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Bancos x fintechs: Itaú e Mastercard enfrentam denúncias na Justiça

Entenda a disputa judicial entre Itaú e Mastercard contra carteiras digitais e como isso impacta consumidores. Leia agora.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Itaú e Mastercard

O mercado de pagamentos digitais no Brasil está em plena expansão. Com a popularização das carteiras digitais como PicPay, Mercado Pago, Apple Pay e Google Pay, consumidores encontraram novas formas de realizar compras com praticidade e, muitas vezes, menores custos.

No entanto, essa revolução tecnológica não ocorre sem resistências. Recentemente, o Itaú e a Mastercard foram levados à Justiça após denúncias de práticas que dificultariam o uso dessas ferramentas, acirrando ainda mais a disputa entre bancos tradicionais e fintechs emergentes.

O caso, que já chegou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e à Justiça do Rio de Janeiro, levanta questões importantes sobre concorrência, inovação e impacto para o consumidor brasileiro.

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Itaú
Imagem: Joa Souza / shutterstock.com

O conflito entre instituições financeiras tradicionais e fintechs não é recente. Enquanto os bancos mantêm estruturas consolidadas e lucrativas, as fintechs oferecem soluções digitais acessíveis, rápidas e muitas vezes mais baratas.

Crescimento das carteiras digitais

Nos últimos cinco anos, as carteiras digitais ganharam força no Brasil, acompanhando tendências globais. Segundo dados de consultorias do setor, mais de 40% dos brasileiros já utilizam alguma forma de pagamento digital regularmente. Esse avanço ameaça a dominância dos bancos tradicionais, que precisam adaptar suas operações a uma nova realidade.

Onde entra a disputa judicial

A Associação Brasileira de Internet (Abranet) acusa o Itaú e a Mastercard de impor barreiras artificiais para dificultar a competitividade das carteiras digitais.

  • Contra o Itaú: denúncias de bloqueio ou recusa frequente em transações realizadas com cartões em carteiras digitais.
  • Contra a Mastercard: aumento de até 62% nas tarifas de intercâmbio em 2024, encarecendo a operação dessas plataformas.

Segundo a Abranet, essas medidas criam obstáculos ao desenvolvimento de serviços que já fazem parte da vida de milhões de consumidores.

O que dizem os bancos e bandeiras

As instituições financeiras rebatem as acusações, apresentando argumentos de segurança e sustentabilidade financeira.

Posição do Itaú

O banco afirma que 73% das operações em carteiras digitais foram aprovadas em 2023, mas destaca que o índice de inadimplência é significativamente maior nessas transações — até cinco vezes superior às compras tradicionais. Para o Itaú, restringir ou avaliar com mais rigor esse tipo de operação é uma forma de proteger consumidores contra o superendividamento.

O banco alega ainda que a liberação irrestrita das transações poderia gerar prejuízos anuais acima de R$ 300 milhões, o que comprometeria sua estabilidade financeira.

Posição da Mastercard

Já a Mastercard justifica o aumento das tarifas de intercâmbio como uma adequação às mudanças regulatórias e tecnológicas do mercado. A empresa afirma que continua incentivando a inovação e que suas tarifas estão alinhadas às práticas globais, mas entidades de defesa do consumidor contestam essa explicação.

Impactos para os consumidores

A batalha judicial não é apenas um conflito corporativo. O resultado afeta diretamente milhões de brasileiros que utilizam carteiras digitais no dia a dia.

Benefícios ameaçados

  • Facilidade de pagar contas atrasadas em poucos cliques.
  • Possibilidade de parcelar valores pequenos, acessível a quem não tem crédito aprovado em bancos tradicionais.
  • Promoções e cashbacks oferecidos por fintechs.

Riscos levantados

  • Possibilidade de maior endividamento entre consumidores vulneráveis.
  • Menor segurança nas transações digitais, segundo os bancos.
  • Aumento de custos caso as tarifas mais altas sejam repassadas aos usuários.

Visão das autoridades

O caso também abriu espaço para uma análise mais ampla sobre regulação no setor financeiro digital.

Banco Central

O Banco Central reconhece que operações em carteiras digitais apresentam riscos superiores às compras convencionais, autorizando os bancos a adotar medidas de segurança adicionais.

Cade

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O Cade, por sua vez, observa o caso sob a ótica da concorrência. O órgão precisa avaliar se Itaú e Mastercard estão de fato abusando de sua posição no mercado para limitar a livre competição e prejudicar empresas menores.

Justiça brasileira

A disputa já tramita em diferentes esferas, incluindo o Tribunal Regional Federal da 1ª Região e a Justiça do Rio de Janeiro. As decisões tomadas podem servir de precedente para o futuro das carteiras digitais no Brasil.

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Imagem: garmoncheg / Shutterstock.com

A disputa expõe um ponto central: o futuro dos meios de pagamento no Brasil está em jogo.

Cenário 1: vitória das fintechs

Se a Justiça confirmar que bancos e bandeiras não podem impor barreiras, as fintechs terão espaço para expandir suas operações. Isso pode resultar em:

  • Mais inovação no setor.
  • Preços menores e promoções mais agressivas.
  • Maior liberdade de escolha para os consumidores.

Cenário 2: vitória dos bancos

Caso prevaleça o argumento das instituições tradicionais, o setor pode enfrentar:

  • Regras mais rígidas para uso de carteiras digitais.
  • Limitações de crédito para consumidores de maior risco.
  • Estagnação da concorrência, com menos espaço para novas startups.

Conclusão

O processo que envolve Itaú, Mastercard e carteiras digitais é mais do que uma disputa judicial. Trata-se de um marco regulatório e concorrencial que pode redefinir o futuro do setor financeiro brasileiro.

Enquanto bancos defendem medidas de segurança e sustentabilidade, fintechs alegam estar diante de práticas abusivas que restringem a livre concorrência. Para os consumidores, o resultado será sentido no bolso e no nível de acesso às ferramentas digitais.

O desfecho pode transformar o Brasil em um ambiente mais inovador e competitivo — ou consolidar ainda mais o poder das instituições financeiras tradicionais.

Imagem: Canva

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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