades.

Expectativa para a próxima audiência

A nova audiência marcada para sexta-feira (3) será crucial. Caso o Itaú não apresente uma proposta que contemple parte das reivindicações dos trabalhadores, o risco de agravamento da crise é elevado. A falta de diálogo pode acentuar o desgaste da imagem do banco junto à sociedade, aos clientes e ao próprio setor financeiro.

Para o sindicato, o desfecho favorável depende da mobilização coletiva e da pressão institucional. “A união é nossa principal arma nesse momento. É fundamental que os bancários e a sociedade acompanhem o desenrolar desse processo e apoiem a luta por justiça”, reforçou Vinícius Assumpção.

Imagem: SERGIO V S RANGEL / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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