O Itaú Unibanco deu um passo decisivo para consolidar sua presença no mercado de investimentos internacionais ao exercer uma nova opção de compra da Avenue. A transação adicionou 17,19% de participação ao banco dentro da corretora especializada em investimentos no exterior, elevando sua fatia total para 50,1%.
Itaú assume o controle da Avenue e expande investimentos globais
Itaú exerce opção de compra, atinge 50,1% da Avenue e assume o controle da corretora focada em investimentos no exterior.
Com isso, o Itaú se torna oficialmente o controlador da empresa, em um movimento estratégico que reforça a disputa pelos investidores brasileiros que buscam diversificar suas aplicações fora do país.
O valor da operação mais recente não foi divulgado, mas o interesse do Itaú em ampliar sua participação na Avenue já era conhecido desde a primeira transação entre as empresas, em 2022. No entanto, fatores como diluição acionária devido ao programa de ações aos funcionários fizeram com que o banco precisasse adquirir uma fatia maior do que a prevista inicialmente para alcançar o controle.
A seguir, entenda os detalhes da compra, os motivos por trás da ampliação de participação, o impacto no mercado financeiro e os próximos movimentos possíveis dentro da operação.
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Origem da parceria entre Itaú e Avenue
A relação entre Itaú e Avenue teve início formal em 2022, quando o maior banco da América Latina adquiriu 35% da corretora por R$ 493 milhões. Na época, R$ 333 milhões foram destinados aos acionistas da Avenue, e o restante funcionou como um aporte para fortalecer o caixa da empresa.
O modelo de negócio que atraiu o Itaú
Fundada para facilitar o acesso de brasileiros ao mercado financeiro internacional, a Avenue conquistou espaço por oferecer abertura simplificada de contas nos Estados Unidos, ferramentas em português e suporte tributário — um conjunto de barreiras históricas para pequenos e médios investidores que desejavam operar fora do país.
O crescimento acelerado da plataforma chamou a atenção das grandes instituições financeiras brasileiras. A entrada do Itaú foi vista como um movimento natural diante da forte demanda por serviços globais, especialmente após a expansão do número de investidores na B3 e a busca crescente por diversificação em dólar.
O acordo inicial com opção de controle
No contrato assinado em 2022, o Itaú garantiu não apenas a participação inicial de 35%, mas também a possibilidade de exercer uma opção de compra adicional de 15,1% após dois anos. Caso essa opção fosse utilizada integralmente, o banco ultrapassaria 50% do capital, assumindo o controle da fintech.
Entretanto, a dinâmica acionária da Avenue mudou durante esse período.
Diluição e a necessidade de comprar uma fatia maior
Entre 2022 e 2024, a participação do Itaú foi reduzida de 35% para 31,91% devido ao programa de distribuição de ações a funcionários — conhecido como stock option. Esse tipo de programa é comum em empresas de tecnologia e startups, pois incentiva a retenção de talentos ao transformar colaboradores em sócios.
No entanto, a diluição demandou um ajuste estratégico por parte do Itaú. Para atingir o controle da companhia, o banco precisou adquirir mais do que os 15,1% previstos inicialmente. Assim, a compra adicionou 17,19% ao capital, elevando a fatia total para 50,1%.
Por que o Itaú decidiu exercer a opção agora?
A operação ocorre em um momento de forte competição entre plataformas de investimento. Além disso, a integração de serviços internacionais tornou-se prioridade para instituições tradicionais que buscam reconquistar a fatia de mercado perdida para fintechs.
Com a compra adicional, o Itaú demonstra intenção clara de consolidar sua liderança no segmento internacional, fortalecendo sua proposta de valor para clientes que desejam operar tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos por meio de uma interface integrada.
O que muda com o Itaú como controlador da Avenue?
Apesar da mudança no comando, a Avenue afirmou que não haverá impacto imediato nas operações diárias. Segundo a empresa, o processo que ainda será analisado pelo Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica — faz parte do acordo já anunciado anteriormente e não altera o funcionamento da plataforma.
A visão estratégica do Itaú
Para o Itaú, o controle da Avenue pode representar:
Expansão do portfólio global
Com a Avenue sob seu comando, o Itaú passa a ter acesso mais direto a produtos internacionais, ampliando o leque de opções dentro do ecossistema do banco.
Integração de plataformas
A tendência é que, no médio prazo, haja avanços na integração entre Itaú e Avenue, tornando o fluxo de clientes mais simples entre as duas instituições.
Fortalecimento da presença nos EUA
A Avenue possui estrutura consolidada nos Estados Unidos, o que pode facilitar o desenvolvimento de futuras iniciativas globais pelo Itaú.
O que continua igual no dia a dia da Avenue
Mesmo com o Itaú no controle, a Avenue reforçou que:
- Não haverá mudanças imediatas na operação.
- Clientes continuam utilizando a mesma plataforma e funcionalidades.
- A gestão interna segue seu curso enquanto o Cade analisa a operação.
O que falta para a operação ser concluída?
Como envolve mudança de controle acionário, a compra precisa ser aprovada pelo Cade. O órgão avaliará se a operação impacta a concorrência e se há risco de concentração excessiva no mercado.
A análise de fusões e aquisições pelo Cade normalmente leva alguns meses. Até lá, a Avenue segue operando de forma independente, embora já reconheça formalmente que a transação faz parte de uma etapa prevista anteriormente.
Próximos passos: Itaú ainda pode comprar o restante da Avenue
O acordo firmado em 2022 também prevê uma terceira opção de compra. Depois de cinco anos do fechamento do negócio inicial, o Itaú poderá adquirir a parcela restante da Avenue e assumir 100% do capital.
Quando isso pode acontecer?
Considerando que a primeira aquisição ocorreu em 2022, a janela para essa nova opção abre em 2027. Caso o banco decida exercê-la, a Avenue se tornaria uma empresa integralmente controlada pelo Itaú.
O Itaú tem interesse em comprar tudo?
Embora o banco não tenha declarado oficialmente que pretende assumir 100% da empresa, a ampliação da participação atual indica uma estratégia de longo prazo.
Além disso, o controle integral simplificaria:
- Desenvolvimento de produtos exclusivos
- Integração total de serviços com o aplicativo Itaú
- Sinergias operacionais e tecnológicas
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Impacto no mercado financeiro brasileiro
A movimentação do Itaú reforça que os grandes bancos estão fortalecendo seus braços digitais e expandindo o alcance para além das fronteiras brasileiras. A busca por diversificação em dólar é tendência entre investidores, e instituições que oferecem caminhos simplificados podem conquistar mais espaço.
Com a Avenue, o Itaú enfrenta concorrentes como XP, BTG Pactual, Banco Inter e Nomad, todos com estratégias agressivas no mercado internacional.
A corrida pela internacionalização dos investimentos
O crescimento desse tipo de operação é impulsionado por fatores como:
- Maior maturidade dos investidores
- Valorização do dólar como proteção de patrimônio
- Oferta crescente de ações, ETFs e produtos estruturados no exterior
- Avanço das tecnologias financeiras de conexão entre países
A chegada do Itaú ao controle da Avenue pode acelerar o movimento no setor.
O que os clientes devem esperar nos próximos meses?
Embora nada mude de imediato na plataforma da Avenue, alguns possíveis desdobramentos podem ocorrer à medida que o Cade avança na avaliação e o Itaú começa a direcionar estratégias mais integradas.
Possíveis novidades no curto e médio prazo
Sinergias com produtos Itaú
Acesso facilitado à plataforma Avenue por correntistas do banco.
Novos produtos globais
ETFs temáticos, títulos internacionais e carteiras híbridas Brasil–EUA podem surgir.
Fortalecimento da segurança regulatória
A presença do Itaú tende a reforçar controles, governança e robustez operacional.
Conclusão
A ampliação da participação do Itaú na Avenue marca uma nova etapa no mercado de investimentos internacional voltado ao público brasileiro. Ao alcançar 50,1% e assumir o controle da corretora, o banco reforça sua estratégia de expansão global, intensifica a disputa entre grandes players e abre portas para uma integração cada vez maior entre os mercados brasileiro e americano.
O movimento também sinaliza confiança na demanda crescente por diversificação em dólar, ao mesmo tempo em que preserva o funcionamento normal da Avenue enquanto o Cade analisa a transação.
A tendência é que o setor continue aquecido, com novas fusões, investimentos e aprimoramentos tecnológicos moldando o futuro das plataformas de investimento.
Com Informações de: pipelinevalor
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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