O anúncio do Itaú de que ampliará a presença obrigatória dos funcionários nos escritórios para três dias por semana a partir de 2028 reacendeu uma discussão que vem ganhando força no mercado de trabalho: qual será o futuro do home office no Brasil?
Itaú adota nova estratégia de presença física nas unidades corporativas
Itaú exigirá três dias presenciais por semana a partir de 2028. Entenda o impacto da medida e a tendência entre grandes empresas.
A decisão acompanha um movimento observado em grandes empresas nacionais e internacionais, que têm reduzido gradualmente a flexibilidade adotada durante e após a pandemia de Covid-19. Enquanto organizações defendem o retorno parcial ao ambiente corporativo para fortalecer a colaboração e a cultura interna, trabalhadores demonstram preocupação com os impactos na qualidade de vida, nos custos pessoais e na rotina familiar.
A mudança anunciada pelo banco ocorre em um momento em que o modelo híbrido se consolida como o principal formato de trabalho para empresas que buscam equilibrar produtividade e flexibilidade.
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O que muda para os funcionários do Itaú?
Atualmente, os colaboradores do banco cumprem oito dias presenciais por mês. Com a nova regra, a partir de 2028, a exigência passará para três dias semanais nos escritórios.
Segundo o Itaú, a implementação gradual tem como objetivo permitir que os funcionários se adaptem às mudanças sem grandes impactos imediatos.
Em nota, a instituição afirmou que o cronograma foi planejado para que os colaboradores possam reorganizar aspectos pessoais e familiares com antecedência.
O banco também ressaltou que os formatos de trabalho podem ser ajustados conforme as necessidades do negócio e as transformações do mercado.
Reação dos trabalhadores gera debate
A decisão surpreendeu parte dos funcionários e representantes sindicais.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região informou que não houve negociação prévia sobre a alteração e solicitou uma reunião para discutir os impactos da medida.
Entre as principais preocupações relatadas estão:
- Aumento do tempo de deslocamento;
- Custos maiores com transporte e alimentação;
- Necessidade de reorganização familiar;
- Capacidade dos escritórios para receber mais funcionários;
- Perda de flexibilidade conquistada nos últimos anos.
Também surgiram questionamentos sobre a infraestrutura física disponível, já que alguns colaboradores afirmam que determinados escritórios podem não comportar o aumento da ocupação nos dias presenciais.
O retorno ao escritório é uma tendência global
O movimento não é exclusivo do Itaú.
Nos últimos anos, diversas empresas passaram a revisar suas políticas de trabalho remoto.
Após o período de expansão do home office, muitas organizações começaram a exigir uma presença maior dos funcionários nos escritórios.
Entre os argumentos mais utilizados pelas empresas estão:
- Fortalecimento da cultura corporativa;
- Maior interação entre equipes;
- Facilidade na gestão de projetos;
- Integração de novos colaboradores;
- Desenvolvimento profissional.
Essa tendência também tem reflexos no mercado imobiliário corporativo.
Segundo levantamento da consultoria JLL, a taxa de vacância dos escritórios em São Paulo caiu para 13,4% no primeiro trimestre de 2026, o menor índice registrado nos últimos 14 anos.
O dado sugere um aumento na ocupação dos espaços corporativos e reforça a retomada gradual das atividades presenciais.
Empresas ainda têm dúvidas sobre o trabalho remoto
Pesquisas recentes mostram que muitos gestores continuam divididos sobre os efeitos do home office na produtividade.
Um levantamento da Mercer Brasil aponta que:
- 76% dos gestores demonstram preocupação com a produtividade remota;
- 66% relatam excesso de reuniões virtuais;
- Muitos citam desafios relacionados à cultura organizacional;
- Há dificuldades na integração entre equipes distribuídas.
Para parte das empresas, a presença física facilita a comunicação informal e acelera processos de tomada de decisão.
Por outro lado, diversos estudos também indicam que a produtividade pode ser mantida ou até ampliada em determinados modelos remotos, dependendo da atividade exercida.
O caso do Nubank mostrou a resistência dos funcionários
O Itaú não é a primeira grande instituição financeira a enfrentar resistência ao ampliar a exigência presencial.
Em 2025, o Nubank anunciou mudanças em sua política de trabalho híbrido, estabelecendo dois dias presenciais por semana a partir de 2026 e três dias em 2027.
A decisão gerou forte repercussão interna.
Funcionários divulgaram manifestações questionando os impactos da mudança, especialmente porque muitos haviam aceitado suas vagas considerando a flexibilidade oferecida pela empresa.
Diversos profissionais relataram ter tomado decisões importantes com base na possibilidade de trabalhar remotamente, incluindo:
- Mudança para outras cidades;
- Compra de imóveis longe dos escritórios;
- Assinatura de contratos de aluguel;
- Reorganização dos cuidados com filhos e familiares.
O episódio evidenciou um desafio crescente para as empresas: equilibrar os objetivos corporativos com as expectativas criadas durante os anos de trabalho remoto.
O custo invisível do retorno ao presencial
Embora o trabalho presencial faça parte da realidade da maioria dos brasileiros, pesquisas mostram que muitos profissionais prefeririam ter mais flexibilidade.
Um levantamento realizado pela WeWork em parceria com a Offerwise revelou que:
- 63% dos brasileiros trabalham integralmente de forma presencial;
- 79% afirmam que essa condição não foi uma escolha pessoal;
- Apenas 42% optariam por estar no escritório todos os dias;
- 44% relatam desmotivação com a perda da flexibilidade;
- 38% associam o retorno obrigatório ao aumento da ansiedade.
Esses números ajudam a explicar por que mudanças nas políticas corporativas costumam gerar reações intensas.
Deslocamento continua sendo o principal desafio
Entre os profissionais consultados, o deslocamento aparece como a maior dificuldade associada ao trabalho presencial.
Cerca de 65% dos entrevistados apontaram o trajeto até o escritório como o principal problema.
Além do tempo gasto no trânsito, há outros fatores envolvidos:
- Menor tempo disponível para a família;
- Redução de horas destinadas ao lazer;
- Maior desgaste físico e emocional;
- Menor flexibilidade na rotina diária.
Em grandes centros urbanos, onde os deslocamentos podem ultrapassar duas horas por dia, o impacto é ainda mais significativo.
Gastos aumentam quando o trabalho é presencial
Outro aspecto frequentemente citado pelos trabalhadores é o aumento das despesas.
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Mais da metade dos profissionais entrevistados afirma gastar mais quando precisa comparecer ao escritório regularmente.
Os principais custos incluem:
Transporte
Combustível, estacionamento, transporte público e aplicativos de mobilidade.
Alimentação
Almoços fora de casa e despesas adicionais durante a jornada.
Vestuário e rotina
Roupas adequadas ao ambiente corporativo e outros gastos relacionados ao deslocamento.
Para muitos trabalhadores, esses custos reduzem parte dos ganhos financeiros obtidos com reajustes salariais.
O ambiente corporativo também influencia a satisfação
A pesquisa identificou que a qualidade dos escritórios exerce impacto direto na percepção dos funcionários.
Entre as principais reclamações estão:
- Ambientes excessivamente barulhentos (57%);
- Falta de áreas de descanso (53%);
- Espaços inadequados para concentração.
Por outro lado, ambientes modernos e bem estruturados apresentam índices de satisfação significativamente mais elevados.
Segundo o levantamento, a aprovação pode alcançar até 96% quando os espaços atendem às expectativas dos colaboradores.
Gerações mais jovens valorizam flexibilidade
Outro dado relevante diz respeito ao perfil dos profissionais.
A pesquisa aponta predominância de:
- Millennials: 37%;
- Geração Z: 32%;
- Geração X: 26%.
Especialistas observam que as gerações mais jovens tendem a valorizar aspectos como autonomia, propósito e flexibilidade no trabalho.
Isso ajuda a explicar por que mudanças relacionadas ao home office costumam gerar debates intensos dentro das organizações.
O futuro será híbrido?

Apesar do aumento da exigência presencial em diversas empresas, especialistas avaliam que o trabalho remoto dificilmente desaparecerá completamente.
O modelo híbrido tem se consolidado como uma solução intermediária capaz de atender parte das necessidades das empresas e dos trabalhadores.
A tendência observada atualmente não aponta para um retorno integral ao modelo pré-pandemia, mas sim para uma redefinição do equilíbrio entre presença física e flexibilidade.
Nesse cenário, organizações que conseguirem combinar produtividade, cultura corporativa e qualidade de vida dos colaboradores tendem a ter vantagens na atração e retenção de talentos.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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