O impasse envolvendo as mais de mil demissões realizadas pelo Banco Itaú no início de setembro ganhou novo capítulo nesta semana. Sem consenso entre a instituição financeira e a representação sindical, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) concedeu prazo de 48 horas para que o banco apresente uma proposta concreta de acordo.
A medida busca avançar nas negociações que afetam diretamente centenas de trabalhadores desligados, a maioria deles na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Leia Mais:
INSS oferece 1.300 vagas para avaliação social e perícia médica nos dias 4 e 5 de outubro
Audiência no TRT e a pressão sobre o banco

A audiência de mediação ocorreu na noite de quarta-feira (1º) e reuniu representantes do sindicato, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e do próprio banco. Apesar da mobilização sindical e da tentativa de abertura de diálogo, o encontro terminou sem consenso.
O mediador do processo estabeleceu então o prazo de 48 horas para que o Itaú elabore uma proposta que contemple os trabalhadores demitidos. Uma nova audiência foi agendada para esta sexta-feira (3), às 18h.
Segundo o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção, a atuação sindical é essencial para garantir que os direitos dos bancários sejam respeitados. “Estamos defendendo o emprego e a dignidade dos trabalhadores. A participação nas plenárias e atividades convocadas é fundamental para que possamos alcançar uma solução justa”, declarou.
Movimento sindical intensifica ações
A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo (Seeb/SP) e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, destacou que o movimento sindical tem adotado diferentes estratégias para tentar um acordo com o banco. Desde a divulgação das demissões, foram realizadas manifestações, paralisações e reuniões com trabalhadores para pressionar a instituição financeira a rever sua decisão.
“Estamos insistindo no diálogo e apostando na via negocial. A audiência de sexta-feira será uma oportunidade para avançarmos em um entendimento que minimize os impactos dessas demissões em massa”, afirmou Neiva.
Trabalhadores denunciam tratamento injusto

Além da luta por reintegração e negociação, representantes sindicais destacam o estigma enfrentado pelos bancários desligados. De acordo com Valeska Pincovai, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, os trabalhadores foram dispensados de forma arbitrária e com justificativas que os desqualificam.
“Eles foram classificados como improdutivos, sem direito de defesa, e agora enfrentam uma marca negativa na sociedade. Isso causa prejuízo moral e profissional, e o banco precisa assumir sua responsabilidade”, disse Valeska.
O contexto das demissões em massa
As mais de mil demissões realizadas em 8 de setembro causaram forte reação do movimento sindical e repercussão nacional. A justificativa oficial do banco apontava reestruturação interna, mas entidades representativas dos trabalhadores classificaram a medida como abusiva e prejudicial, principalmente em um setor que tem registrado lucros bilionários.
O Itaú, maior banco privado do país, registrou ganhos expressivos no primeiro semestre de 2025, o que ampliou as críticas às demissões. Para os sindicatos, não há justificativa econômica que sustente uma medida de tal porte, sobretudo em um cenário em que a empresa continua a crescer e expandir seus negócios.
Impactos sociais e econômicos
O desligamento de tantos trabalhadores ao mesmo tempo provoca efeitos que vão além da perda individual de renda. Há impacto direto sobre famílias inteiras e sobre a economia local, especialmente em regiões onde a presença do banco é significativa. A insegurança gerada pela falta de negociação amplia ainda mais a tensão entre trabalhadores e instituição financeira.
A disputa no campo jurídico e sindical
O processo de mediação no TRT é visto como etapa decisiva para tentar evitar judicialização em massa. Caso não haja acordo até sexta-feira, é possível que sindicatos e trabalhadores adotem medidas judiciais individuais e coletivas para buscar reparação.
O movimento sindical reforça que continuará mobilizado, convocando trabalhadores a participar de atos e plenárias. A estratégia é manter pressão constante sobre o banco para que ele reveja sua postura e apresente soluções concretas.
O papel da Contraf-CUT
A Contraf-CUT, principal entidade nacional de representação dos bancários, atua em conjunto com o sindicato de São Paulo para articular negociações e dar visibilidade ao caso. A entidade também mobiliza bancários de outras regiões, já que a medida do Itaú, ainda que concentrada em São Paulo, pode servir de precedente para cortes semelhantes em outras localidades.
Expectativa para a próxima audiência
A nova audiência marcada para sexta-feira (3) será crucial. Caso o Itaú não apresente uma proposta que contemple parte das reivindicações dos trabalhadores, o risco de agravamento da crise é elevado. A falta de diálogo pode acentuar o desgaste da imagem do banco junto à sociedade, aos clientes e ao próprio setor financeiro.
Para o sindicato, o desfecho favorável depende da mobilização coletiva e da pressão institucional. “A união é nossa principal arma nesse momento. É fundamental que os bancários e a sociedade acompanhem o desenrolar desse processo e apoiem a luta por justiça”, reforçou Vinícius Assumpção.
Imagem: SERGIO V S RANGEL / shutterstock.com
