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Itaú adota nova estratégia de presença física nas unidades corporativas

Itaú exigirá três dias presenciais por semana a partir de 2028. Entenda o impacto da medida e a tendência entre grandes empresas.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes7 min de leitura
Itaú adota nova estratégia de presença física nas unidades corporativas

O anúncio do Itaú de que ampliará a presença obrigatória dos funcionários nos escritórios para três dias por semana a partir de 2028 reacendeu uma discussão que vem ganhando força no mercado de trabalho: qual será o futuro do home office no Brasil?

A decisão acompanha um movimento observado em grandes empresas nacionais e internacionais, que têm reduzido gradualmente a flexibilidade adotada durante e após a pandemia de Covid-19. Enquanto organizações defendem o retorno parcial ao ambiente corporativo para fortalecer a colaboração e a cultura interna, trabalhadores demonstram preocupação com os impactos na qualidade de vida, nos custos pessoais e na rotina familiar.

A mudança anunciada pelo banco ocorre em um momento em que o modelo híbrido se consolida como o principal formato de trabalho para empresas que buscam equilibrar produtividade e flexibilidade.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O que muda para os funcionários do Itaú?

Atualmente, os colaboradores do banco cumprem oito dias presenciais por mês. Com a nova regra, a partir de 2028, a exigência passará para três dias semanais nos escritórios.

Segundo o Itaú, a implementação gradual tem como objetivo permitir que os funcionários se adaptem às mudanças sem grandes impactos imediatos.

Em nota, a instituição afirmou que o cronograma foi planejado para que os colaboradores possam reorganizar aspectos pessoais e familiares com antecedência.

O banco também ressaltou que os formatos de trabalho podem ser ajustados conforme as necessidades do negócio e as transformações do mercado.

Reação dos trabalhadores gera debate

A decisão surpreendeu parte dos funcionários e representantes sindicais.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região informou que não houve negociação prévia sobre a alteração e solicitou uma reunião para discutir os impactos da medida.

Entre as principais preocupações relatadas estão:

  • Aumento do tempo de deslocamento;
  • Custos maiores com transporte e alimentação;
  • Necessidade de reorganização familiar;
  • Capacidade dos escritórios para receber mais funcionários;
  • Perda de flexibilidade conquistada nos últimos anos.

Também surgiram questionamentos sobre a infraestrutura física disponível, já que alguns colaboradores afirmam que determinados escritórios podem não comportar o aumento da ocupação nos dias presenciais.

O retorno ao escritório é uma tendência global

O movimento não é exclusivo do Itaú.

Nos últimos anos, diversas empresas passaram a revisar suas políticas de trabalho remoto.

Após o período de expansão do home office, muitas organizações começaram a exigir uma presença maior dos funcionários nos escritórios.

Entre os argumentos mais utilizados pelas empresas estão:

  • Fortalecimento da cultura corporativa;
  • Maior interação entre equipes;
  • Facilidade na gestão de projetos;
  • Integração de novos colaboradores;
  • Desenvolvimento profissional.

Essa tendência também tem reflexos no mercado imobiliário corporativo.

Segundo levantamento da consultoria JLL, a taxa de vacância dos escritórios em São Paulo caiu para 13,4% no primeiro trimestre de 2026, o menor índice registrado nos últimos 14 anos.

O dado sugere um aumento na ocupação dos espaços corporativos e reforça a retomada gradual das atividades presenciais.

Empresas ainda têm dúvidas sobre o trabalho remoto

Pesquisas recentes mostram que muitos gestores continuam divididos sobre os efeitos do home office na produtividade.

Um levantamento da Mercer Brasil aponta que:

  • 76% dos gestores demonstram preocupação com a produtividade remota;
  • 66% relatam excesso de reuniões virtuais;
  • Muitos citam desafios relacionados à cultura organizacional;
  • Há dificuldades na integração entre equipes distribuídas.

Para parte das empresas, a presença física facilita a comunicação informal e acelera processos de tomada de decisão.

Por outro lado, diversos estudos também indicam que a produtividade pode ser mantida ou até ampliada em determinados modelos remotos, dependendo da atividade exercida.

O caso do Nubank mostrou a resistência dos funcionários

O Itaú não é a primeira grande instituição financeira a enfrentar resistência ao ampliar a exigência presencial.

Em 2025, o Nubank anunciou mudanças em sua política de trabalho híbrido, estabelecendo dois dias presenciais por semana a partir de 2026 e três dias em 2027.

A decisão gerou forte repercussão interna.

Funcionários divulgaram manifestações questionando os impactos da mudança, especialmente porque muitos haviam aceitado suas vagas considerando a flexibilidade oferecida pela empresa.

Diversos profissionais relataram ter tomado decisões importantes com base na possibilidade de trabalhar remotamente, incluindo:

  • Mudança para outras cidades;
  • Compra de imóveis longe dos escritórios;
  • Assinatura de contratos de aluguel;
  • Reorganização dos cuidados com filhos e familiares.

O episódio evidenciou um desafio crescente para as empresas: equilibrar os objetivos corporativos com as expectativas criadas durante os anos de trabalho remoto.

O custo invisível do retorno ao presencial

Embora o trabalho presencial faça parte da realidade da maioria dos brasileiros, pesquisas mostram que muitos profissionais prefeririam ter mais flexibilidade.

Um levantamento realizado pela WeWork em parceria com a Offerwise revelou que:

  • 63% dos brasileiros trabalham integralmente de forma presencial;
  • 79% afirmam que essa condição não foi uma escolha pessoal;
  • Apenas 42% optariam por estar no escritório todos os dias;
  • 44% relatam desmotivação com a perda da flexibilidade;
  • 38% associam o retorno obrigatório ao aumento da ansiedade.

Esses números ajudam a explicar por que mudanças nas políticas corporativas costumam gerar reações intensas.

Deslocamento continua sendo o principal desafio

Entre os profissionais consultados, o deslocamento aparece como a maior dificuldade associada ao trabalho presencial.

Cerca de 65% dos entrevistados apontaram o trajeto até o escritório como o principal problema.

Além do tempo gasto no trânsito, há outros fatores envolvidos:

  • Menor tempo disponível para a família;
  • Redução de horas destinadas ao lazer;
  • Maior desgaste físico e emocional;
  • Menor flexibilidade na rotina diária.

Em grandes centros urbanos, onde os deslocamentos podem ultrapassar duas horas por dia, o impacto é ainda mais significativo.

Gastos aumentam quando o trabalho é presencial

Outro aspecto frequentemente citado pelos trabalhadores é o aumento das despesas.

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Mais da metade dos profissionais entrevistados afirma gastar mais quando precisa comparecer ao escritório regularmente.

Os principais custos incluem:

Transporte

Combustível, estacionamento, transporte público e aplicativos de mobilidade.

Alimentação

Almoços fora de casa e despesas adicionais durante a jornada.

Vestuário e rotina

Roupas adequadas ao ambiente corporativo e outros gastos relacionados ao deslocamento.

Para muitos trabalhadores, esses custos reduzem parte dos ganhos financeiros obtidos com reajustes salariais.

O ambiente corporativo também influencia a satisfação

A pesquisa identificou que a qualidade dos escritórios exerce impacto direto na percepção dos funcionários.

Entre as principais reclamações estão:

  • Ambientes excessivamente barulhentos (57%);
  • Falta de áreas de descanso (53%);
  • Espaços inadequados para concentração.

Por outro lado, ambientes modernos e bem estruturados apresentam índices de satisfação significativamente mais elevados.

Segundo o levantamento, a aprovação pode alcançar até 96% quando os espaços atendem às expectativas dos colaboradores.

Gerações mais jovens valorizam flexibilidade

Outro dado relevante diz respeito ao perfil dos profissionais.

A pesquisa aponta predominância de:

  • Millennials: 37%;
  • Geração Z: 32%;
  • Geração X: 26%.

Especialistas observam que as gerações mais jovens tendem a valorizar aspectos como autonomia, propósito e flexibilidade no trabalho.

Isso ajuda a explicar por que mudanças relacionadas ao home office costumam gerar debates intensos dentro das organizações.

O futuro será híbrido?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Apesar do aumento da exigência presencial em diversas empresas, especialistas avaliam que o trabalho remoto dificilmente desaparecerá completamente.

O modelo híbrido tem se consolidado como uma solução intermediária capaz de atender parte das necessidades das empresas e dos trabalhadores.

A tendência observada atualmente não aponta para um retorno integral ao modelo pré-pandemia, mas sim para uma redefinição do equilíbrio entre presença física e flexibilidade.

Nesse cenário, organizações que conseguirem combinar produtividade, cultura corporativa e qualidade de vida dos colaboradores tendem a ter vantagens na atração e retenção de talentos.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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