O aumento de fraudes financeiras no Brasil ganhou um novo e preocupante capítulo em dezembro. O Itaú começou a alertar seus clientes sobre um golpe sofisticado em que criminosos utilizam números oficiais do próprio banco para enganar vítimas e roubar dados sensíveis. A prática, que já vinha sendo monitorada por especialistas em segurança digital, não envolve invasão de sistemas bancários nem vazamento de bases internas, mas explora uma falha estrutural das telecomunicações: a falsificação do identificador de chamadas.
Golpe usa número do Itaú para tentar roubar seus dados, confira o alerta do banco
Golpistas usam números oficiais do Itaú para enganar clientes. Entenda como funciona o golpe e saiba como se proteger.
Desde 15 de dezembro, clientes passaram a receber comunicados preventivos após relatos de ligações originadas, aparentemente, dos números (11) 3004-7717 e (11) 4004-4828, ambos amplamente conhecidos como canais legítimos de atendimento. Do outro lado da linha, golpistas se passam por funcionários do banco, criam um clima de urgência e convencem a vítima a fornecer senhas, códigos de autenticação ou até mesmo realizar transferências.
O caso não é isolado. Especialistas e reportagens apontam que a mesma técnica pode atingir correntistas de qualquer instituição financeira, ampliando o risco para milhões de brasileiros que confiam em chamadas identificadas como “oficiais”.
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Como funciona o golpe do número falso
Diferentemente de ataques cibernéticos tradicionais, como invasões a aplicativos ou servidores, esse tipo de fraude utiliza uma técnica conhecida como spoofing telefônico. O termo vem do inglês to spoof, que significa falsificar ou imitar.
Na prática, os criminosos conseguem alterar o identificador da chamada, fazendo com que o número exibido na tela do celular seja idêntico ao de uma central de atendimento real. Em alguns casos, se o contato estiver salvo na agenda da vítima, o telefone chega a mostrar o nome do banco ou até do gerente.
Por que o spoofing é tão perigoso
O sucesso do golpe está diretamente ligado à confiança. O consumidor foi educado ao longo dos anos a reconhecer números oficiais como um selo de legitimidade. Quando vê o telefone do banco na tela, a desconfiança diminui drasticamente.
Além disso, o spoofing não exige que o criminoso esteja fisicamente ligado àquele número. A chamada pode ser originada de qualquer lugar do mundo, usando sistemas que manipulam a sinalização da rede telefônica.
Abordagem psicológica usada pelos criminosos
O golpe não se sustenta apenas na tecnologia. Ele é cuidadosamente estruturado sobre engenharia social, uma técnica que explora emoções humanas como medo, urgência e insegurança.
Normalmente, a ligação segue um roteiro bastante parecido:
- O atendente se identifica como funcionário do banco
- Informa sobre uma compra suspeita, geralmente de alto valor
- Cita transações em sites populares de e-commerce
- Afirma que a conta pode ser bloqueada ou esvaziada
- Pressiona o cliente a “resolver imediatamente”
A vítima, tomada pelo pânico, acaba agindo sem refletir.
Gravações e sons idênticos aos do banco
Para tornar o golpe ainda mais convincente, as quadrilhas utilizam gravações profissionais que reproduzem:
- Menus automáticos de atendimento
- Vozes padronizadas semelhantes às reais
- Músicas de espera idênticas às usadas por bancos
- Linguagem técnica e formal típica do setor financeiro
Esse nível de sofisticação faz com que até clientes experientes tenham dificuldade em perceber a fraude.
O que os golpistas pedem durante a ligação
Embora o discurso varie, o objetivo final é sempre o mesmo: obter controle financeiro da vítima. Entre as solicitações mais comuns estão:
- Códigos de autenticação enviados por SMS
- Senhas do aplicativo bancário
- Dados completos do cartão
- Confirmação de token ou iToken
- Transferências via PIX para “contas de segurança”
Em alguns casos, os criminosos orientam a própria vítima a realizar a operação, afirmando que o valor será “devolvido” após a suposta verificação.
O banco foi invadido? Houve vazamento de dados?
Não. Esse é um ponto crucial para entender o golpe. O uso de números oficiais não significa que os sistemas do banco foram comprometidos. Também não há indícios de vazamento de bases internas de clientes.
O ataque acontece fora da infraestrutura bancária, explorando limitações das redes de telefonia, que ainda permitem a manipulação do identificador de chamadas.
Isso explica por que o problema não se restringe a uma única instituição e pode atingir bancos públicos, privados, fintechs e cooperativas.
Medidas adotadas pelo setor financeiro
Diante da escalada desse tipo de fraude, instituições financeiras e autoridades vêm intensificando ações preventivas. As principais frentes de atuação incluem:
- Campanhas de comunicação direta com clientes
- Alertas dentro dos aplicativos bancários
- Parcerias com operadoras de telefonia
- Desenvolvimento de protocolos antifraude
- Monitoramento de padrões de chamadas suspeitas
Apesar disso, especialistas são unânimes: nenhuma barreira técnica é tão eficaz quanto a informação do usuário.
Regras que nunca mudam no atendimento bancário
Para ajudar os clientes a se protegerem, o Itaú reforçou orientações que valem não apenas para esse banco, mas para todo o sistema financeiro.
O banco nunca fará isso
- Solicitar senhas por telefone, chat ou videochamada
- Pedir códigos de token, iToken ou SMS
- Orientar transferências para “cancelar” compras
- Solicitar pagamentos para estorno de valores
- Pedir que o cliente instale aplicativos ou compartilhe tela
Essas regras são absolutas. Se alguma ligação violar qualquer uma delas, trata-se de golpe.
O que fazer ao receber uma ligação suspeita
Mesmo que o número exibido seja o do banco, a orientação é clara: não confie apenas no identificador de chamadas.
Passo a passo recomendado
- Desligue imediatamente a ligação
- Não forneça nenhum dado
- Não confirme informações pessoais
- Não siga instruções financeiras
- Não pressione teclas solicitadas
Em seguida, faça a verificação por conta própria.
Como confirmar se há realmente um problema na conta
A forma mais segura de checar qualquer irregularidade é iniciar o contato, e não responder a ele.
As alternativas mais seguras são:
- Acessar o aplicativo oficial do banco
- Usar o chat interno do app
- Ligar para o número oficial digitado manualmente
- Utilizar outro telefone, se possível
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Nunca retorne a ligação diretamente do histórico do aparelho, pois o spoofing pode enganar novamente.
Por que desligar é a melhor decisão
Muitos clientes acreditam que, ao permanecer na ligação, conseguirão identificar inconsistências. Na prática, isso raramente funciona.
Os golpistas são treinados para:
- Responder rapidamente a questionamentos
- Usar termos técnicos convincentes
- Simular procedimentos internos
- Manter o controle emocional da conversa
Ao desligar, você quebra a principal arma do golpe: a pressão psicológica do tempo.
Golpe pode atingir clientes de outros bancos
Embora o alerta recente envolva números do Itaú, especialistas e autoridades destacam que qualquer instituição pode ser alvo. Basta que o número seja conhecido do público.
Isso inclui:
- Bancos tradicionais
- Bancos digitais
- Cooperativas de crédito
- Instituições de pagamento
- Operadoras de cartão
O risco é sistêmico e exige atenção constante.
Educação digital como principal defesa
A tecnologia avança rapidamente, mas os criminosos também se adaptam. Por isso, a educação digital se tornou o principal pilar de proteção financeira.
Clientes bem informados:
- Reconhecem padrões de golpe
- Desconfiam de urgência excessiva
- Sabem que bancos não pedem senhas
- Confirmam informações pelos canais oficiais
- Reduzem drasticamente o risco de prejuízo
O impacto humano das fraudes financeiras
Além do prejuízo financeiro, vítimas desse tipo de golpe enfrentam:
- Estresse emocional
- Sensação de culpa
- Medo de novas fraudes
- Dificuldade de recuperar valores
- Desconfiança no uso de tecnologia
Por isso, alertas preventivos e informação clara são fundamentais para reduzir danos e preservar a confiança no sistema financeiro.
Considerações finais
O golpe que utiliza números oficiais de bancos representa uma nova fase da criminalidade digital no Brasil. Ele não depende de invasões complexas, mas da combinação entre falhas estruturais da telefonia e engenharia social avançada.
A principal lição é clara: o número que aparece na tela não é garantia de segurança. Desligar, desconfiar e confirmar pelos canais oficiais são atitudes simples que podem evitar grandes prejuízos.
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