O Itaú Unibanco notificou extrajudicialmente o portal Metrópoles solicitando correções e direito de resposta após uma série de reportagens que, segundo o banco, continham informações falsas ou distorcidas sobre a cobrança de seguros de clientes. Paralelamente, a instituição financeira lançou uma página própria chamada “Factópoles”, destinada a reunir documentos, dados e sua versão oficial sobre o caso.
Banco Itaú cria “Factópoles” em meio a disputa com o Metrópoles
Itaú notifica o Metrópoles, pede direito de resposta e lança site próprio. Entenda o que motivou a disputa e quais podem ser os próximos passos.
A iniciativa chamou atenção por representar uma estratégia incomum de comunicação corporativa no Brasil. Em vez de responder apenas por notas oficiais ou medidas judiciais, o banco criou um canal público para contestar ponto a ponto as publicações.
Entenda o que aconteceu, quais são os argumentos de cada lado e quais podem ser os desdobramentos jurídicos da disputa.
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O que aconteceu entre Itaú e Metrópoles?

Segundo o Itaú, o Metrópoles publicou dezenas de reportagens e conteúdos nas redes sociais afirmando que o banco teria causado prejuízos bilionários aos clientes em razão da cobrança indevida de um seguro.
Na notificação extrajudicial, o banco pede:
- correção de informações consideradas incorretas;
- publicação de direito de resposta;
- mesma relevância dada às respostas em comparação às reportagens originais.
Além disso, a instituição afirma que buscou apresentar sua posição ao veículo durante a produção das matérias, mas entende que seu posicionamento não recebeu espaço proporcional.
O que é uma notificação extrajudicial?
A notificação extrajudicial é um instrumento jurídico utilizado para comunicar oficialmente uma pessoa física ou empresa sobre determinado fato ou solicitação antes do ajuizamento de uma ação.
Ela não representa uma condenação nem significa que exista decisão judicial favorável a qualquer das partes.
Na prática, esse tipo de medida costuma servir para:
- registrar oficialmente uma reclamação;
- solicitar correções;
- tentar resolver conflitos sem recorrer imediatamente ao Judiciário;
- produzir prova de que houve tentativa de solução amigável.
Caso não haja acordo, a parte interessada pode posteriormente ingressar com ação judicial.
O que é o direito de resposta?
O direito de resposta é garantido pela legislação brasileira para pessoas físicas e jurídicas que se sintam atingidas por informação considerada ofensiva, incorreta ou inverídica.
A matéria é disciplinada principalmente pela Lei nº 13.188/2015, que estabelece critérios para publicação da resposta em meios de comunicação.
Em caso de negativa por parte do veículo, a questão pode ser levada ao Poder Judiciário, que analisará se houve ou não violação ao direito.
O que é o “Factópoles”?
Além da notificação, o Itaú lançou um site próprio chamado “Factópoles”.
Segundo o banco, a plataforma reúne:
- documentos;
- cronologia dos acontecimentos;
- respostas às reportagens;
- esclarecimentos sobre as acusações;
- posicionamentos oficiais da instituição.
De acordo com o Itaú, a iniciativa busca dar transparência às informações e permitir que o público tenha acesso direto à versão da empresa.
Qual é a posição do Metrópoles?
O portal confirmou o recebimento da notificação enviada pelo Itaú.
Até o momento da publicação desta reportagem, o veículo informou apenas que recebeu oficialmente o documento e que o caso seguirá os trâmites adequados.
Como a discussão ainda está em andamento, não existe decisão judicial sobre o mérito das alegações apresentadas por qualquer das partes.
O caso já foi julgado?
Não.
Até o momento, trata-se de uma disputa em fase extrajudicial.
Isso significa que:
- não houve sentença;
- não existe decisão definitiva sobre quem tem razão;
- as alegações apresentadas por ambas as partes ainda poderão ser analisadas, caso a controvérsia seja levada ao Judiciário.
Por que esse caso chama atenção?
Conflitos entre empresas e veículos de imprensa não são inéditos no Brasil. Entretanto, alguns fatores tornam este episódio incomum:
Criação de um portal próprio
Em vez de limitar sua manifestação a notas oficiais, o Itaú criou uma plataforma exclusiva para rebater as reportagens publicamente.
Grande volume de publicações contestadas
Segundo o banco, a contestação envolve dezenas de reportagens e postagens em redes sociais publicadas ao longo de aproximadamente 70 dias.
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Debate sobre liberdade de imprensa e direito de resposta
Casos como esse costumam levantar discussões importantes sobre o equilíbrio entre:
- liberdade de imprensa;
- direito à informação;
- proteção da reputação;
- direito de resposta;
- responsabilidade editorial.
Esses princípios coexistem no ordenamento jurídico brasileiro e, quando entram em conflito, costumam ser analisados caso a caso pelo Poder Judiciário.
O que pode acontecer agora?
Os próximos passos dependem das decisões das partes envolvidas.
Entre os cenários possíveis estão:
Acordo extrajudicial
O veículo pode publicar esclarecimentos, respostas ou correções, encerrando o conflito sem necessidade de processo.
Ação judicial
Caso não haja consenso, o Itaú poderá buscar judicialmente o direito de resposta ou outras medidas previstas na legislação.
Manutenção da cobertura jornalística
O Metrópoles também poderá manter suas reportagens, apresentar documentos que sustentem suas publicações e exercer seu direito de defesa caso a disputa avance para a Justiça.
O que esse episódio mostra sobre comunicação corporativa?

Nos últimos anos, grandes empresas passaram a investir em estratégias próprias de comunicação para responder rapidamente a críticas, crises reputacionais e notícias que consideram incorretas.
Além das tradicionais notas à imprensa, organizações utilizam hoje:
- páginas exclusivas na internet;
- redes sociais;
- vídeos institucionais;
- comunicados públicos;
- portais de transparência.
Essa tendência busca reduzir a dependência dos canais tradicionais de divulgação e ampliar o acesso do público ao posicionamento oficial das empresas.
Conclusão
A notificação enviada pelo Itaú ao Metrópoles evidencia como disputas envolvendo informação, reputação e comunicação corporativa têm ganhado cada vez mais destaque no ambiente digital. Enquanto o banco sustenta que houve divulgação de informações falsas e busca exercer seu direito de resposta, o caso ainda não foi analisado pelo Judiciário e segue sem decisão definitiva. Até que haja novos desdobramentos, o episódio reforça a importância de acompanhar fontes confiáveis e aguardar a apuração dos fatos antes de formar uma conclusão.
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