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Itaú Unibanco identifica golpe de coleta de biometria facial e avisa clientes sobre riscos

Itaú Unibanco alerta para golpe que coleta biometria facial com falsos brindes. Banco reforça ações de prevenção e segurança digital.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
itaú

A segurança digital tornou-se um campo de batalha constante entre instituições financeiras e criminosos virtuais. No centro dessa disputa, o Itaú Unibanco vem intensificando suas medidas de proteção e conscientização dos clientes diante de uma nova modalidade de fraude: o golpe de coleta de biometria facial. A instituição alerta que os criminosos estão explorando técnicas de engenharia social cada vez mais sofisticadas, capazes de manipular o comportamento humano e burlar as camadas de defesa tecnológica.

Em entrevista ao Mobile Time, o superintendente de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco, Victor Thomazetti, explicou que a dinâmica da segurança é um “jogo infinito”, no qual a inovação dos criminosos é tão constante quanto as medidas de proteção.

Cada nova fraude gera um ciclo de resposta, estudo e evolução tecnológica. “O sistema financeiro é um alvo óbvio, mas hoje vemos empresas de tecnologia também sendo visadas. Não há barreiras para a fraude”, afirmou o executivo.

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A nova era da engenharia social

Itaú empresas aplicativo
Imagem: Diego Thomazini/Shutterstock.com

Texto, contexto e manipulação emocional

A chamada engenharia social é a principal arma dos fraudadores. Trata-se de uma tática que mistura texto e contexto — ou seja, uma narrativa convincente sustentada por um ambiente que parece legítimo. É nesse cenário que o criminoso solicita informações sensíveis, como dados pessoais e biometria facial, sob pretextos falsos.

De acordo com Thomazetti, os golpistas aproveitam o avanço tecnológico e a ampla exposição de informações pessoais na internet para tornar as abordagens mais personalizadas e críveis. “Eles criam um contexto que derruba as defesas das vítimas e faz o pedido ilícito parecer lógico”, explica.

Embora a biometria facial seja considerada uma das tecnologias mais seguras do setor financeiro, justamente por utilizar inteligência artificial e análise de liveness 3D, sua confiabilidade acabou se tornando um novo alvo. O motivo é simples: se o criminoso conseguir capturar uma amostra autêntica da face da vítima, ele pode habilitar serviços financeiros em nome dela.


O “Golpe do Aniversário”: quando a confiança vira armadilha

Presente falso, foto verdadeira

Entre os casos mais recentes identificados pelo Itaú, um se destaca pela criatividade e impacto emocional: o chamado “Golpe do Aniversário”. A fraude começa com a coleta de informações pessoais básicas — como CPF, data de nascimento e endereço —, muitas vezes obtidas em vazamentos de dados ou redes sociais.

No dia do aniversário da vítima, um suposto entregador chega com um presente de alto valor, como flores ou uma cesta de café da manhã. Em seguida, solicita uma foto da entrega para comprovação. O que parece um simples registro de cortesia, na verdade, é um momento crucial: o criminoso utiliza o celular com o aplicativo de um banco aberto, capturando a biometria facial da vítima.

Essa foto é usada para liberar contratações de crédito, transferências ou desbloqueios de produtos em nome do cliente. O golpe é eficaz porque se apoia em gatilhos emocionais como a surpresa, o afeto e a natural redução da desconfiança em datas comemorativas. “Quando o contexto parece lógico e agradável, as defesas caem”, alerta Thomazetti.


Golpe do cartão: outra armadilha persistente

Outra fraude que persiste é o chamado “golpe do cartão”. O criminoso se passa por um funcionário do banco e informa à vítima que houve uma transação suspeita. Em seguida, realiza uma falsa reversão e solicita que o cliente corte o cartão ao meio, mas sem danificar o chip. Logo depois, um motoboy é enviado para recolher o cartão sob o pretexto de uma “perícia técnica”.

Com o chip intacto, o fraudador consegue realizar transações e compras, explorando o descuido da vítima e a aparência de legitimidade da operação. O Itaú reforça que nenhum funcionário é autorizado a recolher cartões e que o banco nunca envia mensageiros para a casa de clientes.


Inteligência artificial na prevenção de fraudes

Imagem: Getty Images

Aprendizado de máquina e alertas contextuais

O Itaú tem investido fortemente em machine learning e inteligência artificial para detectar comportamentos anômalos nas contas dos clientes. Os algoritmos aprendem o padrão de transações de cada pessoa, permitindo identificar desvios sutis que possam indicar tentativas de fraude.

Quando o sistema detecta algo fora do normal — como uma transferência muito acima do habitual — a operação é bloqueada automaticamente. Porém, os criminosos também adaptam suas táticas, realizando transações menores para imitar o comportamento real do usuário, o que pode gerar falsos positivos.

Para contornar isso, o banco aposta em confirmações humanizadas, por meio de notificações via aplicativo, pushs e mensagens oficiais do WhatsApp Itaú. Além disso, desenvolveu um alerta contextualizado, que aparece antes de uma transação suspeita, avisando o cliente sobre possíveis riscos e oferecendo a opção de cancelamento.

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“Não queremos apenas garantir que o cliente esteja seguro, mas que ele se sinta seguro”, destaca Thomazetti.


Cooperação é chave na cibersegurança bancária

Bancos unidos contra o crime digital

Embora cada instituição tenha sua própria política de prevenção, há um consenso entre os bancos de que, em segurança, a concorrência não existe. As equipes de prevenção à fraude atuam em cooperação por meio de entidades como a Febraban e a Abecs, trocando informações e estratégias para antecipar novos tipos de ataques.

Essa colaboração se estende a outros setores, como telecomunicações e tecnologia, uma vez que os golpes frequentemente envolvem múltiplos sistemas. Um exemplo é o Open Gateway, iniciativa global que permite o compartilhamento seguro de dados entre bancos e operadoras. O Itaú foi uma das primeiras instituições a adotar essa estrutura no Brasil.

Thomazetti ressalta que, mesmo quando a falha ocorre fora do ambiente bancário — como em casos de SIM Swap (clonagem de chip de celular) —, o impacto recai sobre o banco. “O cliente é nosso, então a responsabilidade prática também é nossa. É por isso que a integração entre ecossistemas é essencial”, afirma.


Educação e conscientização: a última linha de defesa

Apesar dos investimentos em tecnologia e inteligência artificial, o Itaú enfatiza que a educação digital do cliente continua sendo a ferramenta mais poderosa na prevenção de golpes. O banco mantém campanhas constantes de conscientização, orientando os usuários a não compartilhar senhas, não enviar selfies ou documentos a terceiros e desconfiar de qualquer contato inesperado que envolva brindes, aniversários ou mensagens de urgência.

Em um cenário onde o crime digital se reinventa diariamente, a confiança precisa caminhar junto com a prudência. Como resume o superintendente, a segurança é um “jogo infinito”, e a única forma de vencê-lo é continuar evoluindo — juntos.

Imagem: wayhomestudio – Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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